A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (14) a segunda fase da Operação Compliance Zero, que mira o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e agora também o megainvestidor Nelson Tanure, figura conhecida do mercado financeiro nacional. A ação acontece pouco mais de um mês após a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em dezembro de 2025, e escancara a suspeita de um esquema de fraudes financeiras, ocultação de patrimônio e movimentações bilionárias incompatíveis com rendas declaradas.
Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O alvo principal é Vorcaro, mas a operação também envolveu familiares e pessoas de seu núcleo de confiança, incluindo empresas suspeitas de atuarem como fachadas para desviar recursos e dificultar o rastreamento de ativos.
Durante a operação, a PF bloqueou cerca de R$ 5,7 bilhões em bens, incluindo imóveis, veículos de luxo, contas bancárias, investimentos e ativos em criptomoedas. De acordo com os investigadores, os recursos estavam pulverizados em nome de pessoas físicas e jurídicas conectadas diretamente ao grupo empresarial de Vorcaro e Tanure.
Compliance Zero: sem controles e com milhões em circulação
O nome da operação faz alusão ao que os investigadores chamam de “ausência total de mecanismos de controle interno” dentro do Banco Master. Segundo a PF, o banco operava sem qualquer estrutura formal de compliance ou transparência nas operações, o que favoreceu desvios, fraudes e uso indevido de recursos de terceiros.
As suspeitas incluem falsidade ideológica, movimentações bancárias atípicas, uso de empresas de fachada e possível lavagem de dinheiro envolvendo familiares, associados e beneficiários ocultos.
Entre os materiais apreendidos estão celulares, computadores, documentos físicos e digitais, mídias externas e dinheiro em espécie. A PF agora analisa os conteúdos e deve avançar sobre o mapeamento de vínculos e beneficiários finais.
Tanure entra no centro do escândalo
A presença de Nelson Tanure entre os alvos da operação amplia o impacto do caso. O empresário foi abordado no aeroporto, em São Paulo, quando se preparava para embarcar para Curitiba. Ele é conhecido no mercado como “devorador de empresas”, por atuar em companhias em situação crítica — como Oi, Telemar, Gafisa e Jornal do Brasil — comprando ativos depreciados e impondo reestruturações agressivas.
Tanure também é acionista de empresas como Light (energia), PRIO (petróleo) e Alliança Saúde, e seu envolvimento no caso reforça o caráter sistêmico e multissetorial das suspeitas levantadas.
Segundo a PF, o elo com Vorcaro inclui negócios conjuntos e fluxos de recursos suspeitos, o que justificou a inclusão de seu nome na nova etapa da operação.
BC e TCU na linha de frente
A liquidação do Banco Master pelo Banco Central, decretada em dezembro, acendeu o alerta sobre inconsistências contábeis e exposição patrimonial. O caso ganhou contornos ainda mais sensíveis após movimentações públicas de influenciadores contratados para criticar a atuação do BC — assunto também em apuração.
A investigação atual conta com cooperação da Receita Federal e deve subsidiar ações futuras do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público Federal (MPF).
Próximos passos
Até o momento, não foram expedidos mandados de prisão, mas os investigadores já consideram abrir novas frentes conforme a análise do material apreendido evolua. A expectativa é que os laudos e rastreamentos bancários ajudem a identificar beneficiários ocultos, redes de empresas e movimentações cruzadas, o que pode aumentar o número de indiciados.
A defesa de Daniel Vorcaro ainda não se pronunciou oficialmente. Nelson Tanure também não comentou publicamente sua inclusão entre os alvos.
A Folha do Girassol acompanha o caso e trará novas atualizações conforme as investigações avancem.







