Ataque dos EUA à Venezuela não foi repentino: os bastidores da ofensiva que levou à captura de Nicolás Maduro

Explosões na madrugada, meses de pressão silenciosa e negociações frustradas revelam como o conflito avançou passo a passo até o episódio mais grave da América Latina em décadas

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Pouco depois das 2h da madrugada deste sábado, 3 de janeiro de 2026, Caracas acordou sob o som de explosões. Em bairros próximos a instalações militares, moradores relataram o mesmo cenário: aeronaves voando baixo, tremores, luzes cortando o céu e o silêncio pesado que costuma anteceder acontecimentos históricos.

Em questão de minutos, vídeos começaram a circular nas redes sociais. Não havia confirmação oficial, mas, para quem acompanhava os sinais dos últimos meses, a sensação era inevitável: a escalada que vinha sendo anunciada havia semanas havia ultrapassado o ponto de retorno.

Horas depois, a confirmação veio de Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que forças norte-americanas haviam realizado uma operação militar em larga escala contra a Venezuela e que o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, teriam sido capturados e retirados do país.

A declaração caiu como uma bomba diplomática. Ainda na madrugada, o governo venezuelano denunciou “agressão imperialista”, decretou estado de emergência e convocou a mobilização nacional. Chamou atenção, porém, o que não foi dito: nas primeiras horas, não houve uma negação direta sobre a captura de Maduro, ampliando a incerteza global.

Nada disso, contudo, aconteceu por acaso.

Uma crise anunciada

Embora a madrugada deste sábado tenha sido o momento mais dramático, o ataque à Venezuela foi o desfecho de uma construção lenta, progressiva e pública, iniciada ainda em meados de 2025.

Em julho do ano passado, o governo dos Estados Unidos dobrou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão ou condenação de Nicolás Maduro. Mais do que um gesto simbólico, a decisão marcou uma mudança de enquadramento político e jurídico: Washington passou a tratar o presidente venezuelano como chefe de uma organização criminosa transnacional, o chamado Cartel de los Soles, classificado como grupo terrorista internacional.

A partir dali, o discurso deixou de ser apenas diplomático. Tornou-se operacional.

Do discurso à presença militar

Em agosto de 2025, navios de guerra e aeronaves norte-americanas começaram a reforçar a presença no Caribe. O porta-aviões USS Gerald R. Ford passou a integrar o teatro de operações. Oficialmente, tratava-se de uma campanha antidrogas. Na prática, analistas passaram a enxergar um cerco em formação.

Em setembro, vieram os primeiros ataques a embarcações suspeitas de transportar drogas. Mais de 20 barcos foram atingidos ao longo de semanas. O governo dos EUA afirmou que as ações salvaram milhares de vidas ao interromper rotas do narcotráfico. Críticos, por outro lado, questionaram a legalidade das operações e denunciaram uso excessivo da força.

Enquanto isso, Trump endurecia o tom. Em discursos e postagens, passou a falar abertamente sobre a possibilidade de ações diretas em território venezuelano. Caracas respondeu acusando Washington de buscar o controle do petróleo do país e de preparar uma intervenção disfarçada.

O bloqueio e o aviso final

O ponto simbólico da escalada ocorreu no fim de novembro de 2025. Em uma publicação que correu o mundo, Trump declarou que o espaço aéreo da Venezuela deveria ser considerado “fechado em sua totalidade”.

Não era apenas retórica. Era um aviso.

Naquele mesmo período, longe das câmeras e dos comunicados oficiais, um movimento silencioso chamou a atenção da diplomacia regional. No dia 23 de novembro, o empresário brasileiro Joesley Batista viajou a Caracas em um voo rastreado por sistemas internacionais. A viagem foi revelada posteriormente por reportagens da imprensa internacional.

O objetivo, segundo apuração jornalística, era convencer Nicolás Maduro a aceitar uma saída negociada, evitando uma confrontação militar direta. Não havia mandato oficial. A holding J&F negou representar qualquer governo. No Brasil, o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, admitiu ter conhecimento da iniciativa e expressou esperança em uma solução pacífica.

A tentativa fracassou.

Dezembro: o mês da ruptura

Em dezembro, a crise entrou em sua fase mais perigosa. Os Estados Unidos ampliaram o bloqueio a petroleiros venezuelanos, atingindo o coração da economia do país. Pouco antes do Natal, ocorreu o primeiro ataque terrestre confirmado, atingindo uma instalação ligada à logística do narcotráfico.

O governo venezuelano respondeu decretando estado de emergência nacional e alertando para uma agressão iminente. Em meio à tensão, os presidentes Lula e Maduro conversaram por telefone, discutindo o cenário regional e a escalada militar.

Nos bastidores, diplomatas já tratavam o confronto como uma questão de tempo.

A madrugada decisiva

O ataque desta madrugada representou o rompimento definitivo de qualquer contenção. As explosões em Caracas atingiram áreas estratégicas e confirmaram que a campanha conhecida no Pentágono como Operation Southern Spear havia ultrapassado o combate ao narcotráfico para se transformar em intervenção direta.

Trump anunciou a captura de Maduro como parte dessa operação. O mundo reagiu em choque.

Rússia, China e Irã condenaram a ação. Países da América Latina pediram reuniões emergenciais da ONU e da OEA. Governos europeus adotaram cautela, cobrando esclarecimentos. Analistas passaram a comparar o episódio às intervenções mais controversas dos Estados Unidos no século XX.

O que está em jogo agora

Na Venezuela, o cenário é de incerteza absoluta. A paralisação do setor petrolífero, a fragilidade institucional e o risco de um vácuo de poder alimentam o temor de caos social e de uma nova onda migratória.

Nos Estados Unidos, Trump colhe apoio de parte de sua base, mas enfrenta questionamentos sobre a legalidade da operação, seus custos e suas consequências de longo prazo.

No Brasil, os impactos podem ser sentidos tanto na fronteira norte quanto no campo diplomático, em meio a pressões humanitárias e políticas.

Nada foi improvisado

A principal lição dos acontecimentos desta madrugada é clara: nada do que ocorreu foi improvisado. O ataque foi o desfecho de meses de pressão, avisos públicos, ações militares graduais e tentativas frustradas de negociação.

As próximas horas dirão se a operação encerrará um ciclo ou abrirá um período ainda mais instável para a América Latina. O certo, por ora, é que a região acordou diferente neste 3 de janeiro de 2026.

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