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Dorinha mantém apoio da maioria das igrejas do Tocantins, apesar de Eli apoiar Vicentinho

Deputado Eli Borges declarou apoio a Vicentinho no segundo turno, enquanto o pastor Amarildo, outras lideranças religiosas e o deputado federal Filipe Martins mantêm apoio a Dorinha

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A disputa pelo voto evangélico ganhou espaço no segundo turno da eleição para o Governo do Tocantins. Ao lado dela, corre outra batalha: a tentativa de demonstrar quem reúne mais apoio da direita, e mesmo tempo quem consegue manter ou atrair eleitores da esquerda. A divisão, porém, não é tão simples. Tanto Vicentinho Júnior (PSDB) quanto Professora Dorinha Seabra (União Brasil) podem receber votos de eleitores de diferentes campos ideológicos. No segmento evangélico, o desafio das duas campanhas é transformar apoio político e religioso em votos nas urnas.

É nesse contexto que deve ser interpretada a adesão do deputado federal Eli Borges (Republicanos) a Vicentinho. Terceiro colocado na disputa pelo Senado, com 271.829 votos, Eli chega à campanha tucana com uma votação expressiva e relações construídas ao longo de décadas com igrejas e lideranças religiosas. Seria um erro político ignorar esse capital. Mas também seria precipitado tratar os votos recebidos por ele na eleição para o Senado como um contingente pronto para migrar para o candidato ao governo.

Por sua vez, Dorinha mostrou que a saída de Eli não significa que todo o apoio que ele recebeu no primeiro turno estava indo no pacote. O primeiro sinal de que a mudança não representa uma adesão coletiva veio da própria chapa de Eli. Seu primeiro suplente, o pastor Suelismar Caetano (Republicanos), permaneceu com Dorinha. Líder da Igreja Missão, que possui mais de 190 congregações no Tocantins, Suelismar declarou que a denominação também apoia a senadora. A Assembleia de Deus Madureira e a Convenção Interestadual das Assembleias de Deus do Seta (CIADSETA) igualmente mantiveram suas principais lideranças ao lado da candidata.

Na sequência, Dorinha deixou claro que tinha apoio de outros líderes do segmento cristão. Entre essas lideranças está o pastor Amarildo Martins, um dos principais nomes da Assembleia de Deus Ministério Madureira no estado e pai do deputado federal Filipe Martins (PL), reeleito com 64.068 votos. A influência religiosa e política de Amarildo constitui um elemento importante nessa divisão. Na sexta-feira (9), enquanto Eli oficializava sua adesão a Vicentinho, Dorinha participou, a convite do pastor, do congresso estadual da Madureira em Gurupi, que reuniu representantes da denominação de diferentes municípios.

Amarildo é pai do deputado federal Filipe Martins (PL), reeleito com 64.068 votos. A ligação entre a liderança religiosa e o parlamentar acrescenta uma dimensão política à disputa: Dorinha não depende de uma única referência evangélica para manter interlocução com esse eleitorado. A presença de diferentes pastores e representantes religiosos em sua base mostra que a relação entre igrejas e candidaturas não se resume à decisão de um único dirigente.

No sábado (10), também declararam apoio à senadora o pastor Domingos, da Igreja Deus é Amor; o bispo Carlos, da Igreja Casa da Bênção; e o bispo Danilo, da Igreja de Cristo. Somadas às posições de Suelismar e Amarildo, essas manifestações indicam a permanência de apoios em diferentes segmentos religiosos. Não permitem, contudo, concluir que todas as igrejas ou todos os fiéis dessas denominações votarão da mesma maneira.

Esse é o ponto central da disputa. A influência de pastores e parlamentares pode contribuir para mobilizar eleitores, dar visibilidade a uma candidatura e ampliar sua presença em determinadas comunidades. Não equivale, porém, ao controle do voto. A orientação de uma liderança pode ser considerada por parte dos fiéis, enquanto outros fazem suas escolhas com base em fatores pessoais, políticos, econômicos ou administrativos.

Por isso, a adesão de Eli tem peso, mas seu alcance ainda é uma incógnita. O deputado recebeu 72.453 votos em Palmas e construiu presença política em diferentes regiões do Tocantins. Esse histórico dá dimensão à sua participação na campanha de Vicentinho. O que não existe, a partir dos números do primeiro turno, é uma medida confiável de quantos desses eleitores acompanharão sua decisão no segundo.

Há uma particularidade importante: na eleição para o Senado, cada eleitor podia escolher dois candidatos. Isso significa que parte dos 271.829 eleitores de Eli pode ter votado em Dorinha para o governo, enquanto outra parcela pode já ter escolhido Vicentinho ou um dos demais candidatos. A votação do deputado, portanto, reúne pessoas com preferências distintas para o Executivo estadual. Confundir os dois resultados é ignorar a diferença entre a escolha para o Senado e a disputa pelo governo.

O contraste com a eleição de Thiago Borges, filho de Eli e vereador de Palmas, também merece registro. Thiago recebeu 5.698 votos na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa e não foi eleito. Já Filipe Martins, filho do pastor Amarildo, garantiu a reeleição para a Câmara dos Deputados. Os resultados não são diretamente comparáveis, porque se referem a cargos diferentes e a disputas com regras próprias. Ainda assim, servem para lembrar que o prestígio de uma liderança não se reproduz automaticamente nas urnas em favor de familiares ou aliados.

A saída de Eli também precisa ser examinada à luz do rompimento político que veio a público depois do primeiro turno. Na sexta-feira (9), ao anunciar apoio a Vicentinho, o deputado justificou a decisão pela afinidade com o projeto do candidato e afirmou ter cumprido seus compromissos com os antigos aliados. No sábado (10), após críticas do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), passou a questionar o apoio recebido de prefeitos, os repasses partidários e o tratamento dispensado à sua candidatura durante a campanha.

Wanderlei afirmou que o Republicanos destinou mais de R$ 3 milhões à campanha de Eli. O deputado contestou a forma e os prazos dos repasses. As versões divergentes ajudam a dimensionar o desgaste entre os antigos aliados, mas não permitem, isoladamente, concluir que as divergências financeiras ou o tratamento recebido tenham sido a causa determinante da mudança de posição.

Há, ainda, uma questão sobre o futuro político do parlamentar. Derrotado na disputa pelo Senado, Eli encerrará seu mandato na Câmara dos Deputados em janeiro de 2027. A aproximação com Vicentinho estabelece uma nova aliança para o segundo turno, mas não há elementos suficientes para afirmar que uma eventual participação em um governo tenha determinado sua escolha.

Na disputa pelo eleitorado evangélico, portanto, os dois movimentos precisam ser considerados sem exageros. Vicentinho incorpora à campanha um parlamentar com votação expressiva e vínculos religiosos consolidados. Dorinha, por sua vez, mantém o apoio declarado da maioria das lideranças de diferentes denominações, entre elas nomes com atuação religiosa e política no estado. Nenhum desses fatos, isoladamente, define o comportamento dos fiéis.

Para Vicentinho, a adesão representa a chegada de um parlamentar com votação expressiva. Para Dorinha, a permanência de parte importante das lideranças evangélicas oferece a possibilidade de disputar esse eleitorado mesmo sem o apoio do deputado. Apenas as urnas dirão como todos esses movimentos serão decisivos para o resultado da eleição para o governo do Tocantins.

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