Em um movimento que sacode a política tocantinense, o senador Irajá (PSD) e a coligação “O Futuro É Pra Já” formalizaram na tarde desta segunda-feira (8) a desistência do processo eleitoral que contestava a chapa Wanderlei Barbosa/Laurez Moreira, por suposto abuso de poder nas eleições de 2022.
O pedido de retirada do recurso ordinário eleitoral nº 0601568-74.2022.6.27.0000, fundamentado no artigo 998 do Código de Processo Civil, foi protocolado às 18h49 junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), desta segunda-feira (8).
O processo tramitava sob relatoria do ministro Floriano de Azevedo Marques, e estava pautado para julgamento virtual, previsto para iniciar nesta sexta-feira (12). Se decidisse pela provisão do recurso, a chapa seria cassada e o governo do Tocantins seria assumido interinamente pelo presidente da Assembleia Legislativa até a realização de eleições suplementares.

do recurso no TSE
Desdobramentos
O recurso no TSE buscava reverter a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO), que em maio de 2024 julgou improcedente a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida por Irajá. A acusação aponta abuso de poder político por suposta utilização da estrutura da Secretaria de Comunicação do Estado e emprego de servidores públicos durante a campanha de 2022, que elegeu Wanderlei e Laurez, disputada também por Irajá.

Recuo calculado
O recuo de Irajá, historicamente crítico ao governador, sinaliza que o senador aposta em outro julgamento, o da segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF), prevista para quarta-feira (10), que vai decidir se Wanderlei fica ou não no cargo. Ocorre que Irajá e Laurez hoje dividem a mesma legenda, o PSD.
Enquanto o recurso no TSE discutia fatos eleitorais de 2022, é o processo do STF, envolvendo o afastamento de Wanderlei, que realmente ameaça o poder no curto prazo.
Arquivamento
Com o pedido de desistência, caberá ao relator retirar o processo da pauta e arquivar o recurso, o que implica o fim da contenda eleitoral judicial entre as partes. A desistência representa uma reconfiguração do apoio político de Irajá a Laurez. Até porque caso a chapa fosse cassada, tanto Wanderlei quanto Laurez ficariam inelegíveis e assim o PSD perderia o pré-candidato da sigla ao Palácio Araguaia.

O jogo
Irajá sabia que o jogo principal não estava mais no TSE. Ao abrir mão do recurso, o senador blinda Laurez e o PSD para 2026, e ainda cede lugar a pragmatismo político, pois elimina uma das últimas incertezas jurídicas que pairavam sobre o governo de Wanderlei Barbosa, contribuindo para restaurar a estabilidade institucional e política. A desistência claramente reconfigura o tabuleiro eleitoral do estado com vista a 2026.







