O Governo do Tocantins vem ampliando o acesso das mulheres ao planejamento sexual e reprodutivo com o projeto Vidas Planejadas, da Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO). Criada em agosto de 2025, a iniciativa capacita equipes da Atenção Primária e expande o uso do Dispositivo Intrauterino (DIU), método contraceptivo de alta eficácia.
Em apenas três meses, 25 profissionais foram capacitados e 508 mulheres receberam o DIU em seis municípios. O projeto é coordenado pelo Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna, Fetal e Infantil (Cepomfi-TO), com apoio do Cosems-TO e do Coren-TO.
Segundo o Cepomfi, análises de 2023 e 2024 apontaram que quase todas as mulheres que morreram durante a gestação ou no parto não haviam realizado nenhum planejamento reprodutivo. Estudos mostram que o uso de métodos de longa duração, como o DIU, pode reduzir em até 40% os óbitos maternos, fetais e infantis, além de diminuir gestações não planejadas e gravidez precoce.
Tocantins avança, mas desafios persistem
Os dados do Censo 2022 ajudam a contextualizar o impacto do projeto.
Fecundidade acima do país, mas melhor que a média da Região Norte
- Brasil: 1,55 filho por mulher
- Região Norte: 1,89 filho por mulher
- Tocantins: 1,8 filho por mulher
O estado apresenta fecundidade mais baixa que a média regional, mas ainda superior à nacional, indicando transição demográfica em curso, porém mais lenta.

Foto: André Borges/Agência Brasília
Baixa renda e gravidez precoce ampliam riscos
No Tocantins, onde grande parte das mulheres vive em condição de renda inferior à média nacional, há maior exposição a fatores como:
- gravidezes não planejadas,
- maior número de filhos,
- maior incidência de gravidez na adolescência.
Mudança geracional em andamento
A geração de mulheres entre 50 e 59 anos reduziu a média de filhos de 4,2 (2010) para 2,7 (2022), embora o índice ainda seja superior ao padrão nacional.
Por que isso importa
A combinação entre vulnerabilidade socioeconômica, gravidez precoce e maior número de filhos eleva os riscos de mortalidade materna e infantil — justamente os indicadores que o projeto busca enfrentar.
Gravidez na adolescência segue alta no estado
A gravidez precoce permanece como um dos principais desafios da saúde pública no Tocantins. Em 2024, foram registrados 3.303 nascimentos de mães de 10 a 19 anos. Em 2023, foram 3.631.
Mesmo com a queda nacional na proporção de mães adolescentes nas últimas décadas, o número absoluto de casos segue elevado. Estados com políticas mais estruturadas de educação sexual e maior acesso a métodos contraceptivos apresentam índices menores que a média brasileira — o que reforça a necessidade de ampliar ações como o Vidas Planejadas.
Seis municípios atendidos na fase inicial
O projeto já chegou a Palmas, Tocantinópolis, Aguiarnópolis, Palmeiras, Porto Nacional e Monte do Carmo. Para as equipes municipais, a ampliação do acesso ao DIU tem reduzido custos, facilitado atendimento e fortalecido o planejamento reprodutivo das usuárias.
O Coren-TO também participou na capacitação de enfermeiros, ampliando a rede apta a oferecer orientação e acompanhamento às mulheres.
Com resultados iniciais consistentes, o Vidas Planejadas se consolida como uma das principais ações de saúde pública voltadas à proteção materna e infantil no estado, com previsão de expansão para novos municípios nos próximos meses.







