A expectativa de conquistar três cadeiras na Câmara dos Deputados colocou o Republicanos Tocantins diante de uma disputa interna que ganhou tensão na última semana da campanha. Ricardo Ayres, Fábio Vaz, Alfredo Júnior e Lucas Campelo são tratados dentro da legenda como os quatro nomes na briga direta pelas vagas, num cenário em que integrantes do partido afirmam que as projeções internas apontam distâncias apertadas entre eles.
O Republicanos, sob o comando do governador Wanderlei Barbosa, lançou a chapa com a meta declarada de eleger três deputados federais. Agora, a avaliação ouvida dentro da própria legenda é que quatro candidaturas chegaram competitivas aos últimos dias. O crescimento atribuído a Lucas Campelo e a força de Alfredo Júnior, que passou a ser citado por correligionários como um nome que não pode ser descartado da disputa, aumentaram a pressão sobre Ricardo e Fábio.
A conta ajuda a explicar o fogo amigo. Integrantes do Republicanos ouvidos pela reportagem afirmam que as projeções de votação estão próximas e que a definição de quem ocupará as eventuais cadeiras pode ocorrer por uma diferença pequena de votos. Nesse cenário, cada avanço de um candidato da própria chapa pode representar perda direta de posição para outro.
Foi nesse ambiente que começou a circular, nesta segunda-feira (28), entre integrantes e aliados de candidatos do próprio Republicanos, um vídeo de apenas 17 segundos com Fábio Vaz. A gravação passou a ser compartilhada acompanhada de um texto que acusa o ex-secretário estadual da Educação de “traição” à candidata ao governo Dorinha Seabra (União Brasil).
No trecho, Fábio aparece em um evento com políticos ligados à candidatura de Vicentinho Júnior (PSDB). “Um prefeito que vem trabalhando muito […], muita gratidão. Você sabe do teu esforço, a cidade está bonita, você é uma pessoa muito especial. E olha aqui, representando o candidato Vicentinho Júnior. Parabéns, parabéns, Tiago. Muito obrigado”, afirma.
Os 17 segundos não permitem identificar o contexto completo da fala nem sustentam, por si só, a conclusão de que Fábio declarou apoio a Vicentinho. Ainda assim, o material foi suficiente para alimentar a disputa interna. A mensagem distribuída junto com o vídeo afirma que Fábio teria subido no “palanque da oposição” e cita Tiago Tapajós (PP), Alexandre Tapajós e os deputados Olyntho Neto (MDB), Jorge Frederico (MDB), Raul Cayres (MDB) e Valdemar Júnior (MDB).

Atritos não começaram agora
O episódio ocorre depois de Ricardo Ayres publicar, no domingo (27), outro vídeo com críticas ao comportamento de adversários na disputa proporcional. O deputado falou em “aventureiro”, “dinheiro na mão”, “novo cangaço da política” e “candidato de internet”, numa manifestação que passou a ser interpretada no ambiente político também pelo impacto dentro da própria chapa.
Não foi o primeiro episódio de Ricardo que atingiu interesses de um correligionário. Duas semanas antes, o deputado publicou um vídeo ao deixar Palmeirópolis no qual acusou lideranças locais de pressionar apoiadores e servidores que pretendiam participar de uma reunião de sua campanha. Ricardo também relatou retirada de material eleitoral de veículos de pessoas ligadas ao seu grupo.
O prefeito Wlisses Barros (PDT) negou as acusações. Na resposta, afirmou que seu apoio a Fábio Vaz era natural pela relação do ex-secretário com Palmeirópolis e pelo histórico político no município. O episódio colocou, ainda em meados de setembro, Ricardo e o grupo político que apoia Fábio em lados distintos de uma disputa local.
Agora, o movimento ocorre na direção contrária: um vídeo de Fábio passou a ser distribuído por integrantes da própria legenda e aliados de seus concorrentes como argumento contra sua candidatura.
Fábio chegou a publicar nas redes sociais uma manifestação sobre os ataques que afirma sofrer de adversários, mas apagou a postagem. A expectativa entre aliados é que faça uma nova manifestação nesta terça-feira (29).

Quatro nomes para três lugares
A composição dessa disputa mudou ao longo da campanha. Ricardo entrou na eleição como o único deputado federal do Republicanos em busca da reeleição. Fábio deixou a Secretaria Estadual da Educação para disputar uma vaga e construiu uma estrutura própria. Lucas Campelo, vereador de Araguaína, chegou ao Republicanos neste ano para concorrer à Câmara. Alfredo Júnior completa o grupo que concentra as principais expectativas internas.
Nas últimas semanas, porém, relatos dentro da legenda passaram a apontar crescimento de Lucas e desempenho de Alfredo acima do que parte dos próprios correligionários projetava no início da campanha. A avaliação interna de que Alfredo “não está morto”, expressão usada por integrantes do partido ouvidos pela reportagem, passou a aparecer com maior frequência nas conversas sobre a composição das eventuais três vagas.
É essa conta que tornou a última semana mais tensa. Se a projeção de três cadeiras do Republicanos for confirmada nas urnas e os quatro permanecerem próximos, um deles ficará de fora. Para integrantes da legenda, a possibilidade de uma diferença pequena entre os candidatos ajuda a explicar por que vídeos, declarações e movimentos que antes poderiam permanecer restritos às disputas municipais passaram a ser utilizados pelos próprios correligionários.
A briga do Republicanos, portanto, já não ocorre apenas contra as demais chapas. A poucos dias da votação, parte da disputa pelas cadeiras que o partido espera conquistar passou para dentro da própria legenda.








