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Overclean, alianças e gestão Wanderlei dominam confrontos em debate pelo governo do Tocantins

Ataídes levou investigação da PF e emendas de R$ 20 milhões ao confronto com Vicentinho; tucano questionou apoios de Dorinha, enquanto candidatos também discutiram saúde, segurança, corrupção e concursos

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A investigação da Operação Overclean, a relação dos candidatos com o governo Wanderlei Barbosa e os grupos políticos reunidos na eleição deram o tom dos principais confrontos do debate entre candidatos ao governo do Tocantins realizado pela TV Norte/SBT Tocantins nesta sexta-feira, 25. Saúde, segurança pública, concursos e combate à corrupção também entraram na discussão.

Participaram Ataídes Oliveira (Novo), Du Pereira (DC), Laurez Moreira (PSD), Professora Dorinha (União Brasil), Professor Witer Naves (PSOL) e Vicentinho Júnior (PSDB). A eleição tem ainda Siqueira Campos Jr. (Democrata) entre os candidatos ao governo.

O confronto de maior temperatura ocorreu entre Ataídes e Vicentinho. O candidato do Novo recuperou a investigação da Polícia Federal que alcançou uma empresa ligada à família do deputado e questionou a movimentação de aproximadamente R$ 170 milhões identificada pelos investigadores — cerca de R$ 85 milhões em entradas e outros R$ 85 milhões em saídas.

“Como é que um botequim lá de São Miguel em nome da senhora sua esposa conseguiu movimentar R$ 170 milhões, R$ 85 milhões que entraram e saíram? Explica para nós como você conseguiu movimentar esse tanto de dinheiro”, afirmou Ataídes.

A referência foi à GMD Borba Distribuidora, empresa que aparece na investigação da Operação Overclean. A PF também relacionou R$ 420 mil a registros atribuídos ao codinome “VIC”. A Procuradoria-Geral da República, porém, manifestou-se contra medidas de busca e apreensão e bloqueio de valores por considerar que não havia sido demonstrada naquele momento ligação direta entre os pagamentos investigados e uma atuação parlamentar de Vicentinho no contrato público sob apuração. O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, acompanhou a manifestação e negou as medidas.

Vicentinho respondeu que a empresa pertencia ao sogro e já existia antes de seu casamento. Também afirmou que não possui condenação e desafiou Ataídes a apresentar uma decisão judicial contra ele.

“Prova uma condenação de Vicentinho Júnior, diga quais das certidões minhas não condizem com a verdade, que eu renuncio minha candidatura”, declarou.

Ataídes também recuperou a destinação de R$ 20 milhões para municípios da Bahia e do Ceará por meio de emendas de relator. O episódio remonta a 2020, quando Vicentinho assinou documento com indicações de R$ 5 milhões para Jussara, na Bahia, R$ 5 milhões para São Gabriel, também na Bahia, e R$ 10 milhões para Parambu, no Ceará.

No debate, Ataídes perguntou se Vicentinho já havia recebido dinheiro de emenda parlamentar. “Você nunca pegou um centavo de emenda parlamentar?”, questionou. “Não peguei, não”, respondeu o tucano. Ataídes contestou a declaração antes do encerramento do tempo do confronto.

Vicentinho chegando ao debate: Vicentinho chegando ao debate: candidato rebate questionamentos sobre investigação da PF. Foto: Divulgação

Dorinha e Vicentinho discutem alianças

Vicentinho concentrou parte de seus ataques na composição política reunida por Dorinha. O deputado questionou a autonomia que a adversária teria para montar um eventual governo diante dos partidos e lideranças que apoiam sua candidatura.

“Eu sei que você tem boa vontade de fazer, mas a forma que você buscou esses apoiamentos, esses apadrinhamentos, te tomou”, afirmou.

Dorinha respondeu que não negociou postos no governo em troca de apoio.

“Eu não fiz nenhum compromisso de cargo com ninguém. Eu quero ter a liberdade da construção de uma gestão que o Estado merece”, disse.

