A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) informou nesta terça-feira (8) que vai apurar o fluxo adotado pela Central Estadual de Regulação (CER) em uma solicitação de transferência de paciente relatada pelo diretor-geral do Hospital Regional de Augustinópolis (HRAUG), Laércio da Silva Lima. A manifestação ocorre após áudios do diretor circularem entre gestores na noite de segunda-feira (7), nos quais ele questiona a demora para obter uma resposta sobre a transferência de uma criança para Araguaína.
Em nota enviada à Folha do Girassol, a SES-TO afirmou que a regulação de leitos, consultas, exames e procedimentos da rede estadual é feita pela Central Estadual de Regulação, vinculada à Diretoria de Regulação, seguindo protocolos técnicos e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a Secretaria, os pedidos de transferência inter-hospitalar são analisados por médicos reguladores, que consideram a gravidade clínica do paciente, a necessidade de atendimento especializado, a disponibilidade de leitos e a compatibilidade entre o perfil do paciente e a unidade de referência. Casos de maior gravidade e que demandam atendimento mais urgente têm prioridade.
Sobre a situação mencionada pelo diretor do HRAUG, a SES-TO afirmou que irá “averiguar o fluxo adotado no atendimento à solicitação de transferência, inclusive quanto ao tempo de resposta e às tratativas realizadas entre as unidades envolvidas e a Central Estadual de Regulação”. A Secretaria informou que a análise servirá para verificar se os procedimentos seguiram os protocolos estabelecidos.
A pasta também afirmou que mantém canais permanentes de comunicação com os hospitais e que trabalha para aprimorar os fluxos de regulação, a agilidade nas respostas e a integração entre os serviços da rede estadual.
SES não detalha caso por sigilo
A SES-TO não informou detalhes sobre o quadro clínico da criança ou sobre o atendimento prestado, alegando sigilo médico e proteção de dados pessoais. Na nota, a Secretaria afirmou ainda que, caso a apuração identifique necessidade de aprimoramento ou eventual falha no fluxo de regulação, serão adotadas as providências cabíveis.

Críticas do diretor
Nos áudios que circularam entre gestores, Laércio da Silva Lima demonstrou indignação com a dificuldade de obter retorno sobre a transferência e questionou a atuação da Regulação Estadual. Em determinado momento, afirmou que sua cobrança não era por uma demanda pessoal, mas pela necessidade de encontrar uma solução para a criança.
O diretor também fez críticas nominais à diretora de Regulação, Celeste Moreira Barbosa Dantas, a quem atribuiu falta de preparo, empatia e humanização no atendimento. As declarações foram feitas em tom de desabafo e ainda não foram objeto de conclusão oficial por parte da Secretaria.
“Essa mulher não tem tratativa com ninguém”, diz Laércio. “Essa senhora, ela pensa que a regulação é dela. Entendeu?”, desabafa. “É totalmente despreparada para tratar com os outros. Essa tal de Celeste, ela se acha acima do bem e do mal…. não tem nem palavras para descrever… tão ignorante e tão falta de empatia que essa senhora tem.”, afirma o diretor.
Silêncio sobre Celeste
A SES-TO não respondeu aos questionamentos específicos da Folha do Girassol sobre a conduta da diretora de Regulação, Celeste Moreira Barbosa Dantas, citada nominalmente nos áudios por Laércio da Silva Lima. O diretor-geral do HRAUG criticou a forma como, segundo ele, pedidos encaminhados à Central Estadual de Regulação são tratados, classificando as respostas como secas e questionando a falta de sensibilidade no atendimento às demandas dos hospitais. A Secretaria não informou se pretende avaliar a conduta atribuída à diretora nem se haverá alguma medida específica em relação às declarações.
Leia a nota na íntegra:
NOTA
A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) informa que a regulação de leitos, consultas, exames e procedimentos no âmbito da rede estadual é realizada pela Central Estadual de Regulação (CER), vinculada à Diretoria de Regulação, seguindo os protocolos técnicos e as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Nas solicitações de transferência inter-hospitalar, os casos são avaliados por médicos reguladores, considerando, entre outros critérios, a gravidade clínica, a necessidade de atendimento especializado, a disponibilidade de leitos e a compatibilidade entre o perfil do paciente e a unidade de referência. Os casos que apresentam maior gravidade e demandam atendimento mais urgente têm prioridade no processo regulatório.
Em relação à situação mencionada, a SES-TO informa que irá averiguar o fluxo adotado no atendimento à solicitação de transferência, inclusive quanto ao tempo de resposta e às tratativas realizadas entre as unidades envolvidas e a Central Estadual de Regulação, a fim de verificar se os procedimentos seguiram os protocolos estabelecidos.
A SES-TO mantém canais permanentes de comunicação com as unidades hospitalares e trabalha continuamente para aprimorar os fluxos de regulação, a agilidade nas respostas e a integração entre os serviços da rede estadual, tendo como prioridade a segurança e a adequada assistência aos pacientes.
Por se tratar de situação envolvendo paciente, informações específicas sobre o quadro clínico e o atendimento não podem ser divulgadas em respeito ao sigilo médico e à proteção dos dados pessoais.
A Secretaria reafirma seu compromisso com a qualidade da assistência e informa que, caso seja identificada qualquer necessidade de aprimoramento ou eventual falha no fluxo de regulação, serão adotadas as providências cabíveis.
Palmas, 8 de setembro de 2026.
Secretaria de Estado da Saúde








