O prefeito de Pedro Afonso, Joaquim Pinheiro (PP), afirmou à Folha do Girassol que teme um “colapso” no abastecimento e na logística da região caso a situação da ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, não seja resolvida nos próximos dias. “Eu temo pelo desabastecimento do comércio”, afirmou.
A estrutura, que liga Pedro Afonso a Tupirama, foi totalmente interditada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) na última quarta-feira, (20), após equipes técnicas identificarem agravamento de fissuras, novas trincas e sinais de comprometimento estrutural.
Segundo o prefeito, pelo menos duas balsas devem começar a operar até a próxima quarta-feira (27), para garantir a travessia de veículos, caminhões e passageiros entre os dois municípios. De acordo com Joaquim Pinheiro, uma das balsas chegou no sábado, (23), e outra deve chegar ainda nesta segunda-feira (25). A expectativa é de que as duas embarcações operem simultaneamente na travessia.
Apesar da chegada da primeira balsa, a operação ainda não começou. Segundo o prefeito, equipes trabalham na construção das rampas de acesso às margens do Rio Tocantins para permitir o embarque dos veículos.
De acordo com o prefeito, além de finalizar as rampas, o início dos trabalhos também depende de encontrar gente qualificada para pilotar as balsas. A empresas Pipes, responsável pelas embarcações, já estaria procurando pilotos para as embarcações. “Teremos duas balsas circulando”, disse.

Travessia paga X licitação do DNIT
Neste primeiro momento, a travessia será custeada pelos próprios usuários. O valor da tarifa ainda não havia sido informado até a publicação desta reportagem.
Segundo Joaquim Pinheiro, o DNIT publicou na sexta-feira (22) um chamamento para contratação emergencial de empresa responsável pela operação gratuita das balsas. No entanto, a previsão é de que o processo seja um pouco demorado, devido às exigências legais para contratação pública
Enquanto isso, a travessia da população continua sendo feita apenas por pequenas embarcações, como voadeiras. As rotas terrestres alternativas passam por Tocantínia e Tupiratins, aumentando o tempo de deslocamento e os custos do transporte na região.
Segundo o prefeito, apenas ambulâncias, viaturas policiais e veículos que transportam pacientes para hemodiálise seguem autorizados a atravessar a ponte interditada.

Impacto: comércio e agronegócio
A preocupação da prefeitura envolve principalmente o abastecimento da cidade e o escoamento da produção agrícola e industrial da região. Pedro Afonso é um dos principais polos de produção de grãos e bioenergia do Tocantins. Segundo Joaquim Pinheiro, a interrupção da BR-235 já afeta diretamente a logística de transporte de cargas.
De acordo com ele, uma unidade da empresa BP Bioenergy possui mais de 1 milhão de litros de álcool aguardando transporte. O prefeito afirma que os impactos atingem toda a cadeia econômica da região, desde o comércio até o agronegócio.

Temporada de praia sob risco
A crise provocada pela interdição também ameaça a temporada de praia de Pedro Afonso, uma das mais tradicionais do Tocantins durante o período de férias.
Segundo Joaquim Pinheiro, a prioridade da gestão municipal neste momento é restabelecer a mobilidade da cidade e reduzir os prejuízos causados pela interrupção da ponte. “Estou pensando se iremos fazer a temporada de praia, a menos que tenhamos uma boa ajuda do governo do Estado”, afirmou.

Ao comentar a possibilidade de cancelamento da temporada de praia, Joaquim Pinheiro afirmou que o evento dura apenas 30 dias, enquanto os impactos da interdição da ponte podem comprometer por muito mais tempo o abastecimento da cidade e a economia local. “Pão comido, pão esquecido”, resumiu o prefeito ao defender que a prioridade, neste momento, é garantir comida no prato da população e minimizar os prejuízos provocados pela crise.
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