O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Tocantins, realizado nesta terça-feira, (18), pela Record News em Palmas, deixou pouco espaço para o confronto direto que costuma marcar encontros eleitorais. Dos cinco blocos, apenas um permitiu que os próprios concorrentes escolhessem adversário e assunto. Nos demais, a dinâmica conduziu a discussão por temas específicos e perguntas de jornalistas, o que manteve saúde, infraestrutura, segurança e economia no centro das respostas e reduziu as chances de embates entre os seis participantes. Com o formato mais controlado, os candidatos tiveram pouco espaço para escolher os próprios confrontos.
Foi justamente no espaço destinado ao confronto livre que apareceram alguns dos assuntos mais sensíveis da disputa. Ataídes Oliveira (Novo) escolheu Vicentinho Júnior (PSDB) e levou ao debate a Operação Overclean. Citou informações da investigação da Polícia Federal sobre movimentações de uma empresa registrada em nome da esposa do tucano. Vicentinho rebateu, disse que apresentará documentos e afirmou não ter condenação relacionada ao seu mandato, CPF ou nome. Ele é investigado no inquérito, mas não está entre os 25 indiciados pela PF nesta etapa da operação.
Vicentinho, por sua vez, escolheu Dorinha Seabra (União Brasil) e levou a saúde estadual para o confronto. A escolha colocou a senadora diante de um dos pontos mais delicados da candidatura apoiada pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos). Dorinha apresentou propostas para o setor, mas também defendeu avanços da atual administração, numa resposta em que precisou falar sobre o governo que pretende fazer e, ao mesmo tempo, responder por uma área sob responsabilidade de seu principal aliado político.

Os cerca de 90 dias de Laurez Moreira (PSD) no Governo do Tocantins também entraram na rodada. Du Pereira questionou exonerações feitas entre setembro e dezembro de 2025, quando Laurez assumiu o Estado durante o afastamento de Wanderlei. O candidato do PSD defendeu as decisões e voltou a usar a curta passagem pelo Palácio Araguaia como referência da administração que pretende fazer caso seja eleito.
Fora desses momentos, o debate seguiu mais condicionado pelos assuntos definidos pela organização. Vicentinho teve espaço para falar de infraestrutura tanto na etapa de temas específicos quanto na rodada de perguntas dos jornalistas, enquanto segurança, economia e saúde apareceram nas intervenções dos demais participantes, entre eles professor Witer (Rede).

O desenho do encontro mostrou uma diferença clara: Quando o tema era determinado pelo formato, prevaleceram propostas e respostas setoriais. Quando os candidatos puderam escolher adversário e assunto, vieram Overclean, saúde e os 90 dias de Laurez. Foi nesse curto espaço de liberdade que apareceram com mais nitidez as cobranças que devem acompanhar a campanha.
Com o espaço de confronto mais restrito, o primeiro debate não produziu grandes embates entre os seis candidatos. Mas os temas escolhidos na única rodada de perguntas livres apontaram para três questões que devem acompanhar a campanha: a situação da saúde estadual, as investigações relacionadas à Operação Overclean e o período em que Laurez comandou o Estado.

Houve vencedor?
O debate não teve um vencedor incontestável, mas Dorinha aproveitou bem o primeiro debate. A senadora esteve no centro de um dos principais confrontos da noite, respondeu às cobranças sobre a saúde e conseguiu apresentar propostas sem ficar restrita à defesa da atual gestão. Vicentinho também ganhou espaço ao provocar os adversários e responder ao questionamento sobre a Operação Overclean, mas passou parte relevante do debate na defensiva. Laurez, por sua vez, usou a experiência administrativa como principal argumento e precisou responder sobre os cerca de 90 dias em que comandou o Estado.








