A interdição total da ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama, começou a provocar impactos diretos na rotina da população, no transporte de passageiros e no escoamento da produção da região. Sem passagem para carros, ônibus e caminhões desde a última quarta-feira (20), moradores passaram a depender de barcos, canoas e rotas alternativas por estradas mais longas e precárias.
A decisão de interditar completamente a estrutura foi tomada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) após equipes técnicas identificarem agravamento nas condições da ponte durante inspeções realizadas nos últimos meses.
Segundo o superintendente regional do DNIT no Tocantins, Luiz Antônio Ehret Garcia, a estrutura já vinha apresentando deformações consideradas preocupantes. “Essa ponte já apresentava uma certa deformação no tabuleiro, e nós notamos que essa deformação vinha aumentando gradativamente. A deformação já está na ordem de 80 centímetros, o que é muito importante”, afirmou.
De acordo com o DNIT, uma equipe especializada vinha realizando inspeções desde abril, incluindo instalação de sensores e análises internas na estrutura da ponte e nas fundações próximas ao vão central.
Os técnicos identificaram trincas, deformações e sinais de perda de capacidade estrutural. Mesmo após restrição ao tráfego pesado, novas fissuras surgiram no tabuleiro da ponte. “Recebemos um alerta da equipe que monitora a estrutura de que havia aumento da área de trincamento. Surgiram novas trincas mesmo com a restrição do tráfego”, explicou Luiz Antônio Ehret Garcia.

Ponte foi inaugurada em dezembro de 2007 pelo então governador Marcelo Miranda presença do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento; senadores,
deputados, secretários e mais de 75 prefeitos de todo o Estado. Foto: Luciano Ribeiro/Secom
O superintendente afirmou que a decisão pela interdição total teve caráter preventivo para evitar risco de colapso da estrutura. “Nossa prioridade é garantir segurança para que não aconteça uma tragédia”, disse, ao citar o desabamento da ponte entre Aguiarnópolis e Estreito como alerta para situações semelhantes.

governo federal e governo estadual foi feita em tempo recorde. Foto: Luciano Ribeiro/Secom
Travessia improvisada
Com a ponte interditada, moradores passaram a atravessar o Rio Tocantins em pequenas embarcações entre Pedro Afonso e Tupirama. Vans e veículos ficam estacionados às margens do rio enquanto passageiros fazem a travessia em barcos e canoas.
Sem a travessia pela BR-235, motoristas passaram a utilizar desvios por Tocantínia e Itacajá. Parte do percurso alternativo é feita em estrada de terra e por pontes de madeira, aumentando o tempo de deslocamento e os custos logísticos.
A interdição também afeta o transporte de grãos da região. Mais de 100 carretas utilizavam diariamente a travessia da ponte para escoamento da produção agrícola.

Operação com balsas
Diante do impacto causado pela interdição, o Governo do Tocantins, prefeituras da região e o DNIT discutem a implantação emergencial de balsas para veículos e pedestres. O prefeito de Pedro Afonso, Joaquim Pinheiro, afirmou que uma solução provisória deve começar a operar a partir deste sábado (22). “Até à tarde desta sexta essa balsa deve chegar. Acredito que até sábado ela já esteja operando para atender o pessoal de Pedro Afonso e região”, declarou.
Segundo o prefeito, a primeira balsa será custeada pelos usuários e funcionará enquanto o DNIT realiza o processo legal para contratação de uma operação gratuita. Já o superintendente do DNIT informou que iniciou os procedimentos para contratação emergencial de balsas. Enquanto isso, o Governo do Estado deve disponibilizar embarcações menores para travessia de pedestres.

Foto: Reprodução Instagram
Quase 20 anos
Inaugurada em 21 dezembro de 2007, durante o governo de Marcelo Miranda, a ponte sobre o Rio Tocantins se tornou a principal ligação rodoviária, pela BR-235, entre Pedro Afonso, Tupirama e regiões produtoras do Estado. A ponte com 1.060 metros de extensão, 24 pilares, 25 vãos, vão central de 112 metros, era um sonho antigo da população local e foi construída antes do prazo previsto.
Segundo o governo estadual à época, a ponte foi concluída um ano antes do prazo inicialmente previsto. A obra recebeu investimentos superiores a R$ 95 milhões, em parceria entre os governos federal e estadual, e mobilizou cerca de mil trabalhadores durante a execução dos serviços.
Com a interdição, Pedro Afonso volta a enfrentar dificuldades de acesso semelhantes às vividas antes da construção da ponte: a do isolamento e aumento nos custos para moradores e comerciantes da região.








