Uma foto simples, publicada nos stories do deputado federal Alexandre Guimarães (MDB) e repostada pelo presidente da Assembleia Legislativa, (Aleto), Amélio Cayres (Republicanos), foi suficiente para agitar os bastidores da política tocantinense neste sábado, 31. O registro, feito dentro de um avião, rapidamente abriu espaço para especulações sobre uma possível mudança de rumo político de Amélio, incluindo sua ida para o MDB.
Mais do que a imagem em si, o que chamou atenção foi o contexto. A postagem respondia a uma caixinha de perguntas em que Alexandre escreveu “Quem vem comigo?”. Na sequência, a resposta atribuída a Amélio: “O Tocantins inteiro, governador”, foi endossada por Alexandre com a frase: “O homem tá preparado”, marcando o presidente da Aleto. Amélio repostou.
A leitura inicial de parte do público foi de que Alexandre estaria declarando apoio à pré-candidatura de Amélio ao Governo. Mas, nos bastidores, a interpretação predominante é outra: o gesto indica mais um movimento de aproximação política de Amélio em torno de Alexandre Guimarães, que tem intensificado agendas pelo Estado e já é tratado por aliados como pré-candidato ao Palácio Araguaia. Antes, Alexandre era ventilado como nome ao Senado, durante o período em que Amélio era declarado pré-candidato ao Governo, com apoio do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos).

Esse possível reposicionamento de Amélio não surge do nada. Desde o retorno Wanderlei Barbosa ao cargo de Governador, em dezembro de 2025, o presidente da Assembleia não voltou a ser citado publicamente como nome apoiado pelo chefe do Executivo, algo que era comum antes do afastamento de Wanderlei.

Nos bastidores, a avaliação é de que o governador reassumiu o poder após uma articulação política que envolveu o senador Eduardo Gomes (PL) e a senadora Dorinha Seabra (União Brasil), pré-candidata ao Governo. O novo arranjo teria limitado o espaço político de Amélio dentro do grupo governista.
Poucos dias após esse retorno, Amélio fez discursos considerados enigmáticos, nos quais falou de lealdade, gratidão e coerência. Em um deles, foi direto ao afirmar que “amigo não trai amigo” e que, se houve traição, não partiu dele, declaração publicada pela Folha do Girassol em dezembro de 2025.
À luz dos movimentos atuais, aquela fala ganha novo sentido. Mais do que um desabafo, soou como um aviso prévio: se houver mudança de direção política, ela não virá por rompimento pessoal, mas por rearranjos no tabuleiro do poder.
Na política tocantinense, fotos raramente são só fotos. E, quando o silêncio substitui o discurso, é porque o jogo já começou.







