A coletiva convocada pelo senador Irajá (PSD), na tarde desta terça-feira (7), expôs divergências públicas entre as principais lideranças da chamada terceira via no Tocantins. Durante o encontro com a imprensa, o parlamentar anunciou a ex-candidata a vice-prefeita de Palmas, Ivanete Lima, como pré-candidata ao Senado pelo PSD e ainda o ex-governador Mauro Carlesse como suplente de sua chapa. A ausência do presidente estadual do partido, o vice-governador Laurez Moreira, pré-candidato ao Governo do Tocantins, chamou a atenção dos jornalistas.
Questionado sobre a composição da chapa e a ausência de Laurez, Irajá afirmou que as definições partiram do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. “Houve esse convite oficial por parte do próprio presidente Kassab para que ela fosse candidata ao Senado. Isso foi na semana passada”, declarou o senador ao anunciar Ivanete Lima.
Na sequência, Irajá confirmou Mauro Carlesse como suplente e afirmou que a decisão também foi construída com a participação de Kassab. “O Kassab fez uma convocação ao nosso governador Mauro Carlesse e, também a meu convite, para que pudéssemos unir as nossas forças, o capital político do governador Mauro Carlesse ao capital político do senador Irajá para caminharmos juntos na mesma candidatura ao Senado Federal”, afirmou.
Carlesse explicou que decidiu retirar sua pré-candidatura ao Senado após concluir que a disputa entre dois nomes do mesmo partido poderia enfraquecer ambos os projetos. “No meio do caminho eu percebi que estava tirando voto do Irajá. Essa é a pura realidade. Nós dois íamos perder, e dentro de um partido tem que haver união”, disse.

O ex-governador afirmou ainda que pretendia apenas apoiar Irajá, mas que acabou aceitando integrar a chapa após uma conversa com Kassab. “Eu decidi ajudar o Irajá, mas o Kassab falou que o Carlesse não podia ficar fora. Resolvi aceitar e agora nós temos um projeto futuro”, declarou.
Durante a coletiva, Irajá fez ainda um terceiro anúncio: informou que pretende destinar a outra suplência de sua chapa ao PT.
Questionado pela Folha do Girassol sobre o fato de o partido já possuir um pré-candidato ao Senado, o ex-deputado Paulo Mourão, o senador afirmou que não vê incompatibilidade. “Não há dificuldade nenhuma nisso”, respondeu. Irajá lembrou que já teve integrantes do PT como suplentes em eleições anteriores e afirmou que o objetivo é construir uma candidatura competitiva.
“Soube pela imprensa”, diz Laurez
Após a coletiva, a Folha do Girassol procurou o vice-governador Laurez Moreira para saber se ele havia participado das decisões anunciadas por Irajá. Laurez enfatizou que tomou conhecimento das decisões pela imprensa e disse que sequer foi convidado para a coletiva. “Não tive conhecimento. Não fui convidado para o evento. Não tenho conhecimento nenhum”, declarou.
Laurez negou que tenha sido consultado sobre as decisões e afirmou que o PSD mantém o acordo político firmado com o PT para a eleição ao Senado. “O senador Irajá sabe que o partido tem compromisso com o PT. O PSD só tem uma vaga para o Senado e a outra será do PT, que é do Paulo Mourão. Então, a única possibilidade de a Ivanete ser candidata é se o Irajá desistir da candidatura para ela disputar no lugar dele”, afirmou.
Questionado sobre a declaração de Irajá de que os convites para Ivanete Lima e Mauro Carlesse partiram do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, Laurez foi enfático. “Isso não existe.”

Acordo com o PT
Sobre o anúncio de que o PT poderá ocupar uma das suplências da chapa de Irajá, Laurez voltou a defender que o acordo firmado entre os partidos prevê uma única candidatura ao Senado pela aliança, encabeçada por Paulo Mourão. “O PT já declarou claramente que tem um candidato ao Senado, que é o Paulo Mourão, e tem o meu aval”, sustenou.
O vice-governador também fez elogios ao aliado. “É um bom candidato, tem uma história, foi o melhor prefeito de Porto Nacional, foi deputado federal e deputado estadual. É um homem preparado para ser um grande senador”, elogiou.
Ao ser questionado sobre como pretende conduzir a divergência entre o posicionamento da direção estadual e os anúncios feitos por Irajá, Laurez afirmou que o entendimento defendido por ele representa uma decisão partidária. “Isso é consenso dentro do partido. A maioria decidiu fazer um acordo com o PT e oferecer essa vaga. Não sou eu. É a maioria do partido que quer isso. Essa é uma decisão partidária”, concluiu.







