A nova fase da Operação Nêmesis, deflagrada pela Polícia Federal no Tocantins, desencadeou demissões no governo além de repercussões políticas que aprofundam a crise aberta desde as primeiras fases da apuração sobre desvios de recursos da pandemia. A ação da Operação Nêmesis, que cumpriu 24 mandados de busca e apreensão contra endereços em Palmas e Santa Tereza do Tocantins, apura suposta obstrução às investigações da Operação Fames-19.
Segundo a Polícia Federal, a Nêmesis investiga indícios de que integrantes do núcleo político ligado ao governador afastado teriam atuado para embaraçar as apurações anteriores, com vazamento de informações, retirada de documentos e possível destruição de provas. Os mandados foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O articulador
Nessa fase da operação um nome chamou a atenção, o do advogado e ex-secretário de Parcerias e Investimentos do Tocantins, Thomas Jefferson. Ele é apontado pela investigação da PF como um dos articuladores do suposto esquema.

A PF aponta que Thomas Jefferson, teria ido pessoalmente à casa do governador afastado Wanderlei Barbosa na noite de 2 de setembro de 2025, pouco antes da deflagração da Operação Fames-19. Câmeras de segurança registraram a sua chegada e permanência por alguns minutos, tempo que os investigadores consideram suficiente para transmitir uma “mensagem presencial” ao governador. Depois desse encontro, Wanderlei, a primeira-dama e a filha saíram da residência de forma rápida, sugerindo, para a PF, que ele poderia ter avisado da operação. Há também indícios de que Thomas teria se encontrado com outros membros da família do governador (como Rérisson Castro, filho de Wanderlei) na mesma madrugada, reforçando a suspeita de coordenação para alertar sobre a operação.
Exonerações
Como consequência direta das diligências e das informações levantadas, o governo do Tocantins exonerou dois servidores citados pela PF no mesmo dia da Operação Nêmesis Em atos publicados no Diário Oficial foram exonerados Álan Rickson Andrade de Araújo, que era assessor de Estruturação de Parcerias e Concessões na SPI (Secretaria de Parcerias e Investimentos). A PF o descreve como colaborador direto de Thomas Jefferson. O outro servidor exonerado é Antoniel Pereira do Nascimento, servidor cedido à Secretaria Executiva da Governadoria. Ele é citado pela PF como pessoa de confiança do governador Wanderlei Barbosa.
Alvos e apreensões
Entre os alvos, além de endereços ligados ao governador afastado, aparecem familiares, aliados políticos e servidores. Houve apreensões de celulares e buscas em residências e endereços funcionais, além de relatos, citados pela PF, de tentativa de ocultação de documentos.
Reação da defesa
A defesa de Wanderlei Barbosa classificou a operação como inesperada e afirmou que o ex-governador nega irregularidades, ressaltando que aguarda decisões judiciais pendentes, entre elas habeas corpus que tramita em instâncias superiores.







