A Prefeitura de Palmas nomeou nesta quarta-feira (10) uma gestora interina para comandar a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) após a prisão da titular da pasta, Dhieine Caminski, durante uma operação da Polícia Civil que investiga supostas irregularidades no contrato de terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da Capital.
A medida foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial do Município por meio do Ato nº 696, assinado pelo prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos). O documento designa Ana Paula dos Santos Andrade Abadia para responder, de forma interina e cumulativa, pela Secretaria Municipal de Saúde.
Apesar da substituição temporária, Dhieine Caminski não foi exonerada do cargo. Até o fechamento desta reportagem, não havia sido publicada nenhuma portaria de afastamento ou exoneração da secretária, que permanece formalmente titular da pasta. Inclusive, atos administrativos assinados por ela continuaram sendo publicados no Diário Oficial desta quarta-feira.
Ana Paula Abadia ocupa atualmente o cargo de secretária executiva da Escola de Saúde Pública da Semus. Servidora efetiva da Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO), ela também já comandou a Secretaria Municipal de Saúde de Araguaína e também foi nomeada secretária-executiva da Saúde na gestão interina de governador em exercício Laurez Moreira (PSD).

Prisões e investigação
A mudança ocorre no mesmo dia em que a Polícia Civil deflagrou uma nova fase da Operação Falsa Emergência, investigação que apura supostas fraudes no processo de terceirização da gestão das UPAs Norte e Sul de Palmas.
Além de Dhieine Caminski, foi preso o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa. As investigações envolvem um contrato estimado em R$ 139,1 milhões firmado para a administração das unidades de pronto atendimento, as UPAs norte e sul da capital.
Segundo a Polícia Civil, os crimes apurados incluem associação criminosa, falsidade ideológica, corrupção e lavagem de dinheiro.A 1ª Vara Regional das Garantias de Palmas também expediu mandado de prisão contra a empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada nas investigações como articuladora dos interesses ligados ao contrato. Ela não foi localizada durante as diligências e é considerada foragida da Justiça.
Por meio da defesa, Cláudia informou que está em viagem e que retornará ao Tocantins para se apresentar às autoridades. Os advogados afirmam ainda que não tiveram acesso integral aos autos do processo.
A Operação Falsa Emergência é conduzida pela Divisão Especializada de Repressão à Corrupção (Decor) e investiga suspeitas de que uma situação emergencial teria sido utilizada para justificar a contratação sem licitação da entidade responsável pela gestão das UPAs da Capital. O caso tramita sob sigilo judicial e segue em fase de investigação.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Palmas informou, por meio da Procuradoria-Geral do Município, que acompanha os desdobramentos da operação e aguarda acesso às informações oficiais constantes nos autos para se manifestar sobre o caso. A gestão municipal ainda não esclareceu se pretende afastar definitivamente ou exonerar os servidores investigados. A Folha do Girassol solicitou informações a respeito.








