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Edivaldo Rodrigues revisita a alma boêmia e religiosa de Porto Nacional em novo livro de crônicas

Escritor portuense faz o lançamento de “Ladainhas, Benditos e Cabarés”, neste sábado (30), no tradicional Bar Central, em Porto Nacional, espaço que também atravessa as histórias da obra

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Porto Nacional sempre viveu entre procissões e madrugadas de copo cheio. Entre a solenidade das igrejas e os segredos guardados nos bares antigos do centro. É justamente essa cidade, marcada por contrastes, personagens populares e memórias atravessadas pela boemia, que o escritor Edivaldo Rodrigues transforma em literatura no livro Ladainhas, Benditos e Cabarés. O lançamento da obra será neste sábado (30) às 16 horas, no Bar Central.

A obra, a 16ª da trajetória do escritor, historiador e jornalista portuense, reúne 20 crônicas inspiradas nas relações humanas, nos costumes e nas contradições que ajudaram a moldar uma das cidades mais tradicionais do Tocantins, a histórica e centenária Porto Nacional, capital da cultura do Tocantins.

Com linguagem coloquial e forte influência da oralidade típica do interior, o livro percorre diferentes tempos de Porto Nacional para apresentar figuras que circulam entre igrejas, terreiros, mesas de sinuca, cabarés, festas populares e bares históricos da cidade. “Esse conjunto de crônicas foi moldado em uma linguagem coloquial, buscando retratar uma Porto Nacional abraçada com suas hipocrisias, segredando recorrente devassidão cotidiana, vivenciada nas ruelas, becos e praças; nos seus cabarés, salões de festas e bares, templos, altares e terreiros”, resume o autor.

Nas páginas da obra, Edivaldo mistura humor, crítica social e memória afetiva para construir histórias que transitam entre o sagrado e o profano, duas forças que, segundo ele, caminham juntas desde a formação cultural da cidade. “Entre uma ladainha e um bendito, o povo portuense sempre fechou os olhos para o que acontece entre quatro paredes”, escreve.

Edivaldo Rodrigues afirma que o livro foi pensado como um retrato das pequenas contradições que atravessam a vida cotidiana da cidade. Personagens inspirados em políticos, religiosos, bêbados, malandros, prostitutas e figuras populares ajudam a compor um painel social que atravessa gerações.

Famoso bar de Porto Nacional será o local do lançamento do 16º livro do escritor, historiador e jornalista, Edivaldo Rodrigues marcado por humor e personagens inspirados no cotidiano popular da cidade. Foto: Divulgação

As crônicas percorrem mesas de jogos, festas populares, templos, bares e esquinas para revelar figuras que, embora carregadas de tons ficcionais, mantêm íntima ligação com a realidade histórica da cidade fundada em 1738.

Clima de reencontro

Diferentemente dos lançamentos anteriores, realizados em feiras literárias, auditórios e espaços culturais, Edivaldo decidiu apresentar o novo livro em um ambiente carregado de simbolismo pessoal: o tradicional Bar Central, em Porto Nacional.

A escolha do local não foi apenas estética. O escritor diz que parte da própria história nasceu naquela região da cidade. “Foi ali que dei minhas primeiras tacadas de sinuca, tomei meu primeiro picolé e bebi minha primeira cerveja. Aquela região esculpiu parte da minha história”, afirma.

Segundo ele, o espaço reúne personagens reais que, de alguma forma, também aparecem nas crônicas do livro. Frequentadores antigos, boêmios, comerciantes e figuras populares ajudaram a formar o imaginário que sustenta a obra. “É um ambiente icônico que já acolheu várias gerações de boêmios, pertencentes a todas as camadas sociais dessa secular coletividade. Dentre eles, muitos aparecem nas páginas deste livro”, afirma.

Amigos chegaram a sugerir uma reforma no local antes da tarde de autógrafos, mas o escritor recusou. “Quero o bar exatamente como ele é. Quero a verdade daquele ambiente”, diz.

Convite do lançamento do livro. Já agenda: sábado (30), às 16 horas no Bar Central.

Livro nasceu há cinco anos

Embora o lançamento aconteça agora, os textos de Ladainhas, Benditos e Cabarés começaram a ser escritos em 2020. A publicação foi adiada após o autor priorizar outros projetos literários lançados nos últimos anos, entre romances e coletâneas políticas.

Agora, a obra finalmente chega ao público carregando um sentimento de maturidade literária e reencontro com as próprias origens. Mais do que reunir causos e personagens, Edivaldo Rodrigues transforma Porto Nacional em matéria-prima afetiva. Uma cidade onde a religiosidade convive com a boemia sem pedir licença e onde cada esquina parece guardar uma história pronta para ser contada.

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Márcia Alves
Márcia Alveshttps://folhadogirassol.com.br
Jornalista Responsável DRT/57 - Jornalista, especialista em Marketing Político
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