A dor de perder uma filha para o feminicídio, a dificuldade de criar um filho sozinha enquanto se tenta estudar e trabalhar e o peso de cuidar de uma pessoa com deficiência foram algumas das histórias compartilhadas por mulheres durante um encontro com a candidata ao governo do Tocantins, Professora Dorinha Seabra (União Brasil), neste sábado (17), no Jardim Aureny II, em Palmas.
Com mais de mil participantes, o encontro “Elas por Ela” reuniu mulheres de diferentes idades e realidades, que levaram à candidata cobranças sobre segurança, renda, educação, saúde e assistência social. Dorinha ouviu atenta os relatos e apresentou propostas para ampliar a proteção às vítimas de violência, facilitar o acesso ao crédito, apoiar mães solo e oferecer assistência às famílias que dedicam boa parte da rotina ao cuidado de pessoas com deficiência e idosos.
As histórias deram dimensão concreta aos desafios apresentados. Para algumas, a prioridade é conseguir proteção antes que a violência termine em tragédia. Para outras, é ter onde deixar os filhos enquanto trabalham, conseguir renda própria ou não precisar abandonar os próprios planos para cuidar de alguém da família.

A dor de perder uma filha
Edilene Cavalcante levou ao encontro uma das histórias mais dolorosas. Sua filha, Tatiana, de 21 anos, foi vítima de violência doméstica e deixou um filho de três anos. Quarenta e cinco dias após a perda, a avó tenta lidar também com a saudade do neto, que ainda procura pela mãe.
“É muito triste ele olhar todo santo dia para mim e falar: eu estou com saudade da minha mãe. O que falar para uma criança dessa?”, perguntou.
O relato trouxe à discussão não apenas a necessidade de prevenir o feminicídio, mas também o amparo às famílias que ficam. Edilene pediu medidas que ajudem a evitar novas mortes e garantam proteção ao neto.
Dorinha afirmou que pretende ampliar a rede de atendimento às mulheres, fortalecer centros especializados e casas-abrigo e implantar a Casa da Mulher Tocantinense na região norte do Estado. Também citou a criação do Observatório da Mulher, com acompanhamento dos indicadores de violência e definição de metas para reduzir os casos de feminicídio.
Em relação às crianças que perdem as mães para a violência, a candidata afirmou que pretende reforçar o trabalho da assistência social para que as famílias conheçam e consigam acessar os direitos previstos em lei, incluindo a pensão especial destinada a filhos menores de vítimas de feminicídio que atendam aos critérios legais.
“Eu sei que nenhuma palavra minha vai trazer sua filha de volta. Mas o seu sofrimento exige uma resposta do poder público”, afirmou Dorinha, ao defender que mulheres ameaçadas encontrem proteção antes que a violência termine em tragédia.

Renda para conquistar autonomia
A possibilidade de romper ciclos de violência também passa pela independência financeira. Durante o encontro, Dorinha ressaltou que muitas mulheres enfrentam dificuldades para deixar relações abusivas porque não têm renda suficiente para sustentar os filhos e manter a casa.
A empreendedora Ruthe Almeida apresentou a realidade de quem precisou trabalhar em diferentes atividades para garantir o sustento. Ela contou que já foi quebradeira de coco, empregada doméstica e merendeira e que vendia lanches na porta das escolas do Aureny II, empurrando uma bicicleta porque não sabia pedalar.
A história levou à discussão sobre oportunidades para mulheres que começam a empreender por necessidade, sem capital, formação profissional ou acesso ao mercado.
Dorinha afirmou que pretende ampliar a qualificação profissional, incentivar pequenos negócios e facilitar o acesso a linhas de microcrédito. O plano de governo também prevê iniciativas voltadas à economia criativa, incubadoras de negócios e ferramentas digitais para ampliar a comercialização de produtos.
“Uma mulher que empreende precisa de oportunidades para aprender, organizar seu negócio, conquistar clientes e crescer com segurança”, afirmou a candidata.

