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Kátia contra Mourão expõe racha no PT; Ataídes concentra fogo em Vicentinho; apoio em off de Eduardo Siqueira a Gaguim; e o mal-estar na família Barbosa

As Curtinhas da FollhaG trazem os últimos acontecimentos dos bastidores da política tocantinense; a campanha começou e cada um usa as armas que tem para a batalha pelos votos nas eleições 2026

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Caravana sem Mourão

O Bico do Papagaio virou o palco de uma disputa pelo palanque de Lula no Tocantins. Kátia Abreu organizou a caravana que passa por 13 municípios a partir desta quinta-feira (20), mas não incluiu Paulo Mourão na agenda, o candidato ao senado do PT. Mourão, porém, decidiu ir para a região acompanhado do coronel Silva Neto, vice na chapa de Laurez, representante do candidato ao governo.

Cada um no seu quadrado

A situação produz uma cena curiosa. De um lado, Kátia leva Lula para uma região onde o presidente teve desempenho expressivo em 2022. Do outro, Mourão e Silva Neto entram no mesmo território para lembrar que o PT está na chapa de Laurez. As duas agendas defendem Lula, mas não caminham juntas. O que está em disputa, portanto, não é o apoio ao presidente. É quem terá mais espaço ao lado dele no Tocantins. O posicionamento de Kátia deixa claro e evidente que a ex-senadora faz campanha contra Mourão e expõe um racha no PT, que nunca foi um partido unido aqui no estado.

 Kátia contra Mourão

A relação entre Kátia e Paulo Mourão já vinha atravessada. E tudo leva a crer que a ex-senadora não gostou da disputa entre o filho dela, senador Irajá e Paulo Mourão, o que acabou culminando com a desistência de Irajá de concorrer à reeleição. Ela agora faz de tudo para prejudicar a campanha de Paulo Mourão. Seu foco é apenas a reeleição de Lula e deixou claro isso em grupo de Whatsapp, após a publicação de uma matéria informando que Mourão e Silva Neto estariam na caravana com Lula pelo Bico do Papagaio. “Ele não estará na caravana. Ela é somente pro Lula”, refutou a ex-senadora. “Muitos líderes e prefeitos apoiando justamente porque é focada no Lula”, escreveu Kátia no grupo “Comunicadores/TO- Com Lula”, numa tentativa de dizer que os prefeitos que ela convidou já apoiam outros candidatos ao senado, e só confirmaram presença porque ela garantiu que a caravana era para Lula e sem Paulo Mourão.

Kátia Abreu reage à presença de Paulo Mourão na caravana e deixa clara a divisão nos bastidores do PT. “Ele não estará na caravana”, rebate. Foto: Montagem de print por IA

Com a proteção de Dilma

O candidato petista ao senado não teria gostado nada da ideia de ficar fora da caravana organizada por Kátia e já estava chateado depois que soube que Kátia andou conversando com dois candidatos ao senado da oposição: o deputado Alexandre Guimarães e o senador Eduardo Gomes. Depois disso, Paulo começou a fazer esforço para que a informação chegasse ao PT nacional a fim de que o fato levasse à expulsão de Kátia do PT. Coisa que não vai acontecer, até porque Kátia tem por trás dela toda a proteção da amiga ex-presidente Dilma Rousseff.

Dorinha chega no Bico

Como se dois palanques do PT não fossem suficientes, Dorinha também estará no Bico a partir desta sexta-feira (21), fazendo campanha pela região. E o Bico do Papagaio estará no foco da política pelos próximos dias.

Eduardo Siqueira Campos e Gaguim: apoio nos bastidores, longe dos holofotes e sem declaração pública.

Apoio sem flash

Para onde estão indo os apoios de Irajá? Com a saída do senador do páreo, os votos que seriam do parlamentar são disputados pelos demais candidatos. E tem uma movimentação correndo por baixo da disputa pelo Senado. Segundo relatos ouvidos pela coluna, secretários e vereadores ligados à base do prefeito Eduardo Siqueira Campos, ainda herdados do ex-governador Siqueira Campos, teriam migrado, de forma discreta, para Carlos Gaguim. Oficialmente o prefeito declara apoio à candidatura ao senado de Ronaldo Dimas, que é do seu partido, o Podemos, e também devido à suplência de Soró, tio da primeira-dama Pollyana Siqueira Campos. Nos bastidores, entretanto, Gaguim estaria recebendo parte dessa estrutura que antes era contabilizada na conta de Irajá. O acordo seria mantido no campo do apoio informal, sem declaração pública, apenas em off.

Ataídes direciona artilharia para Vicentinho de olho no segundo turno. Foto: Montagem FolhaG

Ataídes mira Vicentinho

A estratégia de Ataídes Oliveira para a campanha ao governo começa a ganhar contornos mais claros: mirar Vicentinho Júnior. O ex-senador aparece atrás de Dorinha e Vicentinho nas pesquisas divulgadas até aqui e, segundo interlocutores, trabalha com a leitura de que existe um eleitorado descontente com a política tradicional disposto a comprar seu discurso. A aposta é crescer com esse voto e chegar ao segundo turno. A estratégia é ousada. E tem um efeito colateral óbvio: quanto mais Ataídes disparar a artilharia contra Vicentinho, menos munição sobra para Dorinha.

