EXCLUSIVO: Preso pela morte do filho, advogado tem parentes na PM, Polícia Civil e Polícia Penal do Tocantins

Documento enviado à Folha do Girassol pela madrasta, a advogada Tereza Cristina, cita irmão, primo e prima do advogado entre integrantes das forças de segurança e afirma que não há indício de participação deles nas condições de custódia

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Uma notificação extrajudicial enviada pela advogada Tereza Cristina Ibiapina da Rocha Araújo à Folha do Girassol nesta sexta-feira (7) trouxe uma informação até então desconhecida sobre os vínculos familiares de Igor Gustavo Veloso de Sousa. Segundo o documento, o advogado preso preventivamente pela morte do filho de 3 anos possui parentes que integram a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Polícia Penal do Tocantins.

Os nomes dos três familiares não são informados. Tereza fez a revelação ao contestar reportagem da Folha do Girassol sobre as condições de custódia de Igor e negar que tenha interferido ou solicitado qualquer tratamento diferenciado ao advogado.

No documento, Tereza também detalha a própria relação com Igor. Ela afirma que manteve relacionamento afetivo com Leopoldo, pai do advogado, morto em um acidente automobilístico em 2007. Depois da morte, Igor, então com cerca de 15 anos, passou a morar com Tereza e os filhos dela.

A notificação não informa por quanto tempo os dois viveram na mesma residência.  No texto, Tereza afirma que Igor “tem um irmão na Polícia Militar, um primo na Polícia Civil e uma prima na Polícia Penal”. A informação aparece no trecho em que Tereza contesta a associação de seu nome às condições de custódia de Igor. Segundo ela, a referência aos demais familiares busca mostrar que o advogado possui outros vínculos no Estado e não deve haver presunção de influência ou responsabilidade de qualquer deles.

“A referência a tais vínculos não é realizada para atribuir a esses familiares qualquer participação, influência ou responsabilidade”, afirma a notificação.

Tereza Cristina Ibiapina da Rocha Araújo é citada na reportagem em razão do vínculo familiar com o investigado. Foto: Divulgação Caato

Tereza sustenta que parentesco ou relação pessoal, por si só, não comprovam interferência na administração pública. No mesmo documento, ela afirma que não exerce função na Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), não administra unidade prisional e não praticou ato de intermediação para obter tratamento diferenciado para Igor.

A revelação ocorre no momento em que as condições de custódia do advogado são questionadas. A Folha do Girassol publicou nesta sexta-feira que fontes apontam tratamento diferenciado a Igor no sistema prisional e procurou a Seciju para esclarecer os critérios adotados.

Trecho da notificação extrajudicial enviada à editora-chefe da Folha do Girassol, jornalista Marcia Alves

Na própria notificação, Tereza afirma considerar legítima a apuração sobre eventual tratamento diferenciado, mas defende que a investigação identifique quem definiu a forma de custódia, em qual espaço Igor está preso e qual fundamento legal ou administrativo justificou eventual separação dos demais detentos.

Igor foi preso preventivamente nesta quinta-feira (6), sob suspeita de envolvimento na morte do filho, Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, em Palmas.

Confira a reportagem no link abaixo:

https://folhadogirassol.com.br/2026/08/07/advogado-preso-pela-morte-do-filho-de-3-anos-em-palmas-esta-tendo-tratamento-diferenciado-dizem-fontes/

Entenda o caso

Gustavo Veloso Feitosa, morreu no último domingo (2), em Palmas. Inicialmente, o pai da criança, o advogado Igor Veloso, informou à Polícia Civil que o filho havia se afogado na piscina da residência. No entanto, a perícia apontou lesões incompatíveis com a versão apresentada, e a investigação passou a tratar o caso como suspeita de homicídio qualificado e tortura. Gustavo apresentava múltiplas lesões pelo corpo, incluindo ferimentos na cabeça e lacerações na região anal e no intestino.

Com o avanço das investigações, Igor e a madrasta do menino, Kathellen Moreira, tiveram as prisões preventivas decretadas. Segundo a Polícia Civil, novos laudos ainda serão concluídos e poderão alterar o enquadramento jurídico do caso.

Nesta sexta-feira (7), a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) informou que Igor está custodiado em espaço separado dos demais detentos por critérios de segurança previstos na legislação e negou que ele receba qualquer tipo de privilégio no sistema prisional.

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