O governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) tem sido cauteloso em suas ações após reassumir o comando do Tocantins no último sábado (6, após decisão liminar do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu o afastamento imposto pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). De volta ao Palácio Araguaia, o chefe do Executivo iniciou uma série de movimentos administrativos que redesenham parte da máquina estatal, mas mantém um tom de cautela política enquanto aguarda a decisão colegiada da Segunda Turma do STF, marcada para o dia 10 de dezembro, que irá referendar — ou não — seu retorno definitivo.
Logo nas primeiras horas após reassumir o cargo, o Diário Oficial trouxe uma lista de exonerações de auxiliares diretos nomeados durante os três meses da gestão interina de Laurez Moreira (PSD). As mudanças atingiram secretarias, autarquias e fundações, com impacto direto na articulação política e na estrutura administrativa que havia sido montada por Laurez.
Paralelamente às exonerações, Wanderlei publicou as primeiras nomeações na sua volta ao cargo. Os novos titulares retomam posições anteriormente ocupadas por quadros de confiança do governador. A escolha de apenas alguns nomes gerou especulações sobre o critério adotado por Wanderlei. O gesto foi visto como um critério de extrema confiança, além de serem áreas mais estratégicas.

Confira a lista dos primeiros nomeados:
DEOCLECIANO GOMES FILHO, Secretário-Chefe da Casa Civil;
BRUNO SOUSA AZEVEDO, Secretário de Estado da Segurança Pública; e interino na Cidadania e Justiça;
DONIZETH APARECIDO SILVA, Secretário de Estado da Fazenda;
MÁRCIO ROCHA, Secretário de Estado da Comunicação;
PAULO CÉSAR BENFICA FILHO, Secretário de Estado da Administração;
FÁBIO PEREIRA VAZ, Secretário de Estado da Educação;
KATIUSCYA CHAVES, Chefe de Gabinete do Governador; e interina na Secretaria Executiva da Governadoria;
PETERSON QUEIROZ DE ORNELAS, Comandante- Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Tocantins – CBMTO;
MARCELLO LELIS, Secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos;
MÁRCIO ANTÔNIO BARBOSA DE MENDONÇA, Comandante-Geral da Polícia Militar do Estado do Tocantins – PMTO;
MILTON NERIS DE SANTANA, Secretário de Estado da Indústria, Comércio e Serviços;
ELENIL DA PENHA ALVES DE BRITO, Secretário Executivo da Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços;
JAX JAMES GARCIA PONTES, Procurador-Geral do Estado;
LUCIANO LIMA COSTA, Secretário Executivo da Secretaria da Saúde que se torna interino no comando da Secretaria da Saúde.

Antonio Gonçalves/Governo do Tocantins
Comissão
Em meio às primeiras reestruturações, o governador anunciou a criação de uma comissão interna destinada a revisar os atos administrativos praticados durante a gestão interina de Laurez Moreira. A medida tem o objetivo de rever contratos, pagamentos realizados, nomeações, programas e inaugurações de obras feitas durante os 93 dias de gestão. O gesto de Wanderlei tem peso político evidente: acompanhar de perto o que foi alterado durante sua ausência. A expectativa é que um relatório seja divulgado após análise de cada área atingida pelas mudanças do governo interino.
Expectativa
Apesar da movimentação administrativa, o clima no Palácio Araguaia ainda é de prudência. Wanderlei, segundo aliados, tem adotado um discurso reservado, evitando celebrar a decisão de forma ampla. Ele avalia que o julgamento da Segunda Turma do STF no dia 10 de dezembro será determinante para a estabilidade do governo nos próximos meses.
Caso a Turma confirme a liminar de Nunes Marques, o governador consolida sua permanência e pode promover ajustes mais amplos na gestão. Inclusive, Wanderlei já deixou claro que só falará à imprensa após a decisão de quarta-feira. Por enquanto, as declarações veiculadas na imprensa estão sendo feitas baseadas em posts do governador nas redes sociais. Embora haja expectativa de que a decisão de Nunes Marques será confirmada, existe a possibilidade de entendimento contrário, e nesse caso o cenário político do Estado voltaria a ficar incerto.
Enquanto isso, o governo opera em modo de recomposição gradual: reorganizando equipes, restabelecendo canais políticos e retomando agendas prioritárias, mas sempre atento ao desfecho jurídico que ainda está por vir.







