Como Thomas Jeferson se tornou peça-chave no esquema investigado pela PF

O articulador silencioso no centro da Operação Nêmesis

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A Operação Nêmesis, deflagrada pela Polícia Federal para apurar suspeitas de obstrução das investigações sobre desvios de recursos da pandemia, apontou para a existência de um núcleo político que teria atuado para proteger aliados, manipular informações e esvaziar provas antes das ações oficiais. No centro dessa engrenagem aparece um nome até então pouco conhecido do grande público, mas influente nos bastidores do poder no Tocantins: Thomas Jefferson Gonçalves Teixeira.

Ex-secretário de Parcerias e Investimentos (SPI), advogado com trânsito livre no núcleo mais próximo do governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos), Thomas Jefferson passou de auxiliar técnico a peça-chave na estrutura política investigada pela PF. Ele também aparece como filiado ao Republicanos, no site do partido e é sócio de Rérisson Castro Leite, superintendente do Sebrae-Tocantins – filho de Wanderlei Barbosa – em um escritório de advocacia.

O operador: PF mira atuação estratégica de Thomas Jeferson na operação Nêmesis

Início do rastro

De acordo com o relatório policial, Thomas Jefferson teria sido o responsável por avisar antecipadamente ao governador Wanderlei Barbosa sobre a deflagração da Operação Fames-19, fase que antecedeu a Nêmesis. O episódio, registrado por câmeras de segurança, mostra o advogado chegando à residência oficial na noite anterior ao cumprimento dos mandados.

Para a PF, o chamado “aviso presencial” permitiu que o governador e familiares deixassem o local e, possivelmente, evitassem que documentos, celulares e aparelhos eletrônicos fossem apreendidos na forma prevista.

Esse encontro tornou-se o fio condutor que levaria os investigadores a aprofundar a suspeita de um sistema de blindagem política articulado por Jefferson.

Karynne Sotero é flagrada pela câmera de segurança saindo de casa após visita de Thomas Gonçalves — Foto: Reprodução/Decisão STJ

Laços

A influência de Thomas Jefferson dentro do governo não era apenas política: ela se estendia às relações comerciais e familiares. Thomas Jefferson é sócio do escritório Castro & Gonçalves Advogados Associados junto com Rérisson Castro Leite, filho do governador. Para a PF, esse vínculo profissional seria parte de um “núcleo de confiança” usado para articular ações do grupo.

Ele também teria adquirido a franquia da marca de chocolates Lugano em Palmas, comprada da esposa do governador, Karynne Sotero Campos. A PF vê nessa transação uma evidência do estreitamento dos laços pessoais e financeiros entre Jefferson e a família Barbosa.

 A teia de aliados

A PF identificou que, mesmo após deixar o cargo de secretário, Thomas Jefferson continuou influenciando decisões internas do governo por meio de servidores estratégicos. Entre eles estavam: Álan Rickson Andrade, assessor da SPI, apontado como colaborador direto e responsável por acompanhar agendas e repassar informações sensíveis; Antoniel Pereira do Nascimento, lotado na Governadoria, que teria papel de confiança na articulação interna.

Além de quadros políticos que figuram como próximos de Jefferson, como Beto Lima, que continuou como secretário da Indústria Comércio e Serviços e Odilon Coelho, que Secretaria de Parcerias e Investimentos, ambos permaneceram em funções estratégicas mesmo após a troca de gestão.

Exonerações

As exonerações de Álan Rickson e Antoniel Pereira ocorreram horas após a deflagração da Nêmesis, em um movimento que o governo classificou como “necessário para a preservação do interesse público”, mas que analistas interpretam como tentativa de contenção de danos. Já as exonerações de Odilon Coelho e Beto Lima, foram publicadas “a pedido” no Diário Oficial do dia 13, quinta-feira.

Odilon Coelho é citado na denúncia encaminhada pela Polícia Federal ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) como alguém que teria continuado exercendo influência mesmo após a saída de Thomas Jefferson do comando da pasta.

De acordo com a denúncia, servidores ligados à pasta de Beto Lima informaram à Polícia Federal que, após o afastamento de Wanderlei Barbosa, um representante de uma empresa que prestou serviços durante a Agrotins teria afirmado publicamente ter pago R$ 300 mil em propina ao ex-secretário Thomas Jefferson e que ainda aguardava receber valores pendentes do governo.

Esvaziamento de imóveis

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o esvaziamento de um imóvel ligado à sogra de Wanderlei Barbosa. Durante as buscas, agentes encontraram o local recém-esvaziado, um cofre aberto e sem conteúdo e eletrônicos restaurados para configurações de fábrica.

Para a PF, esses episódios reforçam a hipótese de que houve instruções prévias para remover materiais comprometedores, uma linha de ação compatível com a atuação atribuída a Thomas Jefferson como articulador do grupo.

Discreto e influente

Nos bastidores da política tocantinense, a atuação de Jefferson nunca foi ostensiva, mas sempre notada por quem acompanha o dia a dia do Palácio Araguaia.

Ele circulava entre o campo jurídico, o núcleo familiar do governador e o comando administrativo, operando muitas vezes nos bastidores, mas determinante para a colocação e manutenção de quadros em postos estratégicos.

Tramitação judicial

O inquérito tramita sob sigilo, segundo a PF, o que dificulta a divulgação de todos os detalhes, mas já há indícios sólidos, segundo a corporação, de que o grupo investigado atuou para obstruir a Justiça.

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