O presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins, deputado Amélio Cayres (Republicanos), confirmou neste sábado (28) que já está em articulação política com o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB) e com Alexandre Guimarães (MDB) para a formação de uma chapa majoritária nas eleições de 2026. Ao que tudo indica Amélio deve se filiar ao MDB.
A movimentação ocorre um dia após o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) declarar apoio à pré-candidatura da senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil), o que significa que o cenário político no Estado passa por nova definição.
Nos bastidores, a expectativa é de que Amélio integre a chapa como candidato a vice-governador, ao lado de Vicentinho Júnior, enquanto Alexandre Guimarães disputaria uma vaga ao Senado.
As articulações teriam avançado ainda na noite de sexta-feira (27), logo após o anúncio do apoio de Wanderlei a Dorinha, indicando uma rápida reorganização de forças políticas no Tocantins. As informações foram publicadas pelo jornalista Luiz Armando Costa, no sábado pela manhã.
A aproximação entre MDB e Amélio Cayres não é recente. Nos bastidores, o partido, presidido no Tocantins por Alexandre Guimarães, já vinha tentando atrair o parlamentar, que, por sua vez, resistia ao convite do MDB para permanecer no Republicanos, na expectativa de manter apoio dentro do grupo do governador.
Em reportagem publicada no dia 1º de fevereiro, a Folha do Girassol revelou que o convite de filiação já havia sido formalizado. À época, Guimarães confirmou a articulação: “O convite foi feito”, afirmou. “Nos honra muito se ele decidir caminhar com o nosso partido”, completou.
Leia a reportagem no link abaixo:
Segunda vaga
A formação da chapa também envolve a definição da segunda vaga ao Senado. Um dos nomes cotados é o do ex-deputado federal Pastor Amarildo, ligado ao segmento evangélico.
No entanto, há também a possibilidade de que o espaço seja ocupado pelo vice-prefeito de Palmas, Carlos Eduardo Velozo (Agir), sobrinho de Amarildo, ou a vereadora de Gurupi Débora Ribeiro (Republicanos), também ligada ao grupo evangélico.
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Procurado pela Folha do Girassol, Amélio confirmou as negociações, mas afirmou que um posicionamento com detalhes do novo projeto político deve ser anunciado na terça-feira (31), quando pretende explicar os rumos da composição eleitoral.
Folha G previu

A composição com Amélio, Vicentinho e Alexandre foi prevista em artigo publicado pela Folha do Girassol no dia 11 de fevereiro. Na ocasião, o cientista político e colunista da Folha do Girassol, Túlio Abdull, apontou a possibilidade de surgimento de uma chapa alternativa nas eleições de 2026, fora do eixo liderado pela senadora Dorinha Seabra e pelo vice-governador Laurez Moreira (PSD).
No artigo, Túlio considera o peso do ônus político do apoio do governador Wanderlei Barbosa, ainda associado ao desgaste das investigações da Operação Fames-19, o que poderia influenciar diretamente o ambiente eleitoral. No atual cenário esse ônus recai sobre a pré-candidata Dorinha.
Em determinado ponto ao artigo ele escreve que uma “composição formada por Amélio Cayres, Vicentinho Júnior e Alexandre Guimarães pode diluir ou até afastar esse ônus, especialmente se houver uma reorganização partidária que rompa formalmente o vínculo simbólico com o Palácio”.
Confira o artigo no link:
“Vicentinho Júnior pode, sim, percorrer caminho semelhante. Ele tem perfil jovem, capacidade de diálogo, trânsito político e pode se ancorar tanto no relacionamento de Amélio Cayres com a maioria dos deputados, hoje uma das figuras mais respeitadas da Assembleia, quanto no capital financeiro e operacional de Alexandre Guimarães. Uma chapa assim não nasce favorita. Mas cresce”, analisou Túlio Abdull.
No artigo intitulado: “E se Amélio Cayres formar uma chapa majoritária com Vicentinho Júnior e Alexandre Guimarães para governo do Tocantins?”, Túlio ressalta que o artigo é uma leitura de cenário e questiona. “A pergunta que orienta este artigo não é provocação vazia. É leitura estratégica de cenário: e se Amélio Cayres decidir formar chapa majoritária com Vicentinho Júnior e Alexandre Guimarães?”
“Não seria a primeira vez que um projeto começa desacreditado e termina competitivo”, observa.
Neste trecho do artigo, o cientista político vai mais além. Túlio avalia que as eleições de 2026 podem ter o mesmo desfecho, que foi chamado de “efeito Janad”. “Palmas mostrou isso em 2024. O Tocantins pode repetir o padrão em 2026. Não se trata de previsão. Trata-se de reconhecer padrões. E quem ignora padrões costuma ser surpreendido por eles”, alertou Túlio Abdull.







