A Justiça Eleitoral suspendeu, neste domingo (6), a divulgação de uma nova pesquisa eleitoral registrada pelo instituto Exata.Go no Tocantins. A decisão é da juíza Silvana Maria Parfieniuk, auxiliar do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO), que determinou também a retirada de resultados já publicados.
Registrada sob o número TO-04465/2026, a pesquisa ouviu 2 mil pessoas. Os resultados começaram a ser divulgados na quinta-feira (3), mas as informações sobre bairros e municípios onde as entrevistas foram realizadas só foram inseridas no sistema no sábado (5), depois do prazo estabelecido pela legislação eleitoral.
Na decisão, a magistrada classificou o procedimento como “flagrante intempestividade” e afirmou que a apresentação tardia das informações não corrige a irregularidade nem permite a fiscalização no período adequado.
A Justiça determinou a interrupção imediata da divulgação e a remoção de publicação feita no Instagram no prazo de 24 horas. A Meta, responsável pela plataforma, também foi comunicada para retirar o conteúdo. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de até R$ 30 mil, além da possibilidade de responsabilização por desobediência.
Segundo a decisão, a ausência das informações sobre a amostra no momento adequado compromete a transparência do levantamento e pode “induzir o eleitorado em erro”, além de afetar a igualdade entre os concorrentes. A pesquisa suspensa, devido o instituto informar fora do prazo os locais das entrevistas, apontava vantagem do candidato Vicentinho Júnior na disputa pelo governo do Tocantins.
A representação foi ajuizada pela Coligação União pelo Tocantins, formada por União Brasil, Progressistas, Republicanos, PL, Podemos, PRD, Solidariedade e Avante, da candidata ao governo professora Dorinha Seabra (União Brasil) contra a Exata.Go, com pedido de imediata suspensão da divulgação e remoção dos conteúdos referentes à pesquisa eleitoral.

Histórico
A decisão mais recente se soma a outras medidas adotadas pela Justiça Eleitoral contra pesquisas registradas pelo instituto neste ano.
Em abril, o TRE-TO manteve suspensa uma pesquisa registrada sob o número TO-01693/2026, após ações apresentadas pelo Progressistas e pelo União Brasil. Na decisão de mérito, o levantamento foi considerado não registrado, com apontamentos relacionados à apresentação dos dados da amostra e à utilização de fontes não públicas. O instituto também foi condenado ao pagamento de multa de R$ 53,2 mil.
Em agosto, outra pesquisa da Exata.Go foi suspensa definitivamente após ação movida pelo PDT. O processo apontou incompatibilidades entre a metodologia informada e os custos declarados do levantamento, que previa 22.820 entrevistas presenciais em 54 municípios, realizadas em seis dias, ao custo de R$ 10 mil.
As decisões judiciais tratam das condições de registro, metodologia e divulgação dos levantamentos, e não constituem, por si só, conclusão sobre a correção dos resultados eleitorais apresentados pelas pesquisas.








