A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins, por meio da Polícia Civil, apresentou na manhã desta quinta-feira, 12, os detalhes da investigação que resultou na prisão de José Matheus Silveira Carneiro, conhecido como “Galo Cego”, apontado como a última liderança de facção criminosa responsável pela onda de homicídios registrada em 2023, em Palmas.
A coletiva de imprensa foi realizada no Palácio Araguaia Governador José Wilson Siqueira Campos, na Capital. A prisão ocorreu na última terça-feira, 10, no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, durante a 5ª fase da Operação Gotham City, com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
As investigações foram conduzidas pela 1ª Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Palmas e envolveram meses de trabalho contínuo de inteligência, análise de comunicações entre investigados, levantamentos de campo, compartilhamento de informações e cooperação interestadual.
De acordo com os dados apresentados, os elementos reunidos ao longo da apuração permitiram vincular o investigado a pelo menos 20 homicídios, além de outros crimes violentos ainda sob investigação, todos relacionados à escalada da violência registrada na Capital em 2023.

Durante a coletiva, a Polícia Civil detalhou o modus operandi do grupo, caracterizado por atuação estruturada, disputas territoriais e articulação de ataques entre facções rivais.
O delegado Eduardo Menezes, responsável pelas investigações, destacou que o trabalho foi desenvolvido de forma integrada e estratégica.
“As apurações permitiram identificar a estrutura de atuação do grupo criminoso, a participação direta do investigado em diversos homicídios e a articulação com integrantes de facções de outros estados. A prisão representa o encerramento de um ciclo investigativo relacionado à onda de homicídios de 2023 e reforça o compromisso da Polícia Civil com a responsabilização dos autores e a redução dos crimes violentos no Tocantins”, afirmou.
Os trabalhos incluíram ainda análise de armas apreendidas e exames periciais que apontaram correspondência balística em casos investigados, fortalecendo a materialidade e a autoria dos crimes. Além da prisão no Rio de Janeiro, a 5ª fase da operação cumpriu mandados judiciais em Palmas, dentro da estratégia de desarticulação da organização criminosa.
Integração
O secretário de Estado da Segurança Pública, Bruno Azevedo, ressaltou que a operação integra uma estratégia contínua de enfrentamento às organizações criminosas no Estado.
“As investigações demonstram a capacidade de integração entre as forças de segurança e o trabalho técnico desenvolvido pelas equipes. O objetivo é responsabilizar lideranças criminosas, desarticular grupos envolvidos em homicídios e impedir a reorganização dessas estruturas”, destacou.
Durante a coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil do Tocantins, Claudemir Luiz Ferreira, também apresentou dados sobre os índices de criminalidade no período de maior incidência de homicídios em Palmas, detalhando a evolução das investigações e as medidas adotadas para conter a violência.
Foram apresentados ainda resultados relacionados à elucidação de homicídios no interior do Estado, com destaque para casos esclarecidos em Araguaína e Gurupi, reforçando a atuação integrada da Polícia Civil nas diferentes regiões.
Sem feridos
Ao final, o delegado-geral destacou que a prisão ocorreu sem feridos e evidenciou a cooperação entre as forças de segurança.
“Essa ação é resultado de um esforço contínuo da Polícia Civil, que se dedicou por meses até chegar à prisão da última liderança que ainda tentava comandar o crime organizado no Estado. O apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro foi essencial para o sucesso da operação”, concluiu.
A prisão de “Galo Cego” marca um novo capítulo no enfrentamento ao crime organizado no Tocantins e simboliza o desfecho de uma das mais intensas investigações relacionadas à violência urbana na Capital nos últimos anos.







