De volta ao jogo, Sandoval Cardoso aposta em federação SD/PRD e projeta duas vagas à Câmara Federal

Ex-governador nega convite de Wanderlei Barbosa para o Republicanos e diz que articulações seguem abertas para 2026

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O ex-governador Sandoval Cardoso (Solidariedade) voltou oficialmente ao tabuleiro político com a pré-candidatura a deputado federal e, em entrevista à Folha do Girassol, tratou de afastar rumores sobre mudança partidária. Apesar de ter sido citado nos bastidores como possível reforço do Republicanos e também sondado pelo Podemos, ele afirma que permanece no Solidariedade e nega ter recebido convite do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), de quem diz ser amigo pessoal.

Segundo Sandoval, o encontro recente no Palácio Araguaia teve caráter institucional. “O único encontro formal que tive com o governador foi para tratar da federação”, explicou. A reunião contou com o presidente estadual do Solidariedade, Vilmar do Detran, o presidente nacional da sigla, Paulinho da Força, e representantes do PRD, citando Braga, secretário do partido, que integra a federação.

Sandoval mira estruturar uma chapa forte dentro da federação Solidariedade/PRD, com a meta de eleger dois deputados federais. “Temos bom diálogo nacional e estadual. A ideia é montar uma chapa viável e competitiva”, afirmou, evitando citar nomes por estratégia.

Ao reafirmar que permanece no Solidariedade, Sandoval busca pôr fim às especulações sobre uma possível mudança de partido e dar segurança ao grupo que se organiza em torno de sua pré-candidatura. A declaração também reforça a federação com o PRD como alternativa eleitoral consistente para 2026.

Em um cenário marcado por incertezas e movimentações antes da janela partidária, o gesto sinaliza estabilidade e fortalece a construção de um projeto viável dentro da chapa, especialmente para pré-candidatos que não ocupam posição de protagonismo em suas siglas e que podem encontrar na federação Solidariedade/PRD uma oportunidade real e viável de competitividade eleitoral.

“Não posso ser omisso”, diz Sandoval ao confirmar pré-candidatura a deputado federal. Foto: Instagram

Volta à política

Sandoval justifica o retorno após período de afastamento e inelegibilidade como uma decisão amadurecida. Ele afirma que sempre reconheceu o peso da política na vida do cidadão e que entende ter contribuição a oferecer ao Estado.

“Eu sempre soube da importância que a política tem para o nosso povo. Entendi que eu estou fazendo falta ao estado, estava sendo omisso. Sei da importância do período em que estive à frente do governo e retorno com a certeza de que posso contribuir com o Tocantins e com o país”, afirma. A fala reforça o discurso de experiência administrativa como ativo eleitoral.

Ex-governador tem percorrido o Estado. Na foto postada em redes sociais aparece com líderes de Oliveira de Fátima. Foto: Instagram

Articulações

Em pré-campanha, Sandoval afirma que já iniciou articulações pelo Estado. Ele tem percorrido municípios, reencontrado aliados e ampliado o diálogo com lideranças regionais e prefeitos. “Venho visitando amigos no Estado todo, conversando com várias pessoas”, resume. A estratégia, segundo ele, é reconstruir pontes políticas e medir a receptividade do seu nome antes da consolidação das alianças partidárias.

Capital político

Ao comparar o cenário de 2026 com outras disputas, inclusive com a presença do ex-governador Mauro Carlesse (PSD) na corrida por uma vaga na Câmara, Sandoval evita medir forças antecipadamente: “Eleição se ganha ou se perde”, pontuou.

Ele também rejeita a ideia de “diferencial”, mas cita obras executadas durante sua gestão como legado concreto: expansão da Unitins em Augustinópolis, implantação de cerca de 200 km de rodovias, recuperação da malha viária em 122 municípios, pontes e reformas hospitalares, incluindo unidades em Augustinópolis e Araguaína.

Grupos políticos

Questionado sobre alinhamento com possíveis pré-candidaturas ao Governo, como Dorinha Seabra (UB), Vicentinho Júnior (sem partido) e Amélio Cayres (Republicanos), o ex-governador adota postura cautelosa. Lembra que todos estiveram no mesmo palanque em 2014, mas ressalta que o momento ainda é de pré-candidaturas e que o cenário pode mudar. A estratégia, neste momento, é manter pontes abertas.

