A política performática de Carlos Amastha e seu protagonismo calculado

Convites não confirmados, ataques diretos ou sutis e performance midiática constante

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A política palmense sempre teve seus personagens excêntricos, mas poucos dominam a arte da autopromoção como o vereador Carlos Amastha (PSB). Em um cenário no qual o debate público exige consistência, presença e responsabilidade institucional, o parlamentar parece preferir a construção contínua de um personagem que se alimenta de insinuações, gestos teatrais e postagens estrategicamente calculadas.

A cena mais recente e que animou o feriado nas redes sociais veio de uma postagem no Instagram, onde Amastha postou duas fotos, sendo uma de 2017 e outra de 2025, em princípio mostrando um antes e depois. Na foto de 2017, Amastha aparece com sua ex-vice e ex-prefeita de Palmas Cinthia Ribeiro (PSDB), quando estaria acima do peso com 101,9 kg. Na foto de 2025, o vereador está sozinho com 77,9 kg, 24 kg mais magro. O xis da questão fica por conta da legenda: “Pior fase da minha vida”, refere-se à primeira foto. Já em relação à segunda foto escreve: “menos 24 kg, sem atalho, sem canetinha, sem milagre. Só responsabilidade, disciplina e MUITO treino”. Dizem que pra bom entendedor meia palavra basta. A postagem rendeu muita especulação nas redes sociais e na imprensa. Se queria holofotes, Amastha conseguiu.

Print do Instagram de Amastha

Ranço com Cinthia

Vale lembrar que Amastha tem um histórico conflituoso com Cinthia Ribeiro. Ele já foi multado pelo TRE-TO por postagens ofensivas contra ela. Ao evocar a figura de Cinthia em suas postagens, Amastha pode estar resgatando conflitos passados para reaparecer no centro da atenção, estrategicamente, e colher engajamento. A ambiguidade em publicações nas redes sociais pode ser uma ferramenta poderosa para um político. Ao escrever algo que pode significar diferentes coisas, Amastha deixa duas janelas abertas: uma para quem já o apoia, reforçando sua narrativa de oposição ou crítica, e outra para os indecisos ou adversários, provocando reação, polêmica e, potencialmente, visibilidade midiática.

Amastha não posta para informar; posta para insinuar. Amastha não comunica, ele sugere. E sugere sempre algo que o coloca no centro. É política como performance, política como enigma, política como entretenimento.

Joseph no alvo

Essa mesma lógica do “eu sou pauta” também aparece fora das redes. Foi assim na tribuna da Câmara, quando o vereador decidiu fazer campanha aberta, tanto no plenário quanto em suas plataformas digitais, contra a permanência do empresário Joseph Madeira, presidente da ACIPA, na condução da entidade. Uma atuação política que extrapola sua função institucional e tenta impor, de fora, uma interferência direta em um processo associativo que deveria ser autônomo e livre de pressões público-partidárias.

A tentativa de influenciar a ACIPA gerou desconforto e mostrou que Amastha se move por disputas que projetam sua imagem, e não necessariamente por pautas que fortalecem o Legislativo ou beneficiam diretamente a população.

Ao invés de assumir o papel de vereador com a sobriedade que o cargo demanda, o parlamentar parece atuar em outra lógica: a do personagem que não pode ser ignorado, ainda que para isso seja necessário gerar ruído, provocar especulações e movimentar a engrenagem das redes.

Retórica do convite

Esse comportamento não passou despercebido pelos bastidores. Um texto amplamente compartilhado em grupos de WhatsApp, assinado por Brenno Vieira e intitulado “O Vereador dos Convites Imaginários”, sintetiza, com ironia cortante, aquilo que muitos já observam há meses: a reiterada narrativa de que Amastha estaria “sendo cotado”, “conversando”, “avaliando” ou até “declinando” convites para assumir secretarias de Estado. Convites esses que, segundo o autor, jamais existiram.

Vieira resgata uma imagem bem-humorada atribuída a Tancredo Neves: a do “convidado imaginário”, aquele que rejeita uma nomeação que nunca lhe foi oferecida. Uma metáfora que, aplicada ao vereador, funciona quase como diagnóstico político. A insistência em se colocar como figura desejada por todos contrasta com o silêncio das pastas que supostamente o teriam sondado.

