A rotina de Pedro Afonso mudou drasticamente desde a interdição da ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, que liga o município a Tupirama. Uma semana após o bloqueio da estrutura pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), moradores, caminhoneiros e comerciantes enfrentam longas filas para atravessar o rio em balsas que passaram a operar em regime emergencial.
Desde a noite de terça-feira (26), duas embarcações começaram a funcionar 24 horas por dia no trecho. Mesmo assim, a operação ainda não conseguiu reduzir o congestionamento formado nos dois lados da travessia.
Em entrevista à Folha do Girassol, o prefeito de Pedro Afonso, Joaquim Pinheiro (PP), confirmou que a situação segue crítica. “As filas realmente estão grandes. As balsas começaram a operar durante a noite de terça e funcionam 24 horas, mas o volume de veículos é muito alto”, afirmou.
Segundo relatos de moradores, motoristas chegaram a esperar mais de sete horas para conseguir embarcar. As filas se espalharam por áreas urbanas da cidade e alteraram completamente a rotina da população.
A travessia passou a ser paga. Apenas pedestres, ciclistas e ambulâncias estão isentos da cobrança. Conforme tabela divulgada pela empresa responsável pela operação, um automóvel paga R$ 25,50 pela travessia. Caminhonetes pagam o mesmo valor. Já caminhões variam conforme o porte e a carga transportada: um caminhão toco carregado custa R$ 74, enquanto carretas de nove eixos carregadas chegam a pagar R$ 265.

Laudo do DNIT
A ponte foi interditada preventivamente pelo DNIT no último dia 20, após inspeções técnicas apontarem fissuras e comprometimentos estruturais na estrutura.
O órgão abriu um chamamento público emergencial para contratação de balsas gratuitas à população, mas o resultado ainda não foi divulgado. O prazo para apresentação das propostas já foi encerrado.
Enquanto isso, moradores aguardam também a conclusão do laudo técnico definitivo sobre as condições da ponte. Segundo o DNIT, o diagnóstico final deve ser apresentado em até 30 dias, prazo em que o órgão deverá anunciar quais medidas serão adotadas em relação à estrutura. Enquanto isso a população local não sabe por quanto tempo precisará conviver com a travessia improvisada.
A indefinição aumenta a apreensão de moradores e do setor produtivo da região, que depende diretamente da ligação entre Pedro Afonso e Tupirama para circulação de pessoas, transporte escolar, ambulâncias, abastecimento do comércio e escoamento da produção agropecuária.

Estrada alternativa
Com a travessia comprometida, parte dos motoristas tem buscado rotas alternativas para evitar as filas das balsas. Segundo o prefeito Joaquim Pinheiro, uma das opções é a TO-010, passando por Tocantínia. O problema, segundo ele, é a precariedade da estrada.
“O motorista consegue desviar pela TO-010, mas existe um trecho de aproximadamente 45 quilômetros de estrada de terra e outros 45 quilômetros asfaltados com muitos buracos”, explicou.

De acordo com o prefeito, o Governo do Tocantins já autorizou a Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura (Ageto) a iniciar a recuperação do asfalto da rodovia para melhorar as condições de tráfego enquanto a situação da ponte permanece indefinida.








