Uma procuração pública lavrada em 1º de novembro de 2023 e anexada à prestação de contas do diretório estadual do Republicanos no Tocantins registra que o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), presidente da legenda no estado, nomeou o filho, o advogado Rérison Antônio Castro Leite, atual diretor superintendente do Sebrae Tocantins, como procurador do partido.
No documento, Wanderlei figura como outorgante e concede ao filho poderes para representar a legenda, incluindo assinatura de contratos, realização e quitação de pagamentos, representação perante instituições financeiras e órgãos públicos e celebração de contratos de qualquer natureza, inclusive de locação.
A procuração integra os documentos apresentados à Justiça Eleitoral pelo diretório estadual e aparece vinculada a registros de contratação de uma caminhonete RAM/Rampage Rebel DS, modelo 2024, alugada pelo partido por R$ 10 mil mensais.

O veículo está registrado em nome de Mauro Henrique da Silva Xavier Rodrigues, que recebeu ao menos R$ 80 mil da legenda entre janeiro e agosto de 2025, conforme dados declarados pelo diretório estadual. Na prestação de contas, consta o contrato para locação do veículo, cópias de recibos de pagamentos, comprovantes de depósito e uma cópia da carteira de motorista de Mauro Henrique. Conforme apuração da Polícia Federal, Mauro seria laranja da família. As suspeitas são de que a caminhonete, embora registrada em nome de Mauro Henrique, pertença a Rérison Castro Leite, sendo utilizada por ele e alugada pelo Republicanos por R$ 10 mil mensais.

Caminhonete citada pela PF
O mesmo veículo foi citado pela Polícia Federal em relatório encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), durante a Operação Nêmesis, desdobramento da investigação da operação fames-19, para apuração de tentativa de obstrução da justiça com suposta destruição de provas, após buscas realizadas contra Wanderlei Barbosa em setembro de 2025.

Os investigadores também apontaram que Mauro mantinha relação próxima com a família do governador e participou da movimentação de caixas, malas e mochilas em imóvel ligado à sogra de Wanderlei Barbosa no dia em que a Polícia Federal monitorava possível retirada de materiais após o cumprimento de mandados de busca.

Dono da caminhonete e do Catoá
O relatório da Polícia Federal ainda cita que Mauro Henrique figurava como proprietário formal de outros bens utilizados pelo núcleo familiar do governador, entre eles a famosa chácara no Catoá, em Campo Alegre, distrito de Paranã, também alvo de buscas, e onde o governador e a primeira-dama, Karynne Sotero costumam passar os fins de semana, fazendo vídeos e postando nas redes sociais. Para os investigadores, a utilização de patrimônio registrado em nome de terceiros próximos ao grupo político e familiar poderia indicar possível dissimulação patrimonial.

Prestação de contas
Os pagamentos do Republicanos ao proprietário da caminhonete deixaram de aparecer na prestação de contas após agosto de 2025. Em setembro daquele ano, Wanderlei Barbosa foi afastado do cargo por decisão judicial no âmbito da Operação Fames-19, que apura desvios de recursos públicos na compra de cestas básicas, durante a pandemia de Covid-19. Em dezembro, ele retornou ao governo após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

em Paranã, refúgio de Wanderlei Barbosa nos fins de semana. Foto: Divulgação/Polícia Federal
Nota de esclarecimento
A Folha do Girassol solicitou nota de esclarecimento ao Republicanos na última quinta-feira (7), mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.









