Líderes mundiais reagem ao ataque dos EUA à Venezuela e à captura de Nicolás Maduro

Condenações, apoios pontuais e silêncios estratégicos expõem divisões globais e reacendem o debate sobre soberania, direito internacional e duplo padrão nas relações internacionais

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A madrugada deste 3 de janeiro de 2026 não abalou apenas Caracas. Poucas horas após o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela e o anúncio da captura do presidente Nicolás Maduro, o impacto político atravessou continentes, mobilizando chefes de Estado, chancelerias e organismos internacionais.

As reações revelaram um cenário fragmentado: condenações firmes, apoios explícitos, posições cautelosas e, sobretudo, um debate inevitável sobre quem pode usar a força, em que circunstâncias e com qual legitimidade.

Brasil: condenação firme e apelo ao multilateralismo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos primeiros líderes a se manifestar. Em nota e publicações nas redes sociais, Lula condenou o ataque, classificando a ação dos EUA como violação grave da soberania venezuelana e do direito internacional.

O presidente brasileiro afirmou que o uso da força “ultrapassa limites inaceitáveis” e cobrou atuação imediata da ONU, reforçando que conflitos internacionais não podem ser resolvidos por meio de intervenções militares unilaterais. O Itamaraty convocou reunião de emergência para avaliar os impactos regionais.

América Latina: região dividida

Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro condenou o ataque e alertou para o risco de uma nova onda migratória e de instabilidade na fronteira. Petro pediu reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU e afirmou que a América Latina não pode voltar a ser palco de intervenções externas.

A Argentina, por outro lado, adotou posição oposta. O presidente Javier Milei manifestou apoio à ação dos Estados Unidos, defendendo que a pressão internacional sobre o governo Maduro seria necessária para desmontar o que chamou de “estrutura autoritária e criminosa” na Venezuela.

A divisão evidencia uma América Latina politicamente fragmentada, incapaz de apresentar uma posição unificada diante de um dos episódios mais graves da região em décadas.

Europa: cautela, direito internacional e desconforto

Na França, o governo do presidente Emmanuel Macron rejeitou o uso da força e defendeu que mudanças políticas não podem ser impostas externamente. Paris reforçou a necessidade de respeito à Carta da ONU e pediu esclarecimentos sobre a legalidade da operação.

A Bélgica seguiu linha semelhante, destacando preocupação com a escalada militar e defendendo uma resposta coordenada no âmbito multilateral europeu e das Nações Unidas.

O Reino Unido, por sua vez, adotou discurso mais cauteloso, negando qualquer envolvimento na operação e afirmando que acompanha os desdobramentos com atenção, sem endossar explicitamente a ação americana.

Ásia: China condena; Japão evita confronto retórico

A China reagiu com linguagem dura. Por meio de seu porta-voz oficial, Pequim afirmou estar “profundamente preocupada” e condenou o ataque como violação do direito internacional e ameaça à estabilidade regional, defendendo solução política e diálogo.

O Japão adotou tom mais diplomático. Autoridades japonesas evitaram críticas diretas aos Estados Unidos, mas ressaltaram a importância do respeito às normas internacionais e pediram contenção para evitar agravamento da crise.

África: alerta sobre precedente perigoso

Na África do Sul, o governo pediu reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU e alertou que a captura de um chefe de Estado por forças estrangeiras cria um precedente perigoso para o sistema internacional, especialmente para países do Sul Global.

Rússia e o debate sobre o duplo padrão

A Rússia, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, condenou duramente o ataque americano, classificando-o como “agressão armada” e violação da soberania venezuelana. Moscou defendeu que a América Latina deve permanecer como zona de paz.

A reação russa, no entanto, foi imediatamente acompanhada por críticas de analistas internacionais, que apontaram um duplo padrão: o mesmo argumento de soberania e direito internacional usado para condenar os EUA é frequentemente rejeitado por Moscou quando o tema é a invasão da Ucrânia, iniciada em 2022 e ainda em curso.

Especialistas observam que esse tipo de posicionamento não invalida a crítica à ação americana, mas expõe a seletividade com que grandes potências recorrem ao direito internacional, muitas vezes como instrumento retórico, e não como princípio universal.

ONU e OEA: pressão por resposta institucional

A Organização das Nações Unidas foi acionada formalmente pelo governo venezuelano, que solicitou reunião de emergência do Conselho de Segurança. O secretário-geral expressou preocupação com a escalada e reiterou a necessidade de evitar mais violência.

Na Organização dos Estados Americanos (OEA), líderes regionais pressionam por uma reunião extraordinária, embora ainda não haja posição consolidada do bloco.

Um mundo dividido diante do uso da força

As reações ao ataque dos EUA à Venezuela revelam mais do que posições sobre um conflito específico. Elas expõem um mundo dividido, em que o uso da força continua sendo tolerado ou condenado conforme o ator envolvido, o contexto geopolítico e os interesses estratégicos em jogo.

Enquanto a situação na Venezuela segue em rápida evolução, o debate internacional reacende uma pergunta antiga e ainda sem resposta clara: quem define os limites da intervenção e quem, de fato, responde por eles?

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