O plenário da Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto) virou palco de um embate político nesta quarta-feira, 4, depois que a deputada estadual Janad Valcari (PL) confrontou o colega deputado Júnior Geo (PSDB) por declarações feitas por ele durante o recesso parlamentar, em que mencionou ter recebido proposta de retorno financeiro de 30% a 60% vinculada à destinação de emendas parlamentares por parte de um instituto.
De forma contundente, Janad Valcari exigiu clareza e provas afirmando que não se pode jogar suspeitas genéricas sobre o Parlamento sem provas ou nomes. “Se houve oferta de propina é crime, por que o instituto não foi publicamente identificado?”, questionou. A deputada afirmou que a declaração de Geo expõe a Assembleia diante da opinião pública e deve ser tratada com responsabilidade.
“Essa Casa não pode aceitar que se jogue lama sobre o parlamento sem que os fatos sejam devidamente esclarecidos”, declarou Janad, cobrando que Geo apresente formalmente as evidências ou leve a denúncia aos órgãos competentes, como Ministério Público e Polícia Civil. “Se existem deputados que praticam tais atos que se diga quem são, se houve tentativa de corrupção que se diga o nome do instituto”, afirmou. “Eu quero saber e tenho certeza que o Tocantins também”, assegurou. “Aqui não cabe insinuação, aqui cabe a verdade, prova e muita responsabilidade”, discursou Janad. “Formalize a denúncia junto aos órgãos competentes, eu estou pronta pra ir com o senhor”, provocou.
Ao responder às críticas, o deputado Júnior Geo afirmou que não acusou diretamente colegas da Assembleia Legislativa, sustentando que apenas relatou ter recebido proposta de um instituto. Segundo Geo, o instituto que procurou seu gabinete foi o Instituto de Desenvolvimento Sociocultural e Econômico (Idesp), que inclusive estaria sendo investigado pelo Ministério Público, conforme já noticiado por veículo de comunicação.
“Se a deputada Janad Valcari destinou emenda ao Idesp eu não sei. Eu não acusei a deputada”, declarou Geo, acrescentando que o caso do referido instituto estaria sob apuração do Ministério Público e da Polícia Civil.
A deputada Janad reagiu com dureza. Disse que sua palavra “não faz curva” e negou qualquer destinação de recursos ao instituto citado. “Nunca mandei R$ 1,00 para o Idesp ou para qualquer outro instituto”, afirmou. Em tom irônico, disparou ao referir-se a um vídeo gravado por Geo para as redes sociais: “Lugar de palhaçada é no circo, se o senhor tiver precisando de um narizinho de palhaço, eu posso lhe presentear”, disse ao colega.
Geo retrucou afirmando que “palhaçada é quem faz isso com dinheiro público” e desafiou Janad a retirar das redes sociais dela “a informação com documento do Idesp, já que nunca destinou emenda”. O deputado afirmou ainda que encerraria o debate naquele momento.

Nilton rebate Geo
O embate ganhou novo capítulo com a intervenção do deputado Nilton Franco (Republicanos), que criticou a forma como Geo conduziu as declarações. “Fiquei chateado quando li a matéria. Ele colocou todo mundo no mesmo balaio”, disse. Para Nilton, a fala do colega expôs indevidamente a Assembleia Legislativa.
Nilton afirmou que destinou recursos ao Idesp, assim como outros deputados teriam destinado, e desafiou Geo a apontar qualquer irregularidade. “Vá ao meu gabinete, fiscalize. Veja se há superfaturamento. Não é porque ofereceram 30% ao senhor que ofereceram a mim. Se tivessem oferecido, eu não teria aceitado”, declarou. O parlamentar ressaltou que a Assembleia tem que ser respeitada porque “não é casa da mãe Joana” e afirmou que não aceitará acusações sem provas, afirmando que se o instituto não processar Geo ele terá que recorrer à Justiça.
No encerramento da discussão, Janad voltou a usar a fala e lançou um desafio direto a Júnior Geo. Disse que renunciaria ao mandato caso fosse apresentado qualquer documento que comprovasse destinação de recursos de sua autoria ao Idesp. “Mostre um único comprovante de que eu mandei R$ 1,00 para esse instituto. Se provar, eu renuncio ao meu mandato”, afirmou.







