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Figueirópolis tem cobertura de 83% contra febre amarela e fica abaixo de meta de vacinação infantil

Índice recomendado é de 95%; MPTO cobra busca de crianças com doses atrasadas, vacinação em escolas e ampliação dos horários dos postos

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Figueirópolis chegou a 2026 com 83,33% de cobertura da vacina contra a febre amarela entre crianças, abaixo da meta de 95% adotada pelo Programa Nacional de Imunizações. Os dados apresentados pela própria Secretaria Municipal de Saúde levaram o Ministério Público do Tocantins (MPTO) a recomendar uma série de medidas para localizar crianças não vacinadas e elevar o índice no município.

A situação consta da Recomendação Administrativa nº 11/2026, assinada pelo promotor Marcelo Lima Nunes, da 6ª Promotoria de Justiça de Gurupi. O procedimento acompanha desde 2024 os índices de vacinação infantil nos municípios da comarca.

Os dados mostram uma evolução irregular nos últimos anos. Em 2024, Figueirópolis registrou cobertura de apenas 38,10% para a BCG. No fechamento de 2025, o índice da BCG subiu para 79,03%, enquanto a cobertura contra a febre amarela ficou em 61,29%.

Em 2026, a situação da BCG mudou. Dados do Datasus apresentados pela Secretaria de Saúde apontaram índice de 125%, resultado que o MP classificou como avanço expressivo. A cobertura contra a febre amarela também aumentou, de 61,29% para 83,33%, mas permaneceu abaixo dos 95% estabelecidos como meta.

O índice acima de 100% da BCG pode ocorrer quando o número de doses registrado supera a população estimada usada como denominador do indicador, não significando que 125% das crianças existentes tenham sido vacinadas. O próprio procedimento também registra uma particularidade local: Figueirópolis não possui maternidade hospitalar e a BCG é aplicada na maternidade de referência em Gurupi, o que exige atualização dos sistemas para evitar distorções nos registros.

Busca de crianças em casa

A recomendação pede que a prefeitura prepare um plano específico para elevar a vacinação contra a febre amarela dos atuais 83,33% para pelo menos 95%. Entre as medidas propostas está a busca ativa domiciliar de crianças não vacinadas ou com doses atrasadas. Agentes comunitários de saúde e equipes da Estratégia Saúde da Família deverão priorizar visitas na zona rural, assentamentos e áreas periféricas.

O MPTO também recomenda que as salas de vacinação tenham horários mais flexíveis, com possibilidade de atendimento no intervalo do almoço, em horários estendidos ou em dias determinados dos fins de semana.

A prefeitura foi orientada ainda a levar equipes de vacinação para feiras, eventos públicos, espaços comunitários e unidades rurais.

Escolas entram na estratégia

Outra frente envolve a rede municipal de ensino. A recomendação prevê a conferência das cadernetas de vacinação durante matrículas e rematrículas, comunicação aos responsáveis por crianças com doses atrasadas e realização de campanhas dentro das escolas.

Figueirópolis é considerada área de recomendação permanente para vacinação contra a febre amarela. O documento destaca que a imunização infantil deve ocorrer a partir dos nove meses, com reforço aos quatro anos.

A prefeitura deverá encaminhar à Promotoria, a cada quatro meses, relatórios com a evolução da cobertura da febre amarela e da BCG. Também terá dez dias para responder formalmente sobre o atendimento às medidas recomendadas.

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