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Mensagens de Vorcaro lançam nova questão sobre desistência de Irajá da disputa pelo Senado

Senador deixou a reeleição em agosto sob alegação de isolamento no PSD; dois meses depois, conversas revelam encontros, viagens e proximidade com ex-controlador do Banco Master

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A divulgação de conversas entre o senador Irajá Abreu (PSD) e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, a quatro dias das eleições acrescenta um elemento que não estava publicamente colocado quando o parlamentar desistiu, em agosto, de tentar um segundo mandato. As mensagens mostram uma relação mais próxima do que se conhecia até então, com encontros no Brasil e no exterior, referências a viagens e contatos frequentes.

Irajá anunciou em 6 de agosto que não disputaria a reeleição. Na ocasião, atribuiu a decisão ao próprio PSD: afirmou que seu nome e o da líder evangélica Ivanete Lima haviam ficado fora da ata da convenção partidária e disse ter sido preterido pela legenda. Dias depois, ao explicar a saída, voltou a tratar de divergências políticas que antecederam a decisão.

O caso Vorcaro, porém, já era conhecido pelo senador naquele momento. Em março, quando o telefone de Irajá apareceu entre os contatos encontrados no material apreendido pela Polícia Federal, sua assessoria afirmou que era “completamente inverídica” a informação de que Vorcaro tivesse enviado mensagem ao parlamentar. A ressalva é importante: aquela manifestação respondia a uma mensagem específica encontrada em uma pasta que também continha o contato de Irajá, sem prova de que ele fosse o destinatário.

O material revelado nesta quarta-feira, 30, é diferente. Segundo as reportagens que tiveram acesso às conversas extraídas do celular de Vorcaro, há um histórico de WhatsApp diretamente entre os dois. Irajá chama o banqueiro de “líder”, combina encontros e aparece em contato com Vorcaro em Saint-Tropez, na França. Também há mensagens relacionadas ao projeto que trata da legalização de cassinos e resorts integrados, relatado pelo senador. O gabinete de Irajá afirmou ao UOL que o tema tratado com Vorcaro foi o projeto e que a discussão envolveu diferentes setores interessados na proposta.

A cronologia abre uma questão política que não pode ser respondida apenas pelas mensagens: o risco de esse material aparecer durante a campanha entrou no cálculo de Irajá ao abandonar a reeleição? Não há, no conteúdo divulgado até agora, prova dessa relação. Há, contudo, um dado objetivo: quando desistiu, Irajá já sabia que seu nome havia aparecido nos arquivos de Vorcaro e que o material estava sob análise das autoridades. O conteúdo mais amplo das conversas só veio a público agora.

Uma campanha ao Senado exigiria que Irajá atravessasse agosto e setembro sob a possibilidade de novas revelações sobre sua relação com um personagem central do caso Banco Master. Se estivesse na disputa, as mensagens chegariam à última semana eleitoral quando o senador buscaria renovar o mandato conquistado em 2018, com 214.355 votos. Fora da urna, o impacto eleitoral direto sobre ele é outro. A razão oficialmente apresentada para a desistência continua sendo a disputa interna no PSD; atribuir ao caso Vorcaro participação naquela decisão exige evidência que ainda não apareceu.

A nova revelação, portanto, muda menos o que se sabe sobre por que Irajá disse ter desistido e mais o que se sabe sobre o cenário que ele conhecia quando tomou a decisão. É justamente essa diferença que coloca sua saída da eleição sob uma nova leitura política, sem permitir, por enquanto, afirmar que Vorcaro foi a razão para ela.

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