Escrever esse artigo exigiu o mesmo cuidado, atenção e disciplina que vêm marcando toda esta série. Xícaras e muitas xícaras de café, boas prosas, animadas por ângulos distintos de figuras que conhecem a política tocantinense internamente, verdades variáveis e profundidade difusa. Meu coração não bate em descompasso com qualquer projeto que seja, as palavras que ganham formato através de rabiscos e depois saltam a tela de um acessório eletrônico, são objeto de meus pensamentos fruto de toda a base que existe em minha caixa craniana.
Este é um espaço de análise. Um esforço real de compreensão do cenário tocantinense com sobriedade, densidade e responsabilidade, justamente para colaborar com quem vive a política por dentro, gosta de pensar por conta própria e não se satisfaz com narrativas voláteis.
Sem mais delongas, peço licença para parafrasear um excelente comunicador Tocantinense nascido na maravilhosa Dianópolis, Nilson Bittar onde ele diz: “Aos que torcem pelo nosso voo boa viagem, aos demais, apenas liberem a pista.” Vamos juntos nessa viagem percorrendo nomes, cenários e possibilidades para 2026.
A quem analisamos?
O grupo analisado neste artigo forma a chamada Faixa 3 da disputa proporcional: nomes que não entram como favoritos nem buscam reeleição, mas possuem capacidade real de influenciar o resultado final. Seja por tracionar votos, encarecer regiões estratégicas, atrair padrinhos, ajudar a preencher quociente partidário ou simplesmente ocupar espaços que antes eram de hegemonia de outros nomes.
São projetos que estão em construção, retorno ou reposicionamento. E que, em conjunto, vão redesenhar o mapa da disputa por cadeiras na Câmara Federal.
Lucas Campelo: a força empresarial que mira o Norte
Lucas Campelo é hoje vereador em Araguaína, eleito em 2024 como o mais votado da cidade. Jovem, com perfil empresarial arrojado, tem construído sua trajetória com base na imagem de renovação e diálogo. Filiado atualmente ao União Brasil, partido liderado no Tocantins pela senadora Dorinha Seabra, Lucas tem como padrinho político o deputado federal Carlos Gaguim, com quem está alinhado e de quem pode acompanhar a migração para o Republicanos.
Seu capital financeiro e sua capacidade de comunicação com um eleitorado jovem e urbano o posicionam como um nome com potencial para atingir entre 12 e 18 mil votos, faixa decisiva para completar quociente eleitoral e dar musculatura a uma nominata competitiva. Sua atuação está centrada no Norte, Araguaína e região do Bico do Papagaio, onde se observa uma tendência crescente por nomes novos, propositivos e com discurso de atualização política.
Mesmo que não seja eleito, Lucas Campelo pode desempenhar papel fundamental na consolidação da chapa do Republicanos, caso migre junto a seu padrinho Carlos Gaguim. Além disso, sua votação em 2026 pode consolidar um projeto de médio prazo. Em 2028, com a impossibilidade de reeleição do prefeito de Araguaína, Wagner, Lucas pode sim, despontar como nome viável para disputar a prefeitura, caso demonstre capacidade de liderança e articulação regional no ciclo atual.
Mauro Carlesse: o ex-governador que pode surpreender
Carlesse entrou no PSD com o objetivo claro de disputar a Câmara Federal em 2026. Seu nome foi lançado como pré-candidato e ele tem trabalhado na construção de um projeto para se viabilizar eleitoralmente. Além do legado administrativo, com saldo financeiro positivo deixado no governo, Carlesse é lembrado pela postura de cumprimento de acordos e de lealdade com prefeitos e deputados. Esse perfil institucional e de confiabilidade pode pesar positivamente na formação de alianças regionais. Caso o projeto de Laurez Moreira ao governo não ganhe musculatura suficiente, Carlesse também pode ser reposicionado como nome majoritário, mas o movimento de filiação no PSD pode nos dar uma leitura de preenchimento territorial, reflitamos. A pré-candidata ao Governo pelo União Brasil, tem a prefeita de Gurupi, o seu opositor na campanha municipal Dep. Eduardo Fortes ( que deverá migrar ao Republicanos) a secretaria de saúde, Luana Nunes que já confirmou sua pré-candidatura a câmara dos deputados, todos esses nomes estarão no palanque de Dorinha, Carlesse por outro lado ajuda preencher o cenário local e dar musculatura ao grupo de Laurez na região.
