Por Nilson Bittar
“O Salomão é gente boa”.
Uma frase política pode ser mais poderosa que um discurso inteiro. Além de resumir ideias, ela atesta admiração verdadeira ao citado. Nesse caso, o laureado foi o prefeito de Dianópolis, José Salomão (PT), ao ser mencionado pelo governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), no evento de premiação da educação dos municípios, realizado na sexta-feira, 28, no Sudeste do estado.
A fidalguia devolvida por Wanderlei é da época em que ele foi lembrado por Salomão, quando visitava a cidade como vice-governador de Laurez Moreira (PSD) e, mais do que simples gratidão, o governador ratifica que Salomão é um líder reconhecido além-fronteiras do Sudeste, capaz de agregar forças, seduzir seguidores e representar o seu povo em outras esferas, afinal, “o Gente Boa” do antigo “Corredor da Miséria” era também conhecido pela mesma alcunha nos corredores da Câmara Federal, onde atuou por mais de trinta anos. Se dizem que o bom filho à casa torna, não seria hora de Salomão voltar ao Congresso, agora com outra missão, haja vista que o Sudeste está órfão de representante na Casa?
O gesto carregado de simbologia prova que o respeito e a liderança podem unir antagonistas e protagonistas em um só interesse, neste caso, o reconhecimento pelo excelente trabalho realizado pelos abnegados profissionais da educação e da segurança pública deste estado, pois, como já dizia Nelson Mandela: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”
A visita do governador ao Sudeste do Estado incluiu a entrega de premiações a escolas municipais e estaduais com destaque no Sistema de Avaliação da Educação Básica do Estado do Tocantins (Saeto) 2025, além de homenagens a policiais militares do 11º Batalhão da Polícia Militar, que receberam medalhas por tempo de serviço.
Data vênia, discordo peremptoriamente do reconhecimento por medalhas somente para os homens da briosa Polícia Militar do Tocantins, mas a Secom também deveria ter sido agraciada pelo lapso, ou equívoco intencional, ao esquecer honrosa menção ao gestor do município e registrar apenas a fala do vice-prefeito Hormides Rodrigues (União Brasil), não que não a mereça, porém ignorar quem transformou a cidade, lutou na Assembleia Legislativa pela região e resgatou a autoestima do dianopolino é imperdoável e merece, no mínimo, uma retratação em nota, ainda que de canto de rodapé. Mas a ingratidão também é demanda política.
Em tempo: Hormides é do União Brasil, partido de Dorinha, apoiada pelo governador que tratou Salomão de “gente boa”. Ele é do PT, deixa a cadeira no fim de março: rei morto, rei posto (reposto), mas o rei ainda está vivo, bem vivo.
Finalizo citando Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, que cunhou certa feita: “Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”. A multidão que celebrou a transformação do então “Corredor da Miséria” para o Corredor da Esperança deve se unir mais uma vez para tirá-lo agora da solidão.
Nilson Bittar
Dianopolino, radialista e apresentador de TV







