A Polícia Civil do Tocantins apresentou, nesta quarta-feira, 11, o balanço da Operação Sinal Vermelho, que investiga um esquema de fraude na emissão de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) no estado. A coletiva de imprensa foi realizada na Delegacia Regional de Araguaína e detalhou os resultados da ação, que até o momento resultou na prisão de oito pessoas e na investigação de aproximadamente 500 habilitações possivelmente obtidas de forma irregular.
A operação foi conduzida pela 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (3ª DEIC) de Araguaína, que cumpriu 59 mandados de busca e apreensão e dez mandados de prisão. As prisões ocorreram nos municípios de Araguaína, Araguatins, Augustinópolis e Guaraí.
Também foram cumpridas ordens judiciais em Palmas, Sítio Novo do Tocantins, Ananás e na cidade de Imperatriz, no Maranhão.
De acordo com o secretário de Estado da Segurança Pública, Bruno Azevedo, o trabalho investigativo foi fundamental para identificar um esquema que representa risco direto à segurança no trânsito.

As investigações começaram a partir de uma denúncia anônima recebida pela Delegacia Especializada de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA), em Palmas. A apuração contou ainda com apoio da Corregedoria do Departamento Estadual de Trânsito do Tocantins (Detran-TO) e do Núcleo de Papiloscopia da Polícia Civil.
Segundo o delegado Márcio Lopes da Silva, titular da 3ª DEIC de Araguaína e responsável pelo caso, as diligências identificaram adulterações e inserções de dados falsos nos sistemas utilizados no processo de emissão das habilitações.
Conforme as investigações, o esquema atuava em diferentes etapas do processo de habilitação, desde o lançamento inicial de informações até exames médicos e psicológicos, além do registro das provas teóricas e práticas.
O chamado modus operandi permitia que candidatos obtivessem a CNH sem cumprir as etapas obrigatórias previstas na legislação. Os interessados chegavam a pagar até R$ 4,5 mil para conseguir o documento sem realizar exames, aulas ou avaliações exigidas.
Em alguns casos investigados, os beneficiários sequer estiveram no estado do Tocantins durante o processo de emissão da habilitação.
A investigação também aponta possíveis envolvimentos de servidores públicos, profissionais de clínicas médicas e psicológicas, instrutores de Centros de Formação de Condutores, avaliadores responsáveis por provas e funcionários ligados a empresas terceirizadas que atuam no sistema de habilitação.

Após o cumprimento dos mandados, os suspeitos presos foram encaminhados às unidades prisionais regionais e permanecem à disposição do Poder Judiciário.
A operação mobilizou cerca de 200 policiais civis e contou com o apoio da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), além de equipes das delegacias regionais de Guaraí, Gurupi, Araguaína, Paraíso do Tocantins, Colinas e Araguatins, com colaboração da Polícia Civil de Imperatriz, no Maranhão.







