Governador Wanderlei Barbosa desafia oposição: “Se eu mereço um impeachment, pode votar”

Chefe do Executivo também defende CPI e comenta investigações de cestas básicas na Setas; presidente da Assembleia anuncia arquivamento de pedidos contra o governador

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O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (25), durante discurso em um encontro de vereadores em Palmas, que não teme os pedidos de impeachment apresentados contra sua gestão e desafiou opositores a levarem o processo adiante. “Se eu mereço um impeachment, pode votar”, declarou. Em discurso na sequência, o presidente da presidente da Assembleia Legislativa, deputado Amélio Cayres (Republicanos) declarou que irá arquivar os pedidos de impeachment.

Na mesma fala, o governador também defendeu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostos desvios relacionados à distribuição de cestas básicas. “Pode fazer a CPI”, disse, ao afirmar que não tem receio de investigações.

As declarações ocorrem após a Folha do Girassol revelar, com exclusividade, entrevista com o deputado estadual Júnior Geo (PSDB), que afirmou que iria cobrar do deputado Amélio Cayres a inclusão na pauta de pedidos de impeachment contra o chefe do Executivo.

https://folhadogirassol.com.br/2026/03/25/apos-fala-de-wanderlei-junior-geo-cobra-amelio-e-quer-impeachment-na-pauta-da-assembleia-tem-que-pautar/

Discursos foram feitos durante encontro de vereadores, em Palmas. Foto: Koró Rocha/Dicom

Setas e investigação

Durante o discurso, Wanderlei também abordou, pela primeira vez, segundo ele, a indicação de gestores da Secretaria do Trabalho e da Assistência Social (Setas), pasta que está no centro de investigações da Polícia Federal.

O governador afirmou que o então secretário da pasta não foi indicação sua, à época vice-governador, mas do hoje deputado federal Toinho Andrade (PSDB), à época presidente da Assembleia Legislativa. “Quem indicou o secretário foi Toinho Andrade. Ele é que indicou o Messias para o Carlesse. É a primeira vez que eu estou dizendo isso”, afirmou. Durante a pandemia, a Setas foi comandada por José Messias Araújo (início de 2020) e posteriormente por Patrícia Amaral.

Wanderlei também negou participação em irregularidades e disse que foi responsabilizado de forma injusta. “Fui tirado do meu mandato sem nunca ter comprado uma cesta básica”, declarou.

O governador foi afastado do cargo por 90 dias em 2025 por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da operação Fames-19 da Polícia Federal que investiga supostos desvios de recursos públicos durante a pandemia de Covid-19. A apuração envolve contratos para aquisição de cestas básicas, com valores de desvios que ultrapassariam R$ 70 milhões, executados por meio da Setas.

Amélio Cayres sinaliza arquivamento de pedidos de impeachment e defende estabilidade. Foto: Koró Rocha/Dicom

Amélio anuncia arquivamento

No mesmo encontro, deputado Amélio Cayres sinalizou que os pedidos de impeachment não devem avançar na Casa.

Ao justificar sua posição, o parlamentar fez referência aos ensinamentos da família. “O velho Santinho, a velha Nenzinha e o Antônio do Bar me ensinaram respeito e que não se deve chantagear ninguém”, afirmou, em referência aos seus pais e seu irmão.

Em seguida, anunciou a decisão, se dirigindo a Wanderlei: “Os pedidos de impeachment, governador, terça-feira eu vou arquivar os quatro pedidos de impeachment que estão na Assembleia, por uma decisão pessoal, familiar e de formação”, declarou.

Amélio também destacou que não vê base jurídica para o andamento dos processos e alertou para possíveis impactos institucionais. “Respeito muito o deputado Júnior Geo, que protocolou um pedido de impeachment, mas não há fundamento. Não posso criar instabilidade no Estado. Já chega disso, nós queremos virar essa página”, afirmou.

Mourão foi contra

Em entrevista à Folha do Girassol, o ex-deputado Paulo Mourão (PT) também se posicionou contra o avanço de pedidos de impeachment sem fundamentação jurídica. “Essa Assembleia não fundamentou nada. Não existe denúncia formal, não existe julgamento. Como se fala em impeachment apenas por vontade política?”, questionou.

https://folhadogirassol.com.br/2026/03/25/paulo-mourao-critica-debate-sobre-impeachment-e-cobra-responsabilidade-com-o-tocantins/

Mourão alertou ainda para os impactos econômicos e institucionais de medidas dessa natureza. “Não podemos, a todo momento, expor o Estado de forma negativa. Isso cria um ambiente prejudicial ao desenvolvimento econômico, gerando dúvidas nos setores empresariais que desejam investir no Tocantins”, afirmou.

Para ele, qualquer discussão sobre afastamento do chefe do Executivo deve estar baseada em critérios legais. “Para proposição de impeachment de um governador é necessário haver uma denúncia fundamentada, com base na Lei nº 1.075/1950, que trata dos crimes de responsabilidade”, completou.

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