Preso preventivamente sob suspeita de envolvimento na morte do próprio filho, Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa estaria mantido em uma área separada dos demais detentos no sistema prisional do Tocantins. A informação foi repassada à Folha do Girassol por fontes que atuam dentro da unidade.
Segundo os relatos, Igor não estaria no convívio regular com os demais presos e permaneceria em um espaço reservado. A reportagem procurou a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), responsável pela administração do sistema penal, para saber em qual ala ele está custodiado, quais critérios determinaram a acomodação e se outros presos em situação equivalente recebem o mesmo tratamento.
Igor é filho da advogada Tereza Cristina Ibiapina da Rocha Araújo, profissional com atuação no meio jurídico tocantinense. Fontes ouvidas pela reportagem apontaram relações profissionais da advogada no Judiciário estadual.
A reportagem também busca saber quem determinou a permanência do advogado no espaço separado, desde quando ele está no local, quantos presos ocupam a mesma área e qual norma, decisão judicial ou ato administrativo fundamenta a medida.

Pai e madrasta estão presos preventivamente
Igor e a madrasta da criança, Kathellen Moreira, tiveram as prisões preventivas decretadas no curso da investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Palmas.
Na coletiva concedida na quinta-feira (6), o delegado Eduardo Menezes afirmou que a Polícia Civil representou pelas prisões com base, até aquele momento, nas suspeitas de homicídio duplamente qualificado e tortura.
A investigação começou depois que Igor procurou a Polícia Civil, na tarde de segunda-feira, 3, e relatou que o filho teria morrido em consequência de um suposto afogamento ocorrido no dia anterior.
De acordo com a versão apresentada pelo pai, Gustavo brincava na piscina quando caiu na água. Igor afirmou que retirou o menino, que teria expelido água, apresentado melhora, tomado banho, comido e ido dormir. Segundo o relato, a criança ainda respirava por volta das 6 horas de segunda-feira e foi encontrada sem sinais vitais aproximadamente três horas depois.
A comunicação à Polícia Civil, entretanto, ocorreu somente durante a tarde. Quando investigadores da DHPP chegaram à residência, encontraram lesões que, segundo o delegado, não eram compatíveis com a hipótese de afogamento.
“Pela experiência, já era possível perceber que não estávamos diante de um afogamento, mas de um local de homicídio”, afirmou Menezes durante a coletiva.

Polícia trata lesões como possível meio de tortura
As lesões encontradas na região anal e no intestino da criança levaram inicialmente os investigadores a considerar a possibilidade de violência sexual. Essa hipótese, entretanto, não é a conclusão atual da Polícia Civil.
Segundo Eduardo Menezes, a análise preliminar do laudo cadavérico e as informações fornecidas pelo médico legista levaram a investigação a tratar as lacerações, neste momento, como parte do conjunto de agressões sofridas por Gustavo e possível meio de tortura, sem indicação de finalidade sexual.
“Nós concluímos, por ora, que essas lacerações no ânus e no intestino fazem parte desse contexto de forte agressão. Então, é um instrumento, um meio de tortura, e não houve ali uma relação sexual”, declarou.
O delegado ponderou que a conclusão não é definitiva. Exames periciais complementares ainda são aguardados e podem alterar tanto a interpretação dos fatos quanto o enquadramento jurídico.
“Outros laudos ainda são aguardados e esse resultado pode se alterar. Existe, inclusive, a possibilidade de inserção do crime de estupro, mas isso será tratado durante o andamento da investigação”, disse.
Além das lesões anais e intestinais, a criança apresentava hematomas e ferimentos em outras partes do corpo. Segundo Menezes, o médico legista também identificou agressões severas na cabeça.

Investigação apura histórico familiar
A Polícia Civil também apura o histórico da convivência de Gustavo com o pai. Segundo o delegado, a mãe da criança, Sabrina Feitosa, relatou conflitos e episódios de violência durante o relacionamento com Igor.
Em 2023, Sabrina obteve medida protetiva de urgência contra o ex-companheiro após denunciar ameaças. Gustavo tinha oito meses na época.
O inquérito permanece em andamento e depende de novas perícias e depoimentos para esclarecer a dinâmica da morte e a eventual participação de cada investigado. As prisões são preventivas e não representam condenação.
O que diz a Seciju?
Em nota encaminhada à Folha do Girassol, a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) informou que a separação do advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa dos demais detentos segue critérios operacionais de segurança e o que prevê a Lei Estadual nº 13.167/2015. A pasta afirmou que o custodiado cumpre a mesma rotina e está submetido às mesmas normas aplicadas aos demais presos da unidade, negou a existência de qualquer privilégio e disse que não divulga a localização exata da cela por razões de segurança. A íntegra da nota está publicada abaixo.
NOTA À IMPRENSA
DATA: 07/08/2026
ASSUNTO: Custódia de preso provisório
A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) esclarece que a separação do custodiado Igor Gustavo Veloso de Sousa do convívio com os demais detentos segue critérios operacionais de segurança prisional e o disposto na Lei nº 13.167/2015, com o objetivo de resguardar a integridade física do custodiado e manter a ordem e a segurança da própria unidade penal.
O custodiado cumpre a mesma rotina, normas internas, regulamentos operacionais e horários aplicados a todos os custodiados da unidade, não havendo qualquer tipo de privilégio ou tratamento diferenciado.
Por razões de segurança das instalações e proteção dos envolvidos, a Secretaria não divulga detalhes sobre a localização exata ou numeração da ala em que os custodiados se encontram.
Por fim, a pasta reitera que todas as providências administrativas adotadas pela administração penitenciária observam os princípios constitucionais e o regulamento vigente.







