O cenário político brasileiro foi sacudido nesta quarta-feira (13) após a divulgação de áudios entre o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato a presidente, e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O material, revelado pelo portal The Intercept Brasil e repercutido pela GloboNews, desencadeou uma onda de reações políticas, pressão de adversários e colocou em xeque a viabilidade eleitoral do nome que vinha sendo tratado como principal herdeiro político do bolsonarismo para a disputa presidencial de 2026.
Horas antes do vazamento, Flávio havia negado qualquer relação financeira envolvendo Vorcaro durante uma coletiva de imprensa em Brasília. Ao ser questionado por jornalistas sobre a possibilidade de o banqueiro ter financiado um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador reagiu com surpresa. ““É mentira, de onde você tirou isso, militante”, rebate Flávio e encerrou rapidamente a entrevista, deixando o local às pressas.
Pouco depois, porém, vieram à tona áudios em que o parlamentar aparece cobrando pagamentos milionários do empresário Daniel Vorcaro para a produção cinematográfica “Dark Horse”, filme baseado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nas conversas, Flávio cobra os pagamentos que estariam atrasados. O senador demonstra preocupação com a possibilidade de o projeto entrar em colapso financeiro.

De acordo com uma reportagem do portal The Intercept Brasil, o repasse total acordado seria de US$ 24 milhões, o equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época. Desse montante, R$ 61 milhões teriam sido de fato liberados entre fevereiro e maio de 2025.
A revelação teve impacto imediato no ambiente político. O episódio atingiu diretamente a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro justamente no momento em que o senador vinha crescendo nas pesquisas eleitorais, impulsionado pela rejeição ao governo Lula e consolidando-se como principal nome do campo conservador após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro.
No mesmo dia, pesquisa Quaest indicava 1º turno com Lula liderando com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro com 33%. Já num eventual segundo turno a pesquisa mostrava empate técnico, com Lula tem 42%, e Flávio Bolsonaro, 41%.

Aliados reconhecem que o dano político ainda é impossível de medir. A avaliação entre integrantes da direita é de que o episódio rompeu a narrativa construída por Flávio como representante de uma “nova alternativa” ao governo petista.
O desgaste ocorre em um momento delicado para o eleitorado conservador. Parte dos brasileiros insatisfeitos com o governo Lula buscava um nome capaz de representar mudança política sem repetir velhas práticas associadas à política tradicional. Agora, o vazamento levanta dúvidas sobre a capacidade de Flávio manter esse discurso.
Após a repercussão negativa, o senador divulgou nota e posteriormente publicou um vídeo nas redes sociais tentando conter a crise. Flávio defende a instalação da CPI do Banco Master e alegou que o contato com Daniel Vorcaro ocorreu exclusivamente para buscar patrocínio privado para um filme sobre Jair Bolsonaro, sem utilização de dinheiro público ou incentivos da Lei Rouanet. Segundo o parlamentar, ele conheceu Vorcaro apenas em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia terminado. As explicações, no entanto, não impediram a avalanche de críticas vindas de todos os lados do espectro político, inclusive de nomes da própria direita.
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), foi um dos primeiros a reagir. Em publicação nas redes sociais, classificou o episódio como “grave” e nçao poupou palavras: “isso é im perdoável. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”, afirmou Zema. “É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, afirmou o presidenciável.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também cobrou esclarecimentos de Flávio Bolsonaro. Apesar de adotar tom mais moderado, Caiado afirmou que qualquer relação envolvendo cifras milionárias e empresários investigados precisa ser tratada “com absoluta transparência”.
Já Renan Santos, um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), utilizou o episódio para ampliar críticas históricas ao bolsonarismo. Renan Santos foi ao extremo. Disse que “se o Brasil for um país sério, Flávio Bolsonaro e Alexandre de Moraes deveriam ser presos”, afirmou.
Na esquerda, o deputado federal Guilherme Boulos, que ocupa o cargo de Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República no governo afirmou que o caso expõe “a hipocrisia do discurso anticorrupção bolsonarista” e defendeu a cassação do mandato de Flávio Bolsonaro. Boulos ainda questionou a pré-candidatura de Flávio: “Esse cidadão quer ser presidente?”…

A dimensão do estrago ainda não pode ser calculada. Mas, no meio político, já existe consenso sobre um ponto: o dano foi feito. O fato é que agora, tanto a base governista e a oposição convergem em defesa da instalação da CPI do Master.
Enquanto a oposição tenta utilizar a comissão para investigar supostas ligações do governo Lula (PT) com Vorcaro, os governistas pretendem usar o colegiado para esmiuçar a evolução patrimonial de Flávio e as operações financeiras que permitiram ao Master crescer exponencialmente nos últimos anos.
Lideranças do PT, do PCdoB e do PSOL realizaram uma coletiva de imprensa para repercutir o que chamam de esquema “BolsoMaster”. Os parlamentares acusaram Flávio de manter relação “promíscua” e financeira com Vorcaro.







