Moradores da ARNE 61 (504 Norte), em Palmas, enfrentam há três dias interrupções no fornecimento de água. Segundo relatos encaminhados à Folha do Girassol, em algumas alamedas a água chega com baixa pressão, enquanto em outras o abastecimento está completamente interrompido. A situação tem provocado transtornos dentro das residências e levado famílias a recorrer a parentes, hotéis e à compra de água mineral.
Os moradores afirmam que o problema de abastecimento não é novo, mas se agravou desde o início das obras de drenagem realizadas na região. Segundo eles, desde maio são registradas interrupções frequentes, algumas delas durante dias alternados. A atual paralisação, porém, já é considerada uma das mais longas. “Desde maio, falta água dia sim, dia não, mas tantos dias seguidos assim nunca tinha ocorrido”, relatou uma moradora à reportagem.
A Prefeitura de Palmas iniciou neste ano uma obra de interligação da drenagem da ARNE 61 à macrodrenagem da Avenida LO-14. A intervenção inclui a implantação de caixas coletoras e bocas de lobo e é executada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação. Em setembro, a Prefeitura informou que uma nova etapa da obra estava em andamento entre as avenidas NS-02 e NS-06 e que a conclusão de todo o projeto está prevista para o primeiro semestre de 2027.

Família improvisa rotina sem água
Na casa da moradora Márcia Menezes, da alameda 12, o problema já alterou completamente a rotina da família. Segundo ela, são seis pessoas na residência, além de animais de estimação. A água armazenada na caixa d’água acabou e os três banheiros da casa estão sem condições de uso.
Com a falta de água para banho, limpeza e preparo das refeições, a família passou a buscar alternativas fora de casa. Segundo Márcia, nesta semana foi necessário recorrer até mesmo a um hotel para conseguir tomar banho.
Os gastos também aumentaram com a compra de água mineral. Roupas sujas se acumulam e a situação já começa a interferir inclusive na rotina de trabalho.
A moradora afirma ainda que, a cada contato com a BRK, recebe uma nova previsão para a retomada do abastecimento. Segundo ela, uma das previsões indicava o restabelecimento do serviço a partir das 8 horas de quinta-feira (17). O prazo não foi cumprido. “Quando chega o horário previsto, anunciam um novo horário de normalização. E assim seguem os dias sem água”, relatou.

Morador diz que problema é antigo
O morador Maurício Barros de Aguiar, da Alameda 4, afirma que os problemas de abastecimento na região são anteriores às obras atuais. Segundo ele, há anos os moradores enfrentam dificuldades com a pressão e a regularidade do fornecimento. Maurício também relatou à reportagem que teria ouvido de um funcionário da BRK uma explicação sobre alterações na vazão destinada à região. “Eles desligam as comportas daqui, diminuem a potência da vazão que vem para cá, para distribuir para as outras áreas mais nobres”, relatou o morador. A informação, no entanto, não pode ser tratada como causa comprovada do problema.
Para o morador, a situação chegou a um ponto crítico. “Lá em casa somos seis crianças, dois adultos e um cachorro. É complicado”, afirmou. Ele conta que precisa levar os filhos para a casa da mãe para que possam tomar banho e que a família deixou de realizar tarefas básicas, como lavar roupas, por receio de ficar completamente sem água. “Levo todos os meus filhos para casa da minha mãe, para tomar banho e voltar. O calor está infernal, né? Graças a Deus ainda tenho caixa d’água, só que a caixa d’água acabou. E aí fica nessa, não pode lavar roupa, tem que deixar a roupa acumular, aquele absurdo de roupa, como se a gente fosse seboso”, explica.
Maurício também relata já ter enfrentado problemas anteriores relacionados às cobranças da concessionária e afirma que chegou a pagar valores que considerou indevidos em sua conta de água. Segundo ele, reclamações e protocolos feitos anteriormente não teriam resultado em uma solução definitiva. “É um absurdo o que acontece. A BRK, ela, ela precisa ser penalizada. Eu tô de saco cheio”, afirma.
Algumas moradoras relataram que estão levando roupas para lavanderias para evitar o acúmulo de peças sujas. Também há relatos de pias cheias de louça, diante da falta de água para realizar as tarefas domésticas.

Mais de 20 ligações e novos prazos
No grupo de moradores da quadra, relatos semelhantes se repetem. Há registros de famílias sem água para beber, cozinhar, tomar banho e lavar roupas. Moradores que têm parentes em outras quadras estão levando familiares para tomar banho fora de casa.
Segundo os relatos encaminhados à Folha do Girassol, alguns moradores já fizeram mais de 20 contatos com a BRK em busca de uma solução. É o caso da moradora Stela Mara. “Ninguém nessa cidade quente tem estoque de água para três dias”, destaca.
Uma comunicação atribuída à concessionária e compartilhada entre os moradores informa que uma manutenção poderia provocar oscilações no sistema de abastecimento em diversas quadras e residenciais de Palmas, entre elas a região da ARNE 61 e áreas próximas.
A previsão mais recente informada aos moradores é de normalização até as 20 horas deste sábado, 19 de setembro. Mas cada prazo descumprido pela concessionária um novo prazo é informado.
Obra de drenagem tem contrato de R$ 2,29 milhões
A intervenção realizada pela Prefeitura envolve a drenagem pluvial da Avenida LO-14, entre as avenidas NS-02 e NS-06, além da abertura de caixas coletoras e do microrrevestimento asfáltico da ARNE 61.
De acordo com publicação no Diário Oficial de Palmas, o contrato foi assinado em 18 de maio de 2026 com a empresa EHL Eletro Hidro Ltda., pelo valor de R$ 2.293.562,11, com vigência de 12 meses.
Em junho, a Prefeitura informou que os trabalhos haviam começado pela Alameda 5, com sondagem para implantação das caixas coletoras e bocas de lobo. Em setembro, a gestão municipal afirmou que a obra seguia dentro do cronograma.
Para os moradores, entretanto, o avanço das obras não pode ocorrer sem que sejam consideradas as consequências para serviços básicos, como o abastecimento de água.
A falta de água também começa a gerar uma discussão sobre os prejuízos provocados pelas interrupções. Alguns moradores afirmam que estudam buscar medidas judiciais contra a concessionária e o município caso o problema persista.
A Folha do Girassol mantém espaço aberto para que a BRK Ambiental e a Prefeitura de Palmas apresentem esclarecimentos sobre a causa da interrupção, as medidas adotadas para normalizar o abastecimento e a eventual relação entre as obras de drenagem e os problemas relatados pelos moradores.