Mães que precisam conciliar trabalho e cuidado
Aos 26 anos, Aline Martins, mãe solo e estudante, levou uma pergunta que faz parte da rotina de muitas mulheres: como estudar, trabalhar e garantir o sustento do filho sem precisar escolher entre essas responsabilidades?
Dorinha afirmou que pretende apoiar os municípios na ampliação de creches para crianças de zero a três anos e do atendimento pré-escolar. Segundo a candidata, a oferta de vagas pode permitir que mães estudem, procurem emprego e ingressem no mercado de trabalho.
Ela também citou a ampliação das oportunidades de qualificação e o fortalecimento das unidades da Casa do Trabalhador em Taquaralto, Araguaína e Gurupi.
“Você não deveria precisar escolher entre cuidar do seu filho e ter uma profissão”, afirmou Dorinha ao responder à estudante.
A preocupação com o futuro também apareceu na fala de Maju Braga, que vai votar pela primeira vez. A jovem questionou como poderá continuar estudando sem deixar de ajudar a família financeiramente.
Professora, Dorinha defendeu a ampliação do ensino médio integrado à formação profissional, com cursos técnicos relacionados às oportunidades econômicas de cada região. Também citou ações de preparação para o primeiro emprego e um programa de permanência estudantil, com apoio para despesas como alimentação, transporte e moradia.
Quem cuida também precisa de apoio
A sobrecarga de quem cuida de familiares foi outro tema do encontro. Rosa Helena, mãe de um jovem autista de 17 anos e integrante do Instituto Anjo Azul, relatou as dificuldades enfrentadas por famílias que precisam reorganizar a vida para acompanhar pessoas com deficiência.
Ela falou sobre a solidão, o afastamento de pessoas próximas e a interrupção de projetos profissionais. A cobrança foi por atendimento não apenas à pessoa com deficiência, mas também a quem assume os cuidados diariamente.
“Quem cuida de uma pessoa com deficiência também precisa ser cuidada”, afirmou.
Dorinha disse que pretende ampliar o atendimento a pessoas autistas e neurodivergentes nos municípios, além de fortalecer o acompanhamento psicológico e a assistência social às famílias.
“Enquanto elas cuidam dos seus filhos, quem tem que cuidar delas é o Estado”, declarou.
Segurança para produzir no campo
As preocupações das mulheres também incluíram o trabalho rural. Viúva há dois anos, a produtora de soja e pecuarista Inara Machado questionou como garantir segurança para continuar produzindo.
Dorinha defendeu medidas para ampliar a segurança jurídica dos produtores, tornar o licenciamento ambiental mais ágil e previsível e melhorar os serviços públicos voltados ao setor. Também citou investimentos em defesa sanitária, transporte, escoamento da produção e fortalecimento da agroindústria.
Já Regina, agricultora familiar, pediu oportunidades de crédito, capacitação e acesso ao mercado para manter o sustento da família sem precisar deixar a propriedade rural.
A candidata afirmou que pretende fortalecer o Ruraltins, ampliar a assistência técnica, facilitar o acesso ao crédito orientado e incentivar a mecanização compartilhada. Também apresentou o programa Compra Tocantins, previsto em seu plano de governo, para ampliar a aquisição de alimentos da agricultura familiar destinados a escolas, hospitais e outras instituições públicas.
Envelhecer com dignidade
Aos 76 anos, Iracema Acácio lembrou sua participação na construção do Tocantins e perguntou como poderá contar com cuidados e qualidade de vida após os filhos deixarem a casa.
Dorinha afirmou que pretende fortalecer os serviços de saúde para idosos, ampliar a prevenção de doenças e o acompanhamento de condições crônicas e oferecer atendimento domiciliar a quem tem dificuldades de locomoção.
Entre as propostas citadas estão a implantação de Centros-Dia regionalizados, a criação de três Instituições de Longa Permanência para Idosos e o fortalecimento de iniciativas de convivência e aprendizado, inclusive em parceria com a Universidade da Maturidade.
“Envelhecer não pode significar perder o direito ao cuidado, ao respeito e à dignidade”, afirmou a candidata.
Ao longo do encontro, os relatos mostraram que as demandas das mulheres vão além de políticas específicas: envolvem segurança para viver, condições para gerar renda, acesso à educação e apoio para cuidar dos filhos e de outros familiares. Diante das participantes, Dorinha apresentou compromissos para ampliar a rede de proteção e os serviços públicos voltados a essas necessidades.