Menos personagem, mais trabalho!

A questão central, no entanto, não é a vaidade — velha conhecida na política. O problema é o deslocamento permanente entre o cargo real e o cargo imaginado. Enquanto cultiva narrativas paralelas, Amastha se ausenta do que a vereança exige de verdade: projetos consistentes, fiscalização ativa, participação contínua e compromisso com o cotidiano da cidade.

Palmas, porém, não vive de enigmas. Precisa de proposições, fiscalização ativa, diálogo produtivo e presença qualificada nos assuntos que afetam diretamente a cidade. A política local carece menos de personagens e mais de trabalho. Menos de sugestões veladas e mais de clareza. Menos de convites imaginários e mais de compromissos reais.

Em um tempo em que as redes amplificam tudo, inclusive o que interessa pouco, a fronteira entre narrativa e responsabilidade pública precisa ser reafirmada. Não é proibido fazer política performática. Mas é arriscado viver apenas dela.

Enredo Interminável!

O vereador Carlos Amastha tem trajetória, capacidade de articulação e visibilidade suficientes para exercer um mandato robusto. O que lhe falta, neste momento, é algo muito simples: parar de tentarinfluenciar decisões internas de entidades, ou ficar ressuscitando rusgas antigas e ocupar o cargo que já tem, antes de mirar os que não tem — e talvez nem venham.

E como alertou Brenno Vieira, com precisão incômoda: quando a busca por atenção ultrapassa a entrega de resultados, a fronteira entre liderança e caricatura se estreita perigosamente.

E, na política, a linha entre protagonismo e caricatura é mais fina do que parece. E uma vez ultrapassada, raramente há caminho de volta.

Marcia Alves – Jornalista e especialista em Comunicação Governamental e Marketing Político

Veja a íntegra do texto de Brenno Viera que circulou em grupos de Whatsapp:

O Vereador dos Convites Imaginários

Em Palmas, poucas figuras públicas conseguem transformar a rotina trivial da Câmara Municipal em um espetáculo tão previsível quanto o vereador Carlos Amastha. É curioso observar como, a cada novo ciclo político, ele afirma estar “recebendo convites” para assumir secretarias de Estado convites esses que, misteriosamente, nunca se concretizam.

A narrativa já virou rubrica repetida: Amastha “está disponível”, “está sendo cotado”, “está conversando”, “está avaliando” “Declina do convite” . Mas, no fim, nada de convites reais. Nada de nomeação. Nada além da autopromoção.

Essa postura sugere duas possibilidades:
ou o vereador tem uma necessidade permanente de se colocar no centro das atenções,
ou está desempenhando, mesmo sem perceber, o velho papel do que Tancredo Neves chamava ironicamente de “convidado imaginário”: aquele que diz ter recusado uma nomeação que nunca lhe foi oferecida.

Mais grave que o exibicionismo político é o desrespeito à própria função que ocupa. Se existe algo que a cidade espera de um vereador é trabalho, presença qualificada nos debates, fiscalização, proposições concretas e compromisso real com os temas da população. Mas Amastha parece pouco convencido de que o cargo para o qual foi eleito tem dignidade suficiente para sua “capacidade” autoproclamada.

Ao invés disso, prefere gastar energia “plantando” notas na imprensa, deixando no ar rumores de convites inexistentes, e se colocando constantemente à disposição para funções que nunca chegam. Um comportamento que, além de politicamente inócuo, expõe o próprio vereador a uma situação constrangedora: a de alguém que insiste em parecer desejado por todos, quando, na prática, não é chamado por ninguém.

Talvez o mais prudente e o mais honesto seria simplesmente cumprir o mandato. Fazer o básico. Trabalhar. Assumir a cadeira com seriedade, responsabilidade e foco. Palmas não precisa de um vereador que vive em campanha para cargos hipotéticos; precisa de um vereador que exerça a função para a qual foi eleito.

Fica aqui um conselho sincero ao ilustre vereador:
pare, porque já está feio.

Antes que vire caricatura de si mesmo.

Brenno Vieira
Palmas

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