Nesta outra foto postada no Instagram posa com líderes do Bico do Papagaio. Foto: Instagram

Bandeiras

Pecuarista e ligado ao setor produtivo, Sandoval confirma que defenderá o agronegócio, mas afirma que não será a pauta prioritária. Amplia o discurso para industrialização, logística, regularização fundiária, defesa da propriedade privada, valores familiares e liberdade religiosa. Ele se define como cristão e diz que pretende dialogar também com esse público.

Maturidade política

Aos 49 anos, o ex-governador afirma que retorna mais experiente, resultado das vivências acumuladas no Legislativo, no Executivo e também no período fora dos mandatos. “Aprendi muito a ouvir”, disse, associando a nova fase à maturidade pessoal e política. Casado desde a juventude e pai de três filhos, o ex-governador diz viver uma fase de estabilidade pessoal que lhe permite dedicação consciente à família, aos negócios e à vida pública.

Antes de retornar à vida pública, Sandoval postava fotos do dia a dia na fazenda, como esta com as duas filhas. Foto: Instagram

Confira entrevista completa com o pré-candidato a deputado federal, Sandoval Cardoso.

Folha G – O que o motivou a voltar à política após um período afastado da vida pública? Durante esse período de inelegibilidade, o senhor sempre pensou em retornar?

Sandoval – Eu sempre soube da importância que a política tem para o nosso povo. Retorno com essa pré-candidatura porque chegou o momento em que entendi que estava fazendo falta ao Estado, que poderia estar sendo omisso diante da importância que a política tem na vida do tocantinense e do brasileiro. Sabendo o quanto foi importante o período em que estive à frente do governo, como deputado, presidente da Assembleia, como secretário, retorno com a certeza da minha responsabilidade e da necessidade de contribuir com o Estado e com o país.

Folha G – Essa será uma eleição bastante disputada. O ex-governador Mauro Carlesse também disputará vaga na Câmara Federal. O senhor acredita que a disputa será mais difícil em 2026?

Sandoval – Eu acho que eleição a gente só ganha ou perde, não tem empate. Toda campanha você entra com chance de ganhar ou perder.

Folha G – O senhor falou do seu capital político como ex-governador. Qual o diferencial da sua pré-candidatura em relação às demais, inclusive de deputados com mandato?

Sandoval – Não vejo como diferencial, Márcia. Cada um vai expor o que fez e o que entende como melhor para o Estado, de acordo com sua trajetória. Eu consigo chegar em todos os municípios do Tocantins mostrando as obras que fiz. Levei a Unitins para Augustinópolis, implantamos cerca de 200 km de rodovias novas, tirando municípios do isolamento como Tupiratins, Itapiratins e Maurilândia, proporcionando melhor escoamento da produção e o direito de ir e vir das pessoas. Ligamos Buriti a Araguatins, Miranorte a Dois Irmãos. Recuperamos a malha viária urbana de 122 dos 139 municípios, construímos pontes, reformamos hospitais, ampliamos o Hospital de Augustinópolis, reformamos o Hospital Regional de Araguaína. Foi muito trabalho em um período curto. Isso mostra que, com dedicação e esforço, é possível fazer.

Folha G – O senhor já iniciou conversas com lideranças regionais e prefeitos? Como está a construção de apoios?

Sandoval – Venho visitando amigos em todo o Estado e conversando com várias pessoas. Tenho feito essas visitas e dialogado bastante.

Folha G – Como está estruturada sua pré-campanha em termos de agenda e presença regional?

Sandoval – Eu não tenho agenda pronta para dez dias, não. A agenda vai surgindo, vai acontecendo devagar.

Folha G – O senhor pretende compor uma chapa mais alinhada ao governo estadual ou à oposição? Entre Dorinha, Vicentinho e Amélio Cayres, há alguma preferência?

