A missão humanitária enviada pelo Brasil à Venezuela ampliou as operações de busca por sobreviventes dos fortes terremotos que atingiram o país e provocaram um cenário de destruição em Caracas e em outras cidades venezuelanas.

O trabalho das equipes brasileiras está concentrado principalmente nas áreas mais afetadas pelos tremores, onde edifícios desabaram, serviços essenciais foram interrompidos e milhares de moradores tiveram de deixar suas casas.
Chefe da missão brasileira e diretor de Preparação e Socorro da Defesa Civil Nacional, Armin Braun afirmou que a prioridade da operação é localizar pessoas que ainda possam estar vivas sob os escombros.
“A prioridade é encontrar pessoas com vida nos escombros”, declarou Braun, durante entrevista à GloboNews.
Segundo o coordenador, sempre que os equipamentos ou os cães farejadores indicam a possibilidade de haver sobreviventes em determinado ponto, os especialistas iniciam um procedimento cuidadoso de acesso ao local.
Antes da retirada das vítimas, as equipes precisam avaliar e estabilizar as estruturas atingidas, reduzindo o risco de novos desabamentos durante a operação.
Brasileiros resgatam duas pessoas com vida
A missão brasileira iniciou as atividades de busca e salvamento no sábado (27), poucas horas depois da chegada do primeiro contingente à Venezuela.
De acordo com informações divulgadas pelo governo federal, os profissionais brasileiros conseguiram resgatar pelo menos duas pessoas com vida, apesar das dificuldades logísticas encontradas nas áreas atingidas.
As equipes também passaram a atuar na tentativa de retirada de uma criança localizada sob os escombros. Até a divulgação das informações, a operação permanecia em andamento.
Os resgates reforçam a urgência dos trabalhos nas primeiras horas e nos primeiros dias após o desastre, período considerado decisivo para localizar sobreviventes.
Quarto voo levará mais 35 bombeiros
O governo brasileiro confirmou o envio de um quarto voo humanitário para reforçar a missão de resposta aos terremotos.
A aeronave deve partir da Base Aérea de Guarulhos, em São Paulo, levando 35 bombeiros militares dos estados de São Paulo e Minas Gerais.
Os novos integrantes serão incorporados às equipes que já atuam principalmente no município de Vargas, no estado de La Guaira, uma das regiões mais atingidas pelos tremores.
A ampliação do contingente busca aumentar a capacidade operacional das equipes brasileiras diante da dimensão dos danos e da possibilidade de ainda haver pessoas soterradas.
Cães farejadores e tecnologia auxiliam nas buscas
A missão brasileira reúne integrantes da Defesa Civil Nacional, bombeiros militares, especialistas em busca e salvamento, técnicos e cães farejadores treinados para localizar pessoas em áreas de desabamento.
Além dos métodos tradicionais, as equipes utilizam sensores e equipamentos tecnológicos para identificar sinais que possam indicar a presença de vítimas sob os escombros.
Os dados obtidos pelos equipamentos são analisados em conjunto com as indicações dos cães e com as avaliações realizadas pelos bombeiros.
Quando uma possível localização é identificada, os profissionais retiram os fragmentos de forma controlada e monitoram a estabilidade da estrutura durante toda a operação.
Brasil enviou hospital de campanha e purificadores de água
O primeiro voo brasileiro decolou na sexta-feira (26), da Base Aérea de Guarulhos, em uma aeronave KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira.
O avião pousou às 23h40, no horário de Brasília, na Base Militar El Libertador, localizada em Maracay, na Venezuela.
O segundo voo partiu no sábado (27), às 11h50, da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, transportando um hospital de campanha e purificadores de água.
Também no sábado, um terceiro voo decolou às 17h45 com kits de medicamentos e um módulo complementar destinado à instalação da estrutura hospitalar.
Os materiais enviados pelo Brasil deverão auxiliar tanto no atendimento às vítimas quanto no restabelecimento emergencial de serviços essenciais nas áreas afetadas.
A operação é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, órgão vinculado ao Ministério das Relações Exteriores.
Missão enfrenta cenário de destruição
Os profissionais brasileiros encontraram regiões com graves danos estruturais, dificuldades de deslocamento e interrupções no fornecimento de água e energia elétrica.
A destruição provocada pelos tremores também deixou moradores desalojados e aumentou a demanda por atendimento médico, abrigo, água potável e alimentos.
As equipes de busca atuam em áreas consideradas instáveis, onde lajes, paredes, vigas e outros elementos das construções podem se deslocar durante os trabalhos.
Por isso, cada operação exige planejamento técnico e retirada gradual dos materiais, especialmente quando há indícios de pessoas presas no interior das estruturas.
Terremotos deixaram ao menos 1,4 mil mortos
Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela na quarta-feira (24) e foram seguidos por cerca de 20 réplicas.
Os tremores provocaram desabamentos em Caracas e em outras cidades do país. De acordo com informações divulgadas pelas autoridades venezuelanas, pelo menos 1,4 mil pessoas morreram.
O número de vítimas ainda pode aumentar à medida que as equipes avançam sobre áreas de difícil acesso e novas estruturas destruídas são examinadas.
Diante da dimensão da tragédia, o governo venezuelano decretou estado de emergência nacional e solicitou ajuda humanitária à comunidade internacional.
Reconstrução poderá levar mais de um ano
Embora a prioridade atual seja localizar sobreviventes e garantir atendimento emergencial à população, a dimensão dos danos indica que a reconstrução da Venezuela deverá ser prolongada.
Segundo Armin Braun, o restabelecimento dos serviços essenciais poderá levar meses. Já a recuperação completa da infraestrutura atingida pelos terremotos pode exigir um ano ou mais.
As operações de busca continuam sendo realizadas por equipes venezuelanas e por missões internacionais. O período de permanência do contingente brasileiro poderá ser revisto conforme a evolução dos trabalhos e as necessidades apresentadas pelas autoridades locais.







