Tocantins amplia exportações de carne bovina e movimenta US$ 633 milhões com vendas ao exterior

Reconhecimento internacional como zona livre de aftosa sem vacinação fortalece competitividade da pecuária tocantinense

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A carne bovina consolidou-se como um dos principais produtos da pauta de exportações do Tocantins. Em 2025, o estado movimentou cerca de US$ 633 milhões com vendas ao mercado internacional, valor que corresponde a 21,1% das exportações estaduais. O produto é o principal item industrializado exportado pelo estado e ocupa a segunda posição na balança comercial, atrás apenas da soja.

Os dados indicam ainda um início de 2026 em ritmo de crescimento. Em janeiro, o Tocantins registrou o melhor desempenho para o mês desde o início da série histórica, com US$ 119,5 milhões em exportações. Desse total, US$ 37,3 milhões tiveram origem no segmento de carnes, segundo o sistema Comex Stat.

O desempenho acompanha a expansão da pecuária tocantinense e o fortalecimento da presença do estado em mercados internacionais. Atualmente, a carne bovina produzida no Tocantins é exportada para países como China, Espanha, Canadá, Egito, Índia, Tailândia, Turquia, Suíça, Estados Unidos, Arábia Saudita e Irã.

A China permanece como principal compradora da carne bovina tocantinense, respondendo por 55,6% das exportações do setor. Em seguida aparecem Espanha (5,7%), Canadá (4,5%), Egito (3,8%) e Índia (3,4%).

Reconhecimento como zona livre de aftosa sem vacinação fortaleceu as exportações da carne bovina tocantinense. Majuh Sousa/Governo do Tocantins

Segundo o Governo do Tocantins, os resultados refletem investimentos em defesa agropecuária, vigilância sanitária, rastreabilidade animal e fiscalização do trânsito de rebanhos, ações coordenadas pela Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagro) e pela Agência de Defesa Agropecuária (Adapec).

Reconhecimento sanitário

Um dos principais avanços do setor ocorreu em 2025, quando o Tocantins recebeu da Organização Mundial de Saúde Animal (Omsa) o reconhecimento internacional como zona livre de febre aftosa sem vacinação. O novo status sanitário amplia as possibilidades de acesso a mercados mais exigentes e fortalece a competitividade da carne produzida no estado.

Setor pecuário movimentou US$ 633 milhões em exportações do Tocantins em 2025. Foto: Keven Lopes/Governo do Tocantins 

O governador Wanderlei Barbosa afirmou que o desempenho das exportações demonstra a capacidade da produção tocantinense de competir internacionalmente. “O grande volume de exportações de carne bovina reforça a força do nosso agronegócio e mostra que o Tocantins está preparado para competir nos mercados mais exigentes do mundo. Seguiremos investindo para gerar mais oportunidades, emprego e renda para a nossa população.”

O secretário estadual da Agricultura e Pecuária, Fred Sodré, atribui o crescimento à combinação entre qualidade da produção, condições naturais favoráveis e atuação conjunta entre governo e setor produtivo.

Exportações crescem

As vendas internacionais ganharam força a partir de 2020, impulsionadas pelo aumento da demanda chinesa, pela ampliação do rebanho, pela habilitação de novos frigoríficos exportadores e pela valorização da proteína animal no mercado externo.

Presidente da Adapec, Lenito Coelho Abreu, enfatiza que o reconhecimento internacional do Tocantins como zona livre de febre aftosa sem vacinação amplia a confiança dos mercados compradores – Majuh Sousa/Governo do Tocantins

Naquele período, os embarques passaram a variar entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões por mês. Entre 2023 e 2025, o setor alcançou um novo patamar, com exportações mensais superiores a US$ 50 milhões, chegando próximo de US$ 70 milhões em alguns períodos.

Para o presidente da Adapec, Lenito Coelho Abreu, o reconhecimento sanitário internacional é um dos fatores que sustentam esse crescimento.”O reconhecimento internacional do Tocantins como zona livre de febre aftosa sem vacinação amplia a confiança dos mercados compradores e fortalece a presença da nossa carne bovina no cenário global.”

Competitividade

Além do status sanitário, o Tocantins reúne fatores considerados estratégicos para a expansão da pecuária. O estado possui um dos maiores rebanhos bovinos da Região Norte, ampla disponibilidade de pastagens e localização favorecida pelos corredores logísticos de exportação.

Implantação da rastreabilidade individual do rebanho prepara a pecuária tocantinense para atender às exigências dos mercados mais competitivos do mundo – Majuh Sousa/Governo do Tocantins

A integração com a Ferrovia Norte-Sul, o Porto de Itaqui e os corredores do Arco Norte contribui para reduzir custos de transporte e ampliar o acesso aos mercados internacionais.

Outro passo previsto para os próximos anos é a implantação da rastreabilidade individual dos animais. Desde 2025, a Adapec desenvolve ações alinhadas ao Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Pnib).

A partir de 2027, a identificação individual será obrigatória para fêmeas bovinas e bubalinas durante a vacinação contra brucelose. A meta do governo federal é que todo o rebanho brasileiro esteja rastreado até 2032, medida que deve ampliar a transparência da cadeia produtiva e atender às exigências de mercados internacionais cada vez mais rigorosos.

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