Sandoval – Tenho amizade com praticamente todos os líderes políticos do nosso Estado. Esses três que você citou foram eleitos ou reeleitos no palanque em que eu era candidato a governador, em 2014. O deputado Vicentinho foi eleito pela primeira vez, a professora Dorinha foi reeleita deputada federal e o deputado Amélio Cayres foi reeleito deputado estadual no mesmo palanque em que eu estava candidato a governador. Tenho facilidade para conversar com todos, mas ainda não chegou o momento de definir isso. Estamos em pré-campanha e tudo pode acontecer. Já vi situações em que alguém era pré-candidato a um cargo em uma semana e, na outra, a outro cargo. Então, não tenho tido esse tipo de conversa ainda.

Folha G – O senhor está no Solidariedade, mas recebeu convites para mudar de partido. Conversou com o Republicanos e com o governador Wanderlei Barbosa? Pretende mudar de sigla?

Sandoval – Não. Por enquanto estou no Solidariedade. O partido tem nos proporcionado montar uma chapa. O presidente nacional do Solidariedade e o presidente nacional do PRD, que hoje estão em federação, têm bom diálogo. Estou pensando em construir uma chapa para eleger dois deputados dentro dessa federação. Conversar, eu converso com todos, mas não recebi convite do governador Wanderlei para ir para o Republicanos. O único encontro formal que tive com ele foi no Palácio, com o presidente estadual Vilmardo Detran, o presidente nacional Paulinho da Força e o Braga, do PRD, para tratar da federação.

Folha G – A definição partidária passa por viabilidade eleitoral ou alinhamento ideológico? O senhor considera essas duas vertentes?

Sandoval – Entendo que devem ser consideradas as duas vertentes. Não adianta ter apenas ideologia se o projeto for inviável. Quando você pensa em um projeto, precisa considerar que outras pessoas estão acreditando junto com você, outros líderes. É preciso ter embasamento e sentido, para que eu possa vislumbrar uma vitória junto com meus parceiros políticos.

Folha G – Qual sua estratégia para se eleger deputado federal? Quem comporia essa chapa?

Sandoval – Assim como os demais partidos, ninguém tem chapa totalmente montada ainda. Há muita especulação, e teremos a janela partidária adiante, quando todos podem mudar de partido. Estamos conversando com todos os possíveis nomes. Acredito que vamos conseguir montar uma chapa viável para fazer dois deputados pela federação Solidariedade/PRD. Mas, sinceramente, não vou citar nomes agora por estratégia.

Folha G – O senhor é pecuarista e tem forte ligação com o setor produtivo. O agronegócio será a principal bandeira ou pretende ampliar seu discurso para outras áreas, Com qual público o senhor quer conversar?

Sandoval – É isso mesmo. Nasci bisneto de produtor rural, sou neto, sou filho de produtor rural, sou produtor rural e quero que meus filhos sejam, tenho duas moças e um rapaz, terei orgulho que elas sejam seguindo a trajetória da família. É uma profissão sagrada, que coloca alimento na mesa das pessoas. Sem dúvida defenderei o agronegócio, mas não será a única pauta. Tive a oportunidade de governar o Tocantins e sei da importância de outras bandeiras, como industrialização, logística, regularização fundiária, propriedade privada. Quero defender a família, os costumes, a igreja, a liberdade e o direito das pessoas. O Tocantins é um estado que cresce acima da média nacional e precisa de políticas que acompanhem esse crescimento.

Folha G – O eleitor pode esperar um Sandoval diferente daquele período em que esteve à frente do governo?

Sandoval – Acredito que sim, porque vamos mudando de acordo com a maturidade. Cada função traz uma experiência diferente, e a própria vida ensina. Tudo o que passei, de bom e de difícil, contribuiu para a maturidade que tenho hoje. Faço 49 anos em 19 de março, sou casado desde os 17 anos, começamos a namorar com 17 anos de idade, tenho três filhos que já seguem seus próprios caminhos. Vivo um momento em que posso me dedicar à família, aos meus negócios e à política, que é algo de que gosto. Tenho aprendido muito a ouvir, até aquilo com que não concordo, para entender melhor. Acho que isso é importante.

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Márcia Alves
Márcia Alveshttps://folhadogirassol.com.br
Jornalista Responsável DRT/57 - Jornalista, especialista em Marketing Político
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