Fogo amigo?

A conta que circula entre os adversários de Vicentinho é simples: se Ataídes concentrar sua artilharia no tucano, pode acabar ajudando a candidatura que está na frente. Não significa que isso necessariamente vá acontecer, mas é justamente essa possibilidade que já entrou no cálculo político dos grupos. Mas como o objetivo de Ataídes é chegar ao segundo turno seu alvo obviamente será o segundo colocado nas intenções de voto.

A caravana foi teste?

Nos bastidores de uma das maiores convenções da temporada, a da senadora Dorinha, uma leitura chamou atenção: as caravanas levadas por prefeitos teriam sido bancadas pelos próprios grupos municipais, sem suporte financeiro da majoritária de Dorinha. A interpretação de aliados é que a mobilização também serviu como uma espécie de teste de fidelidade: quem realmente estava disposto a colocar estrutura na rua e quem apenas apareceu para cumprir tabela.

Agora vem a cobrança

A conversa entre prefeitos, segundo relatos de bastidores, teria mudado depois das convenções. A campanha de Dorinha passou a cumprir compromissos assumidos com algumas administrações municipais que vão além das tradicionais emendas parlamentares. A avaliação entre aliados é que esses movimentos podem dar novo fôlego às bases municipais e aumentar a disposição dos prefeitos para colocar a campanha na rua.

Prefeito não bate tambor de graça

Em política ninguém precisa explicar muito essa matemática. Prefeito até sobe no palanque, tira fotografia e declara apoio. Mas campanha exige estrutura, gente na rua, combustível, reunião e mobilização. E, quando a conta começa a pesar no caixa municipal ou no bolso dos aliados, o entusiasmo costuma precisar de algum incentivo. É justamente aí que os compromissos políticos entram na equação.

Descolagem?

A leitura de aliados de Dorinha é que a movimentação pós-convenção pode produzir uma diferença maior em relação a Vicentinho. O apoio de Wanderlei Barbosa também é apontado internamente como fator capaz de ampliar essa distância. Publicamente, a campanha tenta mostrar unidade e força. Nos bastidores, a expectativa é transformar estrutura política em crescimento nas pesquisas.

 A conta de Wanderlei

O apoio de Wanderlei a Dorinha já aparece como uma das principais peças da estratégia eleitoral do grupo. A convenção da candidata reuniu prefeitos, lideranças e caravanas de várias regiões, com o governador ocupando posição de destaque no palanque. Agora, a questão é saber quanto dessa estrutura conseguirá sair da fotografia da convenção e chegar efetivamente às ruas. O governador já declarou que vai entrar de corpo e alma na campanha de Dorinha. E deve ir mesmo, até porque emplacou o seu vice, Atos Gomes, na chapa majoritária.

E Vicentinho?

Do outro lado, Vicentinho também não está parado. O grupo vem acumulando adesões municipais e, tem divulgado apoios vindo do campo de Dorinha, mesmo que alguns não tenham se consolidado. Em Natividade, por exemplo, uma vereadora do União Brasil declarou apoio à chapa tucana, mas logo depois uma nota de esclarecimento retificou a informação.

A eleição começa a esquentar

O que se vê agora é a transformação da pré-campanha em campanha de verdade. Ataídes escolhe seu alvo, Dorinha tenta converter a estrutura em vantagem e Vicentinho busca preservar espaço e avançar sobre bases adversárias. E ainda há Laurez no jogo. O segundo turno, por enquanto, continua sendo uma hipótese eleitoral, praticamente consolidada como fato consumado e todos os candidatos lutando pra estar lá. Mas os movimentos de cada grupo já começam a revelar onde cada candidatura pretende travar sua batalha.

Marilon não teria superado o fato do sobrinho Léo ter apoiado Athus para vereador de Palmas nas eleições de 2024. Foto: Montagem FolhaG

Racha nos Barbosas?

Tem um mal-estar circulando nos bastidores do clã Barbosa. Segundo relatos, o vereador Marilon Barbosa teria liberado integrantes de seu gabinete para apoiar a reeleição da deputada Vanda Monteiro, inclusive com adesivagem de veículos e participação em atividades da campanha. O movimento teria provocado incômodo entre pessoas ligadas ao gabinete do sobrinho do vereador, o deputado Léo Barbosa, candidato à reeleição, e filho do governador Wanderlei Barbosa.

Léo Barbosa e Athus Oliveira juntos na campanha de 2024: a aliança que hoje enfrenta novos capítulos nos bastidores. Foto: Instagram

Mágoa antiga

A explicação que circula entre aliados é de que Marilon ainda guardaria ressentimentos da eleição de 2024, quando, segundo interlocutores, Léo não teria trabalhado por sua candidatura e teria apoiado outros nomes, como o de Athus Oliveira (Republicanos), atual secretário-executivo de Esportes e Juventude, próximo a Léo Barbosa, que ficou como primeiro suplente de vereador em Palmas. Marilon, no entanto não estaria declarando apoio pessoal a Vanda. A movimentação seria de integrantes de sua equipe, liberados para trabalhar para a deputada.

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Márcia Alves
Márcia Alveshttps://folhadogirassol.com.br
Jornalista Responsável DRT/57 - Jornalista, especialista em Marketing Político
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