A candidata afirmou que pretende montar a administração com autonomia e reconheceu problemas que precisam ser enfrentados no estado.

A relação com Wanderlei também apareceu no confronto. Vicentinho afirmou que rompeu politicamente com o governador há mais de dois anos e disse ter formalizado a saída do grupo por meio de ofício. “Há mais de dois anos, por ofício, eu entreguei um ofício dizendo me desconecto, me desligo desse projeto por não acreditar mais nele”, afirmou.

Dorinha, apoiada pelo governador na eleição, evitou assumir a defesa de declarações de Wanderlei quando Vicentinho citou o episódio da mulher que teria recorrido a uma corrente em busca de atendimento médico. “Eu posso falar das minhas ações, é delas que eu posso falar”, respondeu.

Dorinha disse que, como mãe, compreendia a atitude da mulher e relatou já ter vivido em uma cidade sem médico quando os filhos eram pequenos. A candidata defendeu organização e planejamento da rede pública para impedir que pacientes cheguem a situações semelhantes.

Dorinha evita assumir declarações de Wanderlei. Foto: Divulgação

Ataídes questiona Dorinha sobre Atos

Dorinha também teve confronto direto com Ataídes. O candidato do Novo perguntou se ela poderia renunciar ao cargo em um eventual governo para permitir que o candidato a vice, Atos Gomes (Republicanos), assumisse o Palácio Araguaia.

Dorinha rejeitou a hipótese e afirmou que pretende governar caso seja eleita. Ataídes também questionou a adversária sobre corrupção e patrimônio.

A candidata respondeu que o combate à corrupção deve alcançar todas as áreas da administração e defendeu transparência na aplicação dos recursos públicos.

Laurez coloca saúde e combate à corrupção no discurso. Foto: Divulgação

Saúde coloca Laurez no centro dos confrontos

A saúde ocupou parte relevante do debate. Du Pereira questionou Laurez sobre as condições da rede estadual e sobre a demora para conclusão de obras hospitalares.

Laurez afirmou que pretende dedicar os primeiros meses de uma eventual gestão à reorganização do setor e defendeu maior controle sobre a aplicação dos recursos públicos. Questionado sobre obras que não avançaram enquanto esteve no governo, o candidato respondeu às críticas e voltou a defender mudança na administração da saúde.

Em outro confronto, Laurez e Dorinha discutiram a escolha dos responsáveis pela rede. Laurez defendeu profissionais com perfil técnico e cobrou a realização de concursos públicos.

Dorinha respondeu que a solução passa por reorganizar o sistema e integrar estado, municípios e demais estruturas do SUS. “Atender à saúde significa reorganizar o sistema”, afirmou.

Laurez também voltou a falar de seu rompimento com Wanderlei Barbosa e apresentou o combate à corrupção como uma das propostas de sua candidatura.

Segurança e presídios entram na discussão

Na segurança pública, Vicentinho defendeu delegacias funcionando 24 horas e investimentos no setor. Questionado por Witer sobre inteligência policial, afirmou que pretende fortalecer a área e citou recursos destinados durante seus mandatos parlamentares.

Ataídes relacionou segurança e corrupção e defendeu mecanismos para agilizar o atendimento a mulheres vítimas de violência. Dorinha, questionada por Du Pereira sobre o sistema prisional, defendeu investimentos em tecnologia e modernização das unidades.

Witer adotou tom crítico às propostas apresentadas para a saúde e classificou parte das declarações dos adversários como “conversa mole e conversa fiada”. Du Pereira reagiu e afirmou que o candidato do PSOL não teria capacidade para administrar o estado.

O debate ocorreu a nove dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Os confrontos mostraram uma disputa que já não fica restrita às propostas de governo: alianças políticas, participação em administrações anteriores, investigações e decisões tomadas durante os mandatos dos candidatos passaram a ocupar parte relevante da campanha.

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