O presidente estadual do PT no Tocantins, Nile William, concedeu entrevista à Folha do Girassol, na manhã deste sábado (18), em que rebateu as especulações de bastidores de que teria perdido o comando da legenda para a ex-senadora Kátia Abreu (PT), coordenadora da campanha de Lula no Tocantins.
Segundo o dirigente, a atuação da ex-senadora ocorre de forma integrada à direção partidária e não representa mudança no comando da sigla. “O partido funciona através de um colegiado que inclui as presidências do PCdoB, da Rede, do PDT, além das lideranças dos movimentos sociais, populares e sindicais, como a CUT. Estamos consolidando essa coordenação política de forma coletiva. A Kátia é uma grande parceira que contribui significativamente com este processo, mas não procede a interpretação de que ela estaria exercendo as funções de presidente”, afirmou.
No último dia 13 de julho, Kátia Abreu publicou um vídeo nas redes sociais, direto da sede do PT em Palmas, anunciando que a partir daquele momento estaria despachando da sede do partido em Palmas, como coordenadora da campanha de reeleição do presidente Lula. E desde então é o que tem feito, ligando e mantendo reuniões com prefeitos, dirigentes partidários e lideranças políticas. A movimentação alimentou especulações de que a ex-senadora estaria assumindo, na prática, a condução política da legenda no Estado.

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Foco da campanha
Durante a entrevista, Nile afirmou que, embora Kátia Abreu esteja dedicada à coordenação da campanha de reeleição do presidente Lula no Tocantins, o projeto político do PT no Estado está concentrado também na construção da chapa majoritária formada pelo vice-governador Laurez Moreira (PSD), pré-candidato ao Governo, e pelo ex-deputado Paulo Mourão (PT), pré-candidato ao Senado.
Segundo ele, a campanha nacional e a estadual caminharão de forma integrada. “Percebo que há uma preocupação em relação ao foco da Kátia na reeleição do presidente Lula, mas reitero que não se pode dissociar a campanha nacional da nossa chapa majoritária estadual. Embora busquemos o apoio máximo ao presidente Lula, o ponto central da nossa atuação no Estado é a campanha do Laurez e do Paulo Mourão”, ratificou.
Indagado se haveria divergência entre as correntes internas do partido, Nile descartou que haja qualquer divisão interna na construção da aliança. “Quanto a um possível distanciamento, discordo dessa análise. Estamos unificados em nossos propósitos. Há também a candidatura do PSOL, que também é um ponto importante da campanha do Lula, e a candidatura do Laurez que reúne o maior polo, e não vai ter uma construção isolada de Lula sem Laurez”, assegurou.
Unidade interna
Nile defendeu a unidade interna do partido. Segundo o presidente estadual, o PT tocantinense reúne cinco tendências internas principais, mas disse que todas estão alinhadas em torno da estratégia para as eleições de 2026. “Temos cinco tendências organizadas. Existe uma unanimidade estratégica e tática no partido. “O PT está unido em torno dos nomes de Laurez, Paulo Mourão e Lula, com voto 13 de ponta a ponta”, garantiu. “Não se pode falar em campanha do Lula, ignorando o ponto focal dela no estado, que é a campanha do Laurez, queremos o apoio máximo possível pro Lula, tem que deixar claro, mas o ponto focal é a campanha do Laurez e do Paulo Mourão”, destacou.
Irajá
Questionado sobre o lançamento da pré-candidatura ao senado de Ivanete Lima (PSD) pelo senador Irajá (PSD), candidato à reeleição e os reflexos para a composição da base aliada, Nile afirmou acreditar que as divergências serão resolvidas antes das convenções partidárias. “Tenho muito apreço pelo senador Irajá, que é um companheiro da base aliada. Acredito que, por meio do diálogo, resolveremos as divergências pontuais antes da convenção, mantendo o acordo inicial da chapa composta por Laurez, Paulo Mourão e Irajá”, avaliou.
Dedicação exclusiva
Nile também comentou sua decisão de retirar a pré-candidatura a deputado estadual, anunciada anteriormente. Segundo ele, a escolha foi motivada pela necessidade de dedicar-se integralmente à coordenação da campanha de Lula no Tocantins e à articulação do projeto político do partido no Estado. “Preciso me dedicar exclusivamente à coordenação da campanha do presidente Lula no Estado e à articulação do projeto lulista com o palanque local, estruturado pelo PT”, justificou.







