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EXCLUSIVO: Wanderlei acusa coronel Barbosa de “negociata escusa” após receber críticas por falta de lealdade

Em mensagem a Dorinha, ex-comandante da PM acusa governador de prejudicar sua candidatura; Wanderlei reage em áudio, nega abandono político e questiona motivos da adesão a Vicentinho Júnior

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A saída do coronel Márcio Barbosa (União Brasil) da base da senadora Professora Dorinha Seabra provocou uma troca de acusações com o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), de quem foi um dos principais auxiliares na área de segurança pública. Em mensagem enviada à senadora para justificar sua adesão a Vicentinho Júnior (PSDB), o ex-comandante-geral da Polícia Militar afirmou que perdeu a confiança no grupo por causa do tratamento recebido durante a campanha eleitoral. O conteúdo chegou ao governador, que reagiu por meio de um áudio e atribuiu a mudança de posição a uma possível “negociata escusa”.

Na mensagem, o coronel relatou que chegou a ser consultado por Wanderlei sobre a possibilidade de ocupar a vice na chapa de Dorinha. Segundo ele, a conversa não avançou depois que informou que precisaria ouvir a família antes de aceitar. Barbosa afirma que o governador deixou de responder às suas tentativas de contato e que, posteriormente, soube de uma suposta preferência por Atos Gomes (Republicanos), escolhido para a vaga.

O ex-comandante também acusou integrantes da base governista de atuar contra sua candidatura a deputado federal. Segundo seu relato, durante o período em que teve o registro indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-TO), dois candidatos ligados ao governador procuraram seus apoiadores sob o argumento de que ele estava fora da disputa. A decisão foi revertida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Barbosa afirmou ainda que Wanderlei priorizou candidatos do Republicanos e que recursos eleitorais inicialmente previstos para sua campanha teriam sido destinados a outras candidaturas.

“Eu não me sinto mais parte desse grupo”, escreveu o coronel, que recebeu 28.544 votos e ficou na primeira suplência da federação União Progressista. Na mensagem, ele agradeceu ao senador Eduardo Gomes (PL) pelo apoio durante a disputa judicial e afirmou que sua saída não foi motivada pela derrota eleitoral. “Lealdade não pode ser cobrada de um lado só”, concluiu.

Wanderlei reage e contesta acusações

Ao tomar conhecimento da mensagem, Wanderlei respondeu ao coronel em áudio. O governador rejeitou a acusação de falta de apoio e lembrou que Barbosa ocupou dois dos principais cargos da estrutura de segurança pública de sua administração: a chefia da Casa Militar e o comando-geral da Polícia Militar.

“Você pode fazer de tudo, menos me faltar com o respeito, que eu nunca te faltei”, afirmou Wanderlei. O governador disse que convidou Barbosa para disputar a eleição pelo Republicanos e que o coronel preferiu o União Brasil por avaliar que teria melhores condições eleitorais.

Em outro trecho, Wanderlei questionou os motivos da mudança de lado. “Você não teve sucesso em nenhum dos seus projetos, aí você quer descarregar em alguém porque você quer ir para um outro lado, numa negociata escusa”, declarou. O governador não apresentou, no áudio, provas de qualquer negociação irregular envolvendo o ex-comandante.

Wanderlei também contestou a alegação de abandono durante a campanha. Segundo ele, participou de uma reunião eleitoral de Barbosa, enquanto sua esposa esteve em outra. O governador citou ainda o apoio de integrantes de sua família e afirmou que o coronel teve liberdade e prestígio durante sua passagem pelo governo.

“Você quer sair, você sai, é um direito seu. O Brasil é um país democrático”, disse. Ao encerrar a resposta, Wanderlei reafirmou que sempre deu espaço ao coronel e rejeitou a acusação de deslealdade.

Rompimento chega ao segundo turno

A troca de mensagens revela a dimensão do desgaste entre o governador e um ex-auxiliar que integrou seu núcleo de confiança. Barbosa anunciou apoio a Vicentinho Júnior no sábado (10), apesar de continuar filiado ao União Brasil, partido de Dorinha. Na ocasião, justificou publicamente a decisão por sua identificação com as posições políticas do candidato tucano.

O conflito também alcança a disputa interna por espaço político na base governista. Enquanto o coronel atribui sua derrota à atuação de aliados de Wanderlei, o governador sustenta que ofereceu oportunidades administrativas e apoio eleitoral ao ex-comandante.

A divergência ocorre a menos de duas semanas do segundo turno, marcado para 25 de outubro, e coloca em lados opostos duas figuras que mantiveram uma relação de proximidade durante a atual administração estadual.

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Márcia Alves
Márcia Alveshttps://folhadogirassol.com.br
Jornalista Responsável DRT/57 - Jornalista, especialista em Marketing Político
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