Uma parcela da militância bolsonarista no Tocantins tem sinalizado preferência por Eli Borges (Republicanos) na disputa pelo Senado e aumentado as cobranças sobre Eduardo Gomes (PL), apesar da relação histórica do senador com Jair Bolsonaro e de sua posição dentro do partido do ex-presidente. A avaliação foi relatada à Folha do Girassol por integrantes do campo bolsonarista ouvidos nas últimas semanas.
O principal ponto de desgaste relatado à reportagem está na diferença que esses militantes enxergam entre a atuação dos dois candidatos em pautas caras à direita. Nesse grupo, Eli é visto como mais assertivo em temas ligados ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao conservadorismo e às bandeiras defendidas pelo bolsonarismo. Gomes, por outro lado, enfrenta cobranças por uma atuação considerada mais moderada em momentos de confronto político.
A insatisfação chegou a reuniões realizadas durante a campanha. Segundo relatos obtidos pela Folha do Girassol, militantes apresentaram a Gomes episódios e votações em que esperavam maior alinhamento do senador às posições defendidas pelo bolsonarismo. A cobrança ganha dimensão política porque Gomes presidiu o PL no Tocantins, foi líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso e mantém relação com a família do ex-presidente.
Um dos episódios usados nessa comparação envolve o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Eli foi o primeiro parlamentar tocantinense a aderir ao requerimento apresentado neste mês. Gomes também assinou posteriormente o documento e afirmou que sua posição era coerente com o que vinha defendendo sobre anistia e dosimetria.
Entre os bolsonaristas ouvidos pela reportagem, porém, há a avaliação de que a adesão de Gomes ocorreu diante da pressão exercida pela própria base da direita. Trata-se de uma interpretação desses militantes, e não de um fato demonstrado. Publicamente, o senador sustenta que sua posição é coerente com sua atuação política e defende equilíbrio entre os Poderes e respeito ao devido processo legal.
Eli reúne apoios da direita nacional
Eli também passou a ocupar um espaço que, em tese, poderia favorecer o candidato do PL: o apoio de personagens nacionais identificados com a direita. Michelle Bolsonaro já declarou voto tanto em Eli quanto em Gomes. Nas últimas semanas, Eli recebeu ainda manifestações de nomes como Damares Alves, Gustavo Gayer e, nesta semana, Nikolas Ferreira.
Nikolas associou seu apoio à convivência com Eli na Câmara e levou para a manifestação temas relacionados ao STF. A campanha do candidato do Republicanos vem explorando justamente essa identificação, com críticas a Alexandre de Moraes e defesa de pautas ligadas a família, liberdade e valores cristãos.
Esse movimento ajuda a explicar por que a disputa pelo voto bolsonarista ganhou importância mesmo com duas escolhas disponíveis para o Senado. A apuração da Folha do Girassol indica que a preferência por Eli não representa, automaticamente, que o segundo voto desse eleitor irá para Gomes. Há militantes que ainda demonstram resistência ao senador do PL e discutem outros nomes para a segunda vaga.
Gomes, por sua vez, também mantém apoio dentro do bolsonarismo. Em agosto, reuniu-se em Palmas com integrantes do movimento “O Tocantins é Flávio Bolsonaro”, que o apresentou como representante do candidato presidencial no estado. A disputa, portanto, ocorre dentro do próprio campo da direita e não permite afirmar que o senador tenha perdido esse eleitorado.
Os números mais recentes mostram crescimento dos dois candidatos. Na Quaest divulgada nesta quarta-feira, 23, Gomes passou de 14% para 18% na combinação dos votos ao Senado, enquanto Eli dobrou de 4% para 8%. Como cada eleitor escolhe dois senadores, o levantamento não permite identificar transferência direta de votos entre os dois.
O dado político da reta final está em outro ponto: embora Gomes carregue o número e a estrutura do PL e tenha ocupado posição de destaque no governo Bolsonaro, Eli conseguiu construir entre setores da militância a imagem de candidato mais identificado com as pautas atuais do bolsonarismo. É justamente essa percepção que passou a alimentar cobranças ao senador dentro de um eleitorado que, até pela filiação partidária de Gomes, poderia parecer naturalmente consolidado em torno de sua candidatura.








