Janad Valcari e Jair Farias: a disputa estratégica que começa a definir a eleição de 2026 para a Câmara Federal pelo Tocantins

Do custo do voto à expansão territorial, dois projetos distintos disputam o protagonismo na corrida para a Câmara dos Deputados e revelam como a estratégia será decisiva nas eleições federais

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Este artigo é resultado de um processo longo e deliberado de pesquisa. Foram muitas horas dedicadas à leitura fria de números, cruzamento de dados eleitorais, análise de mapas de votação, muitas xícaras de café mais e sobretudo, esforço consciente para afastar qualquer apego, torcida ou preferência pessoal. A intenção aqui não é defender nomes, tampouco atacar projetos, mas compreender o jogo como ele é jogado. A análise parte dos dados, dos movimentos reais e das estruturas em disputa, não da emoção, não da narrativa de campanha e muito menos de alinhamentos políticos. É nesse distanciamento que reside a honestidade desse meu singelo diagnóstico.

A trajetória política de Janad Valcari segue sendo um dos fenômenos mais rápidos e impactantes do Tocantins recente. Em apenas quatro anos, ela percorreu um caminho que muitos levam décadas para construir. Eleita vereadora em Palmas em 2020 pelo Podemos com 2.083 votos, foi a terceira mais votada da capital. Em 2022, já no PL, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa com 31.587 votos, tornando-se a segunda deputada estadual mais votada do estado. Em 2024, chegou ao segundo turno da eleição para a Prefeitura de Palmas, alcançando 69.684 votos.

Essa ascensão acelerada produziu capital político, visibilidade e poder de articulação. Mas também trouxe um desafio inevitável, a transição de uma força concentrada na capital para um projeto verdadeiramente estadual. Em 2022, Janad concentrou 42,5% de toda a sua votação em Palmas, com 13.444 votos. Fora da capital, somou pouco mais de 18 mil votos espalhados pelo interior. Para uma disputa federal competitiva, esse padrão precisa mudar.

A eleição para deputada federal exige escala. Palmas continua sendo central, mas não resolve sozinha. Mesmo os melhores desempenhos na capital raramente ultrapassam a faixa de 15 a 18 mil votos para um candidato a deputado federal. Para atingir 55, 60 ou 65 mil votos, será necessário consolidar presença real em múltiplas regiões, com desempenho consistente nos grandes municípios fora da capital.

Esse é o ponto onde a análise deixa de ser apenas política e passa a ser estrutural. A trajetória vitoriosa de Janad Valcari até aqui não elimina erros, apenas os torna menos visíveis. E em 2026, o erro tem custo elevado.

Nos bastidores da política tocantinense, há um dado recorrente que ajuda a compreender a dimensão real do projeto. Informações amplamente comentadas indicam que a campanha de Janad Valcari em 2024 teria investido um valor extremamente alto, se levarmos em consideração uma cidade com pouco mais de 200mil eleitores, alcançando cerca de 69 mil votos. Isso teria colocado o custo médio da campanha acima de 900 reais por voto. Trata-se de uma eleição municipal, com lógica distinta de uma disputa federal, mas o dado é revelador.

Ele não serve para comparação direta entre pleitos diferentes. Serve para evidenciar duas coisas fundamentais, capacidade financeira e postura estratégica.

A primeira é clara, Janad Valcari e seu esposo, que atua como articulador, estrategista e negociador central do projeto, dispõem de musculatura financeira suficiente para sustentar campanhas de alta intensidade. A segunda é ainda mais relevante, desde 2020, o projeto adotou uma postura agressiva do ponto de vista financeiro, tentando profissionalizar a campanha, ampliando estrutura, encarecendo lideranças e elevando o padrão de disputa em todos os níveis.

Esse modelo não apenas impulsionou o crescimento de Janad Valcari. Ele também encareceu o sistema político ao redor. Quando um projeto opera nesse patamar, os custos sobem para todos que disputam o mesmo eleitorado, os mesmos territórios e lideranças. A política artesanal perde espaço, a margem para improviso desaparece.

Esse fenômeno não é exclusivo dela. Em 2022, segundo conversas e informações recorrentes de bastidor, o deputado federal Alexandre Guimarães teria investido um considerável montante, o que teria resultado em um custo médio estimado próximo de 330 reais por voto. Um valor alto, mas ainda dentro do padrão histórico da política tocantinense, baseada em presença territorial e articulação regional.