César Halum: experiência e voto de presença
Halum tem histórico de deputado federal, estadual e prefeito interino. Está filiado ao PSD antes mesmo de Carlesse e foi secretário de Laurez durante o governo interino. Com discurso de escuta, presença constante e relações no agro, é um nome subestimado que pode surpreender se a chapa do PSD se mantiver equilibrada e competitiva. Político experiente, de formação técnica e acostumado ao modus operandi tradicional da política tocantinense, Halum pode ter papel relevante se conseguir adaptar sua comunicação e estratégia à nova realidade digital e de campanha. Mesmo que não se eleja, pode ajudar o partido a atingir o quociente.
Alfredo Júnior: estrutura privada, apoio pesado
Presidente do Avante e próximo do senador Eduardo Gomes, Alfredo Júnior pode migrar para o PL para disputar como nome de renovação com a bandeira empresarial. Tem apoio de prefeitos, padrinhos estaduais e lideranças no sul do estado. Caso a estrutura do Avante não se confirme, e opte por fortalecer o PL, pode ser parte da engrenagem que dê musculatura à tentativa do partido de eleger três federais. Sua candidatura pode também servir como teste para um projeto de médio prazo: se não for eleito, consolida nome e base para eventual disputa em 2028 e 2030.
Sandoval Cardoso: o retorno de um nome com base
Ex-governador com base em Colinas, Araguaína e Bico, Sandoval poderá migrar para o Republicanos a convite de Wanderlei Barbosa. Pode ser fator decisivo para garantir a segunda cadeira do partido, caso se articule bem com Lucas Campelo, Ricardo Ayres e outras lideranças. Seu capital financeiro e político permanece relevante, tem respaldo regional e está em campo construindo alianças. A depender da configuração da chapa, pode impulsionar a votação geral da legenda travando uma bela disputa dentro do partido.

Paulo Mourão: o único que pode furar a bolha do PT
Ex-prefeito, ex-deputado federal e estadual, Paulo é um nome respeitado, moderado, com trânsito no centro pragmático e na cúpula nacional do PT. Não tem apoio orgânico e massivo da militância petista no TO, mas é a única chance real do partido eleger um federal. Pode dialogar com eleitores que os demais nomes da esquerda não alcançam. Se o PT quiser sonhar com uma vaga, precisa tê-lo como nome de frente, acompanhado de outros bons quadros (como Célio Moura, José Salomão e Zé Roberto) e de uma candidatura ao Senado que some votos e recursos. Mourão é subvalorizado pelo próprio partido, mas é respeitado por boa parte da classe política tocantinense fora da esquerda tradicional. Sem ele, é muito improvável que o PT alcance o quociente.
Iratã Abreu: herança, retorno e espírito de equipe ?
Filho da ex-senadora Kátia Abreu e irmão do atual senador Irajá Abreu, Iratã tenta se reposicionar no cenário político tocantinense pelo PSD, legenda à qual a família está historicamente vinculada. Já foi vereador em Palmas, em período em que o clã Abreu vivia seu auge de capital político e protagonismo institucional. Após alguns anos dedicados à gestão dos negócios da família, retorna à cena pública com o apoio explícito de Irajá, mirando a Câmara Federal.
Ainda que não figure entre os favoritos à eleição, Iratã pode exercer papel fundamental na estratégia do PSD: fortalecer a nominata, puxar votos em dobradas regionais, mobilizar o eleitorado vinculado à memória política da mãe e colaborar de forma leal e articulada para que o partido alcance o quociente eleitoral. Sua atuação pode ser especialmente relevante se o PSD conseguir consolidar uma chapa competitiva com nomes como Mauro Carlesse e César Halum, cenário em que o espírito de equipe e a soma de esforços contarão mais que ambições individuais.
Reflitamos.
Nenhum desses nomes entra como favorito. Mas todos eles, se jogados corretamente no tabuleiro, têm poder de alterá-lo. Uns fragmentam, outros tracionam. Alguns encarecem territórios, ou somam legenda. Mas o que todos têm em comum é que obrigam os favoritos a recalcular suas campanhas e talvez ajustar suas rotas. Subestimar esse grupo é um erro. Porque é justamente nesse miolo do jogo que se definem as sobras, os coeficientes e as surpresas.
Próximo capítulo da série
No próximo artigo, vamos exercitar a análise do grupo de apoio: candidaturas de papel funcional, com baixa votação prevista, mas que ajudam a compor nominatas, somar legenda e garantir viabilidade partidária. São os nomes que não disputam para ganhar, mas que definem alguns dos que ganham. Se você gostou dessa leitura, compartilhe com suas lideranças, com quem está em campo, quem vai disputar e com quem está decidindo em quem confiar.
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Túlio Abdull
Analista e Estrategista Político
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