EXCLUSIVO: Pagamentos da frota da Câmara de Gurupi são analisados por indícios de sobrepreço

Gastos de R$ 258 mil em 11 meses incluem serviços repetidos e valores elevados; presidente Ivanilson Marinho não comenta investigação do Ministério Público

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Pagamentos por serviços de manutenção e lavagem de veículos da Câmara Municipal de Gurupi apresentam indícios de lançamentos repetidos, preços acima do praticado por serviços básicos e concentração de despesas em empresas específicas ao longo de 2025. À frente da Casa, o presidente Ivanilson Marinho (PL) não comentou o caso.

A apuração aberta pelo Ministério Público do Estado do Tocantins (MPTO) instaurou procedimento para analisar possíveis irregularidades nos contratos de manutenção e limpeza dos veículos oficiais no período.

No modelo adotado pela Câmara de Gurupi, os serviços não são pagos diretamente aos prestadores. A intermediação ocorre por meio da Vólus Instituição de Pagamento Ltda., responsável por gerenciar os abastecimentos, manutenções e demais despesas da frota.

Levantamento preliminar aponta gastos de R$ 258.989,68 entre janeiro e novembro, lavagem de veículos em sequência. Desse total, R$ 174,4 mil foram destinados à compra de peças e R$ 84,5 mil a serviços mecânicos e lavagens.

Frequência de serviços sob suspeita

Um dos pontos que chamaram atenção foi a repetição de serviços de lavagem em intervalos curtos para os mesmos veículos. A investigação quer saber se houve registros de múltiplas limpezas no mesmo dia ou em períodos considerados incompatíveis com o uso normal da frota.

Também entram no radar os valores cobrados por esses serviços. Há registros de lavagens que chegaram a R$ 300, R$ 450 e até R$ 600 por veículo, cifras que serão comparadas com preços praticados no mercado local.

Investigação do MPTO analisa pagamentos por serviços básicos com preços acima do padrão por parte da Câmara de Gurupi. Foto: Divulgação

Fornecedores e padrão de contratação

Também são analisadas autorizações de orçamento concentradas em fornecedores como o Líder Centro Automotivo e o Lavajato Central. O Ministério Público verifica indícios de rejeição recorrente de propostas concorrentes e possível direcionamento de serviços dentro do sistema de gestão.

A suspeita é de possível simulação de orçamentos dentro do sistema gerenciado pela empresa intermediadora, o que pode ter influenciado a escolha das prestadoras.

Modelo de gestão em análise

A Câmara informou, em manifestação formal, que não realiza pagamentos diretos às oficinas e prestadores. Segundo o Legislativo, toda a gestão da frota ocorre por meio da empresa contratada, responsável por operacionalizar os serviços.

O modelo, comum em administrações públicas, passa agora por análise técnica. O Ministério Público requisitou perícia contábil e avaliação especializada para verificar se os valores pagos estão compatíveis com o mercado e com o desgaste esperado de veículos de uso administrativo.

Próximos passos

A investigação ainda está em fase inicial. O procedimento instaurado serve para reunir informações, delimitar responsabilidades e definir se há elementos para abertura de inquérito civil.

Entre as medidas já determinadas estão a requisição do processo licitatório que contratou a empresa gestora, contratos firmados e relatórios detalhados de uso dos veículos, incluindo controle de quilometragem e roteiros.

Se confirmadas irregularidades, o caso pode avançar para responsabilização por dano ao erário e violação aos princípios da administração pública.

O que diz a Câmara

A Folha do Girassol procurou o presidente da Câmara Municipal de Gurupi, Ivanilson Marinho para que se pronunciasse sobre a investigação, mas ele preferiu não se manifestar.

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