A comparação é instrutiva. Enquanto Alexandre operou dentro de um modelo tradicional de poder, Janad elevou o volume, a intensidade e o alto custo de lideranças. O efeito prático é que a eleição de 2026 tende a ser mais cara, mais técnica e menos tolerante a erros, ela entra no jogo não apenas como candidata competitiva, mas como um vetor de encarecimento e redefinição do tabuleiro eleitoral.

Do outro lado desse cenário surge Jair Farias, com um desenho estratégico distinto.

Deputado estadual de mandato, Jair construiu sua força a partir de uma base territorial sólida, especialmente no Bico do Papagaio e no Médio Norte. Nos últimos anos, porém, passou a desenvolver uma estratégia clara de expansão para regiões fora da sua base histórica, ampliando presença, diálogo político e articulação institucional em diferentes partes do estado.

Esse movimento é sustentado por relações políticas relevantes. Jair mantém parceria com o governador, com a senadora Dorinha, pré-candidata ao Governo do Estado, e uma relação de amizade e respeito com o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos. Esse conjunto de vínculos lhe garante palanques múltiplos, melhora sua competitividade na capital e lhe oferece maior tranquilidade para trabalhar o interior com profundidade.

O desenho mais provável do seu projeto passa pela consolidação forte nas regiões onde já é dominante, combinada com crescimento planejado em outras áreas estratégicas. Nesse cenário, Jair Farias se posiciona com capacidade real de alcançar a faixa entre 55 e 65 mil votos, podendo avançar além disso se a expansão territorial for bem executada.

Jair representa um modelo menos explosivo financeiramente, mas mais previsível do ponto de vista territorial. Ainda não é totalmente claro o grau de sofisticação técnica da sua campanha em termos de dados, ciência política aplicada e antecipação de cenários. Mas, se não cometer erros estratégicos relevantes, a eleição de 2026 tende a colocá-lo entre os protagonistas da disputa federal no Tocantins.

Se as tendências atuais se confirmarem, o estado caminhará para uma eleição marcada pelo confronto entre dois estilos de construção de poder, de um lado, um projeto de alta intensidade, forte investimento e postura estratégica agressiva, de outro, uma estratégia baseada na política territorial sólida e expansão calculada.

O que esta análise propõe, mais do que apontar favoritos, é convidar o leitor a enxergar a eleição de 2026 pelo ângulo que realmente importa, o da estratégia. Janad Valcari e Jair Farias são apenas o primeiro recorte de um tabuleiro muito maior, onde decisões silenciosas, custos invisíveis e desenhos mal feitos definirão vencedores e derrotados antes mesmo da campanha ganhar as ruas.

Se você chegou até aqui, não leia este artigo como uma conclusão, mas como um ponto de partida. Observe os movimentos, compare os estilos, questione os números e acompanhe com atenção os próximos capítulos. A disputa para a Câmara dos Deputados no Tocantins será decidida por quem entende o jogo, e por quem consegue antecipá-lo.

Nos próximos artigos, irei avançar sobre o segundo grupo de pré-candidatos, nomes com mandato, projetos em risco, apostas partidárias e estratégias que precisam funcionar para sobreviver. É nesse nível que a eleição começa a separar quem apenas disputa de quem realmente tem chance.

Fique atento, acompanhe, compartilhe este conteúdo com quem também gosta de política sem maquiagem e ajude a ampliar o debate. A Folha do Girassol segue abrindo espaço para análise profunda, leitura honesta de cenário e reflexão estratégica.

Série Especial – Eleições Tocantins 2026
Análise política independente
Túlio Abdull
Analista e Estrategista Político.

Leia +

 Eleições Tocantins 2026 – O cenário geral
Por que a disputa para deputado federal no Tocantins será decidida pela estratégia política, e não apenas por nomes ou mandatos.
 https://folhadogirassol.com.br/2026/01/30/serie-especial-eleicoes-2026-por-que-a-eleicao-de-2026-para-deputado-federal-no-tocantins-sera-decidida-pela-estrategia-politica/

 Eleições Brasil 2026: Pesquisas e leitura de cenário nacional
O que dizem as pesquisas divulgadas em janeiro e o que realmente importa na entrevista do marqueteiro do